Quando a presença do cromossomo Y se torna mais importante que a voz.

Spoilers Abaixo:

Depois de mais uma excelente noite de performances no The Voice, eu estava extremamente animado para a noite dos resultados. Minha grande esperança era de que, depois de ganhar um belo de um pimp spot, entregar uma performance sensacional e golear a concorrência no iTunes ao longo da noite, Juliet Simms quebraria paradigmas no Results Show e seguiria tranquilamente para as semifinais. Nada como um dia após o outro para destruir nossas ilusões, não é mesmo?

Mas ainda não é hora de falar sobre isso. Neste primeiro momento, o que vale mesmo é que, apesar de algumas decepções (Mathai =/), continuamos com um talento elevadíssimo e coaches cheios de bom senso, e a noite de segunda-feira comprovou mais uma vez essa afirmação. Como de praxe, seguem meus comentários sobre as apresentações, na minha ordem de preferência:

1. Juliet Simms – Cryin’ (Aerosmith)

Puxa, que bacana que o Cee Lo escolheu uma música do Aerosmith. Só prova que o The Voice não tem medo da concorrência. E nem tem por que ter, são dois shows que podem conviver muito bem. Mas vamos à performance, que foi linda e maravilhosa, como sempre! Simplesmente adorei as asas, deram aquele toque performático que eu acho, sim, um diferencial bacana do programa. Tudo bem, não foi “Roxanne”, faltou um pouco de controle sobre a afinação e a melodia, mas, ainda assim, Juliet Simms apenas confirmou nessa noite o que venho pensando há algum tempo: ela tem tudo para ser a vencedora: voz, carisma, talento, personalidade… e, principalmente, merecimento. Observação: Juliet ficou mais loira, ou é impressão minha?

2. Jamar Rogers – It’s My Life (Bon Jovi)

Jamar é talentosíssimo, e, mais uma vez, mostrou isso em uma performance eletrizante e intensa, com vocais poderosíssimos e cheios de emoção (que, aliás, é o forte dele). O único motivo pelo qual ele não está acima de Juliet foi o fator surpresa, ou melhor, a falta dele. Enquanto Juliet conseguiu entregar algo bastante diferente da apresentação anterior sem deixar cair a qualidade do que oferece, Jamar mandou uma apresentação bastante similar a tudo o que já fez no programa, e esse acaba sendo meu critério de desempate – totalmente pessoal, claro – nesse tipo de competição.

3. Katrina Parker – Jar of Hearts (Christina Perri)

Que coisa linda e maravilhosa!!! Essa é Katrina, cantando lindamente e com perfeição, tomando totalmente para si a canção que escolheu. Blake e Christina atingiram o ponto: apesar de o pessoal do figurino não ajudar, o fantasma de Adele pode ter sobrevoado Katrina durante a performance (e continuará sobrevoando durante um bom tempo, mesmo fora do programa), mas ela simplesmente não permitiu que ele a dominasse. Enquanto isso, eu simplesmente parei e me deixei conduzir (com maestria) pela performance da artista, e fui parar em um lugar tão bacana, que não quero, não quero mesmo, que ela vá pra casa! Observação: adorei o “desabafo” de Christina, dizendo que, se ela tivesse feito exatamente a mesma afirmação que Adam fez sobre Katrina, o povo cairia em cima dela, mas Adam sairá ileso. É a mais pura verdade. Mais uma do cromossomo Y, esse danadinho que dá passes livres às pessoas…

4. Cheesa – I Have Nothing (Whitney Houston)

Todo mundo tem o direito de odiar a Cheesa o quanto quiser (eu mesmo já tive minha fase), mas, enquanto ela é injustamente xingada como se não houvesse amanhã, continuarei reconhecendo e exaltando o talento dela. Adorei a performance, adoro esse vozeirão que ela tem, e ela é a única na competição que consegue bancar esse perfil de diva (que, na minha opinião, é necessário a qualquer reality musical). Não foi 100% perfeito como suas duas performances anteriores, mas eu diria que foi, no mínimo, 95%. Cheesa mereceu, com louvores, a standing ovation que ganhou. Não tenho mais nada a acrescentar, a não ser que é uma pena que seus concorrentes são Juliet e Jamar, porque, no Team Blake ou no Team Adam, ela teria cacife pra ser Top 2 com folga. Cee Lo e Christina disseram absolutamente tudo o que havia para ser dito. Maravilhosa!

