Sete temporadas e uma única premissa, mais que saturada.

Innocence ou Nosense? Agarrando-se a sua permanente condição de não digredir para manter-se linear, The Vampire Diaries, de novo, aposta na suposta inocência de seu público para vender uma história que, de fato, sempre será o alicerce da série. Não tem para onde correr, não há como se esconder: sempre haverá um triângulo amoroso à espreita, na surdina, pronto para, a qualquer tempo, embalado por uma trilha sonora pontual, dar o bote. E não há qualquer cerimônia para isso. Em dois episódios já sabíamos que Valerie, de algum modo, havia se relacionado com Stefan. E neste terceiro, com requintes de crueldade, fomos expostos à primeira vez que Stefan se adentrou numa gruta.

E eles foram mais longe. Não economizaram nas frases de efeito para nos vender que aquela rapidinha pós-balada do século XIX era algo que marcaria o casal para sempre. Aliás, não foi necessário mais que dez minutos de conversa para que eles soubessem que seria eterno. O velho recurso do amor à primeira vista. Quando se ama, uma fugidinha para o matagal funciona como uma suíte presidencial. A terra e as pedras daquela caverna estavam tão macias quanto lençóis de algodão egípcios e pedras swarovski. Bom, pelo menos foi isso que eles tentaram nos vender. E mais, tentaram colocar na perspectiva de quem vivia naquele século, para limitar os questionamentos e as comparações com os tempos atuais. Não teria como dar errado, não é mesmo? É, não teria como dar mais errado.

E a cada olhar de súplica de Caroline, a cada palavra do mais puro escárnio de Valerie, eu percebia que, ao contrário do que eu disse na review passada, o terreno dos relacionamentos em TVD nunca será sólido o suficiente para não ser abalado por um terceiro nada desinteressado. É um terreno já consolidado, seguro, cíclico, adubado de amor. A certeza limita, então é melhor não usá-la. E é nesse sentido que as portas para esse tipo de plot se abrem. Caroline começa a duvidar do que era certo – mas, ao mesmo tempo, nunca foi – e Stefan se declara a uma, enquanto espera, sentado, a outra, no mesmo banco em que, há anos, foi abandonado. Vai ter triângulo sim, e se resolverem xingar no Twitter vai ter dois. E se subirem a hashtag #Stelerie eu dou mais dois episódios para Bonnie não fechar os olhinhos quando Damon tirar a toalha.

Eu tive um professor que dizia que o casamento era como um barril cheio de estrume com uma finíssima camada de doce de leite por cima, de modo que você tem que ser ligeiro e cuidadoso para pegar o doce, além de não ser afoito para não mergulhar de cabeça no matrimônio. É mais menos o que acontece com esse tipo de plot da série. Mas, notem, por mais fina que seja a camada, há doce de leite: Valerie! Independentemente de qualquer triângulo, há muito mais rancor que amor nessa moça, e quem aqui já viu gente rancorosa fazer o bem? Ela não precisou sequer de correntes ou chutes para fazer de Caroline seu saco de pancadas nesse episódio. Além disso, ao que parece, a série não quer justificar o hoje pelo que aconteceu no passado, só quer mostrar que Valerie já experimentou os dois lados da moeda. Nas devidas proporções, Julian funciona para ela como ela funciona para Caroline. Se ela é vítima naquele caso, nesse ela é a predadora e, assim sendo, um fato não anula o outro.

Ademais, mesmo que pelos motivos errados, nós temos uma vilã que destoa de toda a áurea superprotetora que envolve os hereges, para, simplesmente, fazer valer o seu bem. Longe de ser uma vilã exclusiva de Caroline, Valerie encontrou em Julian a possibilidade de antagonizar toda família, sobretudo Mama Monster. Soma-se a isso a fofoca da discórdia que Stefan plantou em Mama ao questionar a lealdade dela. Eventualmente, Julian dará as caras e, de algum modo, a morte de Oscar será esclarecida, será aí que Valerie experimentará o limbo entre não estar de nenhum dos lados possíveis, o que abre, exponencialmente, as possibilidades de enredo.

Enquanto éramos remetidos aos fofos acontecimentos de 1863, Damon e Cia estavam em busca da solução para o problema do caixão desaparecido. Até o momento, não há muito que dizer sobre isso, pois a impressão que fica é que querem tornar a Phoenix o novo Messias na Terra, ressuscitando pessoas no 13° dia, sob o fajuto argumento de que muitos a querem, sem fornecerem os motivos para tanto. Querem-na para trazer um ente querido de volta? Ok. Mas e as consequências disso, além da ferida que abre com a aproximação do sujeito? Tudo a seu tempo.  De tudo que rolou, o que fica é que, com a morte de Oscar, a cotação da Bolsa Elena tá subindo no mercado. Hoje em dia está quase tão valorizada quanto o real.

No final das contas, embora tenha minado boa parte da esperança trazida pelo episódio anterior, sobretudo por deixar de desenvolver o enredo de todos os personagens, focando no onipresente triangulus amoristicus, esse episódio funcionou como justificativa para os próximos passos de Valerie, precipuamente, para entendermos as suas – inconsequentes – motivações. O resto, infelizmente, foi só resto.

P.S.1: Reveja suas prioridades.

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P.S.2: Consolando a amiga: Bon Bon, o Damon tacou a toalha pro Ric para não ficar muito óbvio que ele te quer. Até porque se ele tacasse a toalha na sua cara você não ia poder ver nada.”. Deus tá vendo.

P.S.3: E a caixinha de bailarina que toca uma doce melodia e depois explode na cara das inimigas? Quero!

P.S.4: Stefan bota fogo no carro todo. Ato último: tira o Diário. Não preciso praticar necromancia para saber que a série já pode mudar o nome para “Diários de um Triângulo”.

P.S.5: Quando eu vi o Tyler na tela, desejei que os três anos passassem beeem devagar. Quase parando.

P.S.6:

8 de abril de 2015: Michel Trevino deixa The Vampire Diaries e fará parte do elenco da nova série da ABC: “The Kingmakers”.

15 de Maio de 2015: ABC não aprova piloto de “The Kingmakers”.

Ah, tá.

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