Quem não tem Barbie, caça com boneca de pano.

Spoilers Abaixo:

“My son and I are not your problem anymore. We’re your excuse.” – Lori Grimes

Em teoria, “Chupacabra” é um episódio esperto. Os roteiristas estão (acertadamente) sem pressa para tirar o grupo da fazenda, colocando os personagens nas posições que a série precisa para atingir o que está planejando com os zumbis no celeiro – seja lá o que for. E antes de dar partida no carro mais uma vez, ela decide dedicar episódios como esse para nos dar uma visão mais clara sobre como as pessoas do grupo funcionam, como elas se relacionam e como elas se percebem. É uma coisa básica, que não deveria ser surpresa para nenhum drama, mas no qual The Walking Dead ainda aparenta necessitar instrução.

O único problema é que ao tentar isso, ela meio que se trai e se perde ao tentar ser muito inventiva. Ao contrário de alguns fantásticos dramas em exibição (The Good Wife e Homeland, só pra citar dois), ela se estende além da conta com cenas de significados simples. Em pura redundância, dedicando três, quatro cenas para algo que poderia ser dito em uma ou através da expressão facial do ator. Não que Norman Reedus tenha capacidade para feitos dignos de Aaron Paul e John Noble, mas a sua atuação em um nível básico de competência é atolada até não poder mais – como se os roteiristas tivessem tido a ideia de explorar Daryl isolado em uma situação extrema, só que elaborado muito pouco depois disso.

O fator fantasma também pouco ajuda. Não sou contra o conceito em si, mas o artifício não deixa de parecer uma muleta na maioria das séries, sempre apresentado com um irritante tom de autoconfiança – talvez para compensar de maneira falha o ridículo da situação. E a aparição de Merle aqui até se encaixa com a visão que Daryl teria do irmão, só que não empolga. É um lembrete do passado dele apenas para isso, para ser um lembrete e querer fazer o arco do personagem funcionar em retrospecto. Tanto que o melhor momento dessa história vem não na luta de Daryl contra zumbis ou nas várias conversas que tem com o irmão, mas quando Carol – em uma cena sutil no jeito The Walking Dead de ser – reconhece o bem no que está fazendo, e com isso, mesmo sem notar, recompensa ele por procurar Sophia.

Oposto a isso está o confronto entre Rick e Shane, que joga a culpa dos personagens uma em cima da outra e depois se dispersa para ver quem ganhou. Aqui, não temos Merle para forçar desenvolvimentos. Não temos cobras aleatórias. Não temos cena desnecessária onde um personagem principal cria tensão por atirar acidentalmente em outro personagem principal (que todos na audiência sabem que não vai morrer agora).

Não. Todo o confronto entre os melhores amigos se dá através de conversas, onde Rick defende a sua busca e Shane decide compartilhar um pouco da atitude de sobrevivência antes que ela apodreça sozinha dentro do seu cérebro. Isso é bom. Mais uma vez, ela volta ao seu estilo menos sutil que chega perto de ser mal escrito, mas pelo menos está perto do assunto e atingindo ele diretamente através de palavras. Sem procurar subterfúgios, sendo sucinta quanto ao que quer dizer.  Ela apenas admite esse conflito entre os dois, e segue em frente. Alheia quanto ao que fazer, pois Rick e Shane também não fazem ideia do que fazer – o que adiciona boas camadas de tensão ao futuro da liderança do grupo e da permanência dele na fazenda.

Ah, e sabem outra coisa que pode prejudicar o futuro do grupo na fazenda? Yep: zumbis! Sempre eles. Chega a ser engraçado como a série armou o palco para essa revelação desde o começo, colocando dois personagens juntos apenas para que o “amor proibido” levasse um deles até o celeiro. Mas assim como torneios infantis que dão medalhas pela participação, aprecio o comprometimento. Agora, novas perguntas ficam no ar: por que Hershel está mantendo esses zumbis vivos? Será que por achar que o mandamento religioso de não matar também vale para eles? Ou para algo mais obscuro, como retirar sangue deles e vender no mercado negro como droga? (Alan Ball e Ryan Murphy ficariam tão orgulhosos com a falta de lógica nessa hipótese).

Enfim… Só o tempo dirá. E até lá, vamos nos ocupar com indignação pelo fato desse episódio se chamar “Chupacabra” e não mostrar um chupacabra. Alguém tem o número do SAC?

Outras observações:

– Além da boneca, nada importante aconteceu na busca por Sophia essa semana, mas eis a minha teoria da vez: ela está em Belfast.

– Impressão minha ou Hershel ganhou alguns familiares do nada? Bom pra você, Hershel!

– Ok, aquela abertura com Shane/Lori vendo a cidade e os helicópteros chegando foi bem legal. A série tem um visual maravilhoso quando é noite, e essa cena não decepcionou (apesar dos efeitos… Isso é TV, não Avatar)

– Guy Ferland é um dos meus diretores favoritos no circuito das séries de TV a cabo, mas ele faz um trabalho meio confuso em mostrar algumas das transições de terreno de Daryl, como na queda dele do cavalo direto no riacho – provavelmente parte de alguma limitação imposta pelo local de filmagem.

– Estava animado com as possibilidades para Andrea na premiere, mas a série vem batendo na mesma tecla com ela já faz algum tempo. Aqui, ela quase mata Daryl para mostrar que… Er… Para mostrar que… A atriz precisa fazer alguma coisa para não ficar recebendo salário de graça? Heh. Pelo menos ela está se aproximando de Dale mais uma vez, para a alegria dos shippers de toda a nação (regra: se dois personagens existem, alguém em algum lugar está shippando eles).

– Falando em shippar, para alguém que sobreviveu o apocalipse zumbi, Glenn é terrível em passar despercebido. Indo nesse nível, até T-Dog já sabe que ele está ficando com a Maggie – e tenho quase certeza que ninguém compartilha nada com o T-Dog, pelo simples fato de que ele tem o apelido mais ridículo e de menor confiança na história do universo. Mesmo assim, proporcionou aquela cena onde ele compartilha a informação com Dale e leva uma bronca bem dada… Pelas expressões faciais do Jeffrey DeMunn, é sempre legal quando o grupo conversa com Dale sobre a situação da vez.

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