É tão gostoso perceber que The Vampire Diaries ainda consegue se garantir pelo seu enredo e não por ser, simplesmente, a heroína de muitos fãs. Se no episódio anterior a série apelou para a apunhalada nos protagonistas, totalmente desconexas dos acontecimentos do episódio e com o único objetivo de manter a audiência apreensiva pela possibilidade nula daquilo dar em alguma coisa, nesse, utilizando do velho e sempre eficaz recurso do time loop, tudo foi desenhado a rigor, como se a cada retorno a situação inicial iniciasse um novo looping nessa montanha russa de incógnitas em busca do valor de “x”. Foi claustrofobicamente delicioso, coisa que não se via desde o longínquo segundo episódio dessa temporada. Sem saídas fáceis, sem drama raso, sem ápices que desembocassem em um grande nada, o retorno de TVD foi o melhor quebra-cabeça que nunca montei e a equação mais fácil que nunca resolvi.
Por tratar-se de uma série regada, primordialmente, de questões mitológicas, qualquer falha de conexão, mais do que depressa, é levantada pelo público e nas reviews da vida. Então, a reta que liga dois pontos em um plot precisa, por questões de coerências e até mesmo de credibilidade, ser minuciosamente demonstrada e mastigada pra gente. Mas nem sempre. Não, nesse caso. E graças à deusa Pierce, foi assim. A série decidiu que não seria dessa vez que Bonnie acharia o The Phoenix Book e nos contaria, com riqueza de detalhes, o que Damon ou sua turma tinha que fazer para tirá-lo de sua prisão. Decidiu, também, que não precisávamos saber, de pronto, se aquilo era uma espécie de flashback ou apenas momentos aleatórios criados pela prisão. E, melhor, decidiu que não é da nossa conta quando a cena se tratava de realidade ou não. E fez isso até o fim. Não é todo dia que a série não prioriza o seu fandom sedento de explicações. Lide com isso.
Aliás, mais do que nos deixar apreensivos pela atual situação dos protagonistas, decidiram que deveríamos experimentar o que é estar no inferno alheio, com as mesmas dúvidas, planos, recusas e cansaço por movimentos repetitivos. Explodir um inocente com uma granada nunca foi tão justificável. E cada vez que Henry saudava Damon como sendo seu herói, eu me coçava pra entender onde estava a saída disso tudo. Por mais que Bonnie cantasse a bola da reconexão da alma com o corpo pela superação de uma dor, toda aquela situação com as senhoras camponesas não parecia ser a solução daquela sucessão de acontecimentos. E mesmo que essa fosse a grande solução daquele labirinto, a ironia habitual de Damon ou um simples “fingir se importar” não caberia naquele momento. E foi assim, pelos “comos?”, que a série se fez grande.
O roteiro, com a saída de Nina, viu-se bastante limitado para criar os demônios de Damon. Era clara a intenção dos roteiristas de criar uma situação mal resolvida entre mãe e filho para usarem aquilo como o grande calcanhar aquiliano de Damon. No entanto, sabemos bem que Elena e sua doppelganger possuem uma influência, no contexto da série, muito mais eficaz e agonizante que a figura da mãe estripadora, basta imaginar Damon apunhalando Elena, por 100 anos seguidos, repetidas vezes, nas mais diversas situações, mais ou menos como Julian narrou ser seu inferno. Os #Delena choram e #Stelena piram. Mas é aí que mora a belezura desse episódio: ao destacar que, por mais que não pareça, há um planejamento, uma preocupação, que deveria ser constante, em ser fazer crível, seja pela Mama ou outra situação que poderia ter sido criada, dentro das possibilidades.
Houve, sim, momentos que comprometeram a sacada do episódio de se esconder entre o real e o imaginário, com destaque para a cena em que Julian queima o corpo de Stefan e naquela conversa de Damon e o irmão. Não ficou muito claro se era a intenção, mas a indiferença de Stefan e a velocidade com que Julian se desfez do isqueiro comprometeram o choque da cena, sobretudo nessa segunda cena. Mas nada que não fosse compensando ao saber que Damon não tinha, realmente, saído da Phoenix com tanta facilidade, e o melhor, que o fato dele ter ficado lá 3, 4 ou 18 meses não ter sido uma tentativa de criar algum impacto sobre o fato.
Além disso, a confusão entre os mundos fez do clímax do episódio algo grande e ainda mais intrigante: o que falta para Damon conseguir sair da pedra? Afinal, como já dito, a redenção perante Mama estaria em sintonia com o que a série vem apresentando, então, o que seria maior que isso? Qual inferno ele ainda precisa vivenciar? Ou melhor, qual a real saída para a pedra? Será que falta suco suficiente para BonBon, sozinha, tirá-lo dali? Mas, se temos uma certeza, é a de que Damon não matou Bonnie e, muito menos, apunhalou Caroline, o que, em contrapartida, não retirou o impacto e a interdependência da cena com o contexto. E, enquanto TVD mantiver essa coerência com seu enredo, apostando na conexão dos acontecimentos para se fazer grande em seu clímax, preocupando-se com a maneira de contar sua história e não somente com a história em si, ela terá um fã pra defendê-la.
P.S.1: Damon fala tão incessantemente que cada um faz a sua cama, que mal posso imaginar o que acontece com quem nunca faz a cama. Tipo, nunca mesmo.
P.S.2: E Damon dizendo que a senhorinha desertora que o negava um prato de comida tinha um sorriso lindo? Falsiane.
P.S.3: Henry funcionou no episódio mais ou menos como aquelas tias esclerosadas que contam aquela história, todo Natal, de quando você cagou no bidê por engano.
P.S.4: E as namoradinhas? Tão dentro dessa granada tia, puxa o pino pra ver.
P.S.5: Eu, na vida, faço a cara das moradoras da casa quando quero esconder alguma coisa.
P.S.6: Amo a naturalidade com que a Bonnie lida com o nariz sangrando. Se fosse eu, já deitava e começava a cantar pra Deus: “Hello from the other siiiide”.
P.S.7: Cuide-se nesse carnaval. Não há magia que esconda os bebês por mais de nove meses.