5. Tony Lucca – Baby One More Time (Britney Spears)

Tony Lucca pegou tudo o que Christina disse e a fez engolir com essa escolha musical inesperada! Logo de cara estranhei o fato de que, no VT inicial, não havia sequer uma pista da música que ele cantaria. Cantar Britney Spears, além de surpreendente, foi uma bela maneira de exorcizar alguns demônios que rodeiam Tony, e também mostrou que ele não é tão unidimensional quanto parecia. Por outro lado, essa versão, puxada para o rock, não é novidade nenhuma, e definitivamente não foi criação do artista, embora o programa tenha tentado vender isso. E os vocais, esses continuam limitados como sempre foram. Christina não poderia ser totalmente sincera porque ela não tem cromossomo Y as pessoas cairiam em cima dela, mas ela fez o que pôde. “I enjoyed it” é realmente o máximo que se pode dizer dessa performance, sem tirar nem pôr mérito do artista. De qualquer forma, achei que valeu a pena. Sem falar que foi uma jogada de mestre.

6. Mathai – I’m Like a Bird (Nelly Furtado)

Gostei de ter visto um outro lado de Mathai, e adoro a personalidade da artista, mas ela deu umas desafinadas terríveis em ABSOLUTAMENTE TODOS os momentos em que precisou se esforçar um pouco mais, hein? E, como a versão foi extremamente parecida com a original (e eu nunca vou entender como Nelly Furtado e Mathai conseguem achar que “I’m like a bird / I’ll only fly away / I don’t know where my soul is / I don’t know where my home is” é algo pra se dizer para o seu amor entre sorrisos e pulinhos), acabou sendo uma performance só memorável pelos momentos ruins, infelizmente. Mathai perdeu uma boa oportunidade de fazer uma boa reforma nessa música e transformá-la numa baladinha, por exemplo. Assim como Blake, também não gostei do cara pendurado lá em cima, e, assim como Christina, achei um absurdo Adam não cuidar da produção do seu próprio time. Esses problemas, somados aos vocais problemáticos, me fazem acreditar que Mathai está em apuros. Observação: por onde será que anda a Nelly Furtado, hein? Um beijo, Nelly Furtado!

7. James Massone – Just The Way You Are (Billy Joel)

Que vergonha alheia eu senti por aquela mocinha que ficou ali parada no final, coitada. Gente, eu adorei a música, achei uma escolha belíssima, e até gostei da maneira como ela foi interpretada, mas odiei os vocais, e aí não tem jeito: continuo achando que James Massone não deveria ter sequer tido uma cadeira virada nas blind auditions, imagina então chegar até aqui. E o prêmio “Sacrilégio da Temporada” foi ver Adam chamá-lo de “jovem Sinatra”. Adam, sério, não precisa ficar disputando concurso de popularidade com os outros coaches, o bacana é ganhar com artistas de qualidade, mesmo. Seja honesto e faça críticas que faça com que esses candidatos queiram melhorar, em vez de jurarem que podem ser comparados a um dos maiores ícones da história da música, ok? Conversamos mais naquele churrasquinho esperto que a gente combinou. Observação: mulherada, vocês não ficam REVOLTADAS por ver o programa tentar vender JAMES MASSONE como galã pra vocês? Sério, acho que vocês merecem muito mais que isso! Nada melhor do que uma instant elimination pra pôr um fim nessa bobagem.

8. Pip – Somewhere Only We Know (Keane)

Adorei o início! Sem banda em volume sufocante, a voz de Pip realmente ficou agradável, e, pela primeira vez, eu estava curtindo uma performance dele. Cheguei a pensar “Agora vai!”, e discordo MUITO de Blake: sem aquela gravatinha ridícula, Pip se tornou um artista muito mais respeitável. Aí ele se levantou do piano, e a coisa desandou. No primeiro momento, era só o problema de sempre: uma voz mediana, que, ao mesmo tempo em que não é ruim de se ouvir, não impressiona. Mas o que achei imperdoável mesmo foi aquele final. Completamente desnecessário arruinar a performance com um grito em falsete que ele simplesmente não é capaz de sustentar. E só o coloquei em último, após o terrível James Massone, por causa desse erro imperdoável no final. Sorry, Pip, mas, por mim, é instant elimination na cabeça!

Team Cee Lo – Dancing In The Street

Cee Lo é puro entretenimento! Com exceção de James Massone, que performou “Dancing In The Street” como se estivesse cantando uma balada sexy para as garotas porque não sabe fazer mais que isso, o Team Cee Lo incorporou perfeitamente o clima da música – que eu simplesmente adoro. Infelizmente, ela foi apresentada pelo American Idol na semana passada, e por um grupo extremamente talentoso, mas toda a produção que Cee Lo faz muito bem fez transformou essa performance em algo bem diferente. Curti cada segundo.

Goodie Mob & Cee Lo Green – Fight to Win

Cara, Cee Lo é demais! Mesmo com essa música horrível e com os efeitos estranhos aplicados aos vocais, ele me fez prestar atenção na performance e até achar tudo divertido.

Team Adam – Instant Karma (John Lennon)

Adam fez o Ringo Starr e ficou só de figuração atrás da bateria, enquanto seu time cantava. Vou bater na tecla que já bati aqui: é muito bacana esse lance de altruísmo e coisa e tal, dá popularidade para o coach e, consequentemente, para o seu time, mas a premissa do The Voice é, e sempre será: os coaches são as estrelas. E, quando ficamos sabendo que eles irão performar, queremos vê-los, queremos ouvi-los cantando. Acho frustrante ficar assistindo a uma performance em que o coach sequer se dá ao trabalho de cantar um verso solo. Isso posto, o Team Adam mandou bem, e ficou uma apresentação bacana. Escolha musical impecável, e a cara do Adam.

Chegada a hora da verdade, nem tenho muito o que dizer sobre as escolhas de Cee Lo e Adam. A classificação das performances acima fala por mim. Achei os dois coaches extremamente corretos e sensatos em suas escolhas, mandando para casa os candidatos mais fracos de cada time (que, mesmo assim, absurdamente, tinham chances de serem os mais votados), Pip e James Massone. Nesta semana, aparentemente, nos veremos livres de polêmicas, de revoltas e de criações de caso. Cee Lo e Adam vão mandar pra casa quem merece ir pra casa, e ponto final.

Para o Results Show, tenho certeza absoluta de que serão eleitos pelo público Juliet Simms e Tony Lucca. As duas últimas vagas do Top 8 dependerão da “Last Chance Performance”, mas, neste momento, estou inclinado a achar que quem merece passar são Jamar e Katrina. Mas certeza, mesmo, só depois de vê-los cantando.

Results Show

Vamos começar falando de coisa boa? Sim, Florence & The Machine deram as caras no The Voice. Aliás, não só as caras. Adorei a apresentação, e decidi facilitar o trabalho de quem não viu (porque, sério, vocês precisam ver!):

Agora é hora de falar de coisa ruim: os eleitos do público foram (atenção para o suspense, só que ao contrário): Tony Lucca e Jamar Rogers? E por quê? Porque eles têm cromo… ah, vocês já sabem. Enquanto eu vou pensando em como transformar minha revolta em palavras, seguem as performances das garotas que, mais uma vez, lutaram pela sobrevida na competição:

Mathai – Cowboy Casanova (Carrie Underwood)

Muito melhor que a apresentação da noite anterior. Sem problemas nos vocais e com toda a personalidade que adoramos em Mathai. Mas, a não ser que Katrina mande muito mal, ainda ficou difícil pra ela, faltou dar um show pra compensar o que fez na noite anterior. Mas adoro Mathai e a acho muito mais interessante do que Tony Lucca.

Katrina Parker – Perfect (Pink)

Katrina acordou segunda de manhã e pensou “A partir de agora, vou me matar de cantar bem como ninguém nunca cantou nesse negócio! Quero ver alguém ter coragem de me tirar!” E ela conseguiu de novo. Katrina me deixa cada vez mais animado, e, apesar de saber que ela não tem chance alguma de chegar à final, fico feliz por poder afirmar com certeza: eis a melhor candidata do Team Adam. Com folga.

Cheesa – Already Gone (Kelly Clarkson)

Pior performance de Cheesa nos Live Shows, e ainda assim foi boa. Cheesa já era carta fora do baralho antes de esse Last Chance começar, e sinto que ela já sabia disso. Até a escolha musical parece ter deixado isso claro.

Juliet Simms – Torn (Natalie Imbruglia)

Comentário simples e rápido: cadê o CD da Juliet? Já pode comprar em pré-venda?

Como o esperado, Adam e Cee Lo fizeram escolhas justíssimas e sensatas, e mantiveram Katrina e Juliet na competição. Agora, vamos àquele desabafo que eu havia prometido?

Afinal, o que aconteceu com o The Voice? Onde está aquele público que apoiava talentos femininos como Dia, Beverly e Vicci, finalistas do ano passado? Tudo bem que o único finalista homem venceu, mas naquele contexto era algo compreensível. Agora, uma final com Chris Mann, Jermaine Paul, Jamar Rogers e Tony Lucca, quando estamos diante de talentos como Lindsey e Juliet (pra não falar em Erin e Katrina, cuja superioridade em relação aos concorrentes não é tão inquestionável quanto a das duas primeiras)??? Isso não vai fazer sentido algum, minha gente!

Lembram quando comentei sobre as eliminações instantâneas, e o mal que elas podem fazer ao programa tirando o poder do público votante? Pois hoje estou é erguendo as mãos para o céu e agradecendo por esse público de meia tigela não ter tido chance de fazer uma semi com Chris Mann, Jesse Campbell, Jermaine Paul, Tony Lucca, Pip, Jamar Rogers, James Massone e uma mulher intrusa (porque o time do Blake só tinha um homem)! Imaginem só a tragédia! Coaches, na próxima temporada, vocês podem decidir tudo, que eu não ligo, ok? Aliás, por mim a produção pode criar mais uma regra de última hora que elimine o Team Adam e o Team Blake e nos dê uma merecida final entre Chris, Lindsey, Jamar e Juliet, que são realmente os quatro melhores da competição (com Katrina correndo por fora).

Espero que os norte-americanos sensatos, aqueles que apoiam Lindsey e Juliet no iTunes e as fizeram vender muito mais do que os demais candidatos, percebam que precisam usar os outros meios para votar também! Não é possível que o The Voice vai ficar uma versão mais adulta de American Idol, onde só homens têm alguma chance de vencer porque as adolescentes norte-americanas têm tempo e disposição pra torrar a grana dos pais votando. Se essa final masculina realmente acontecer, The Voice corre um sério risco de deixar de ser tudo de bom que eu já disse em minhas reviews e se transformar em mais um medíocre show de calouros.

No mais, MUITO MEDO de ver Tony Lucca passando por cima de, no mínimo, meia dúzia de candidatos superiores e vencendo este ano simplesmente por já ser conhecido antes do início do programa. Pronto, falei.

Por ora, o que vale é que temos nossa Elite 8 extremamente talentosa, e ainda podemos torcer por nossas garotas. E, se você não entendeu por que eu os chamei assim, veja mais um divertido vídeo abaixo, e aguardemos a semana que vem, que, com muita sorte, terá mais uma review feliz e animada com o programa. Até lá!

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.