Que tal deixarmos de lado nossa mania de levarmos a sério tudo que passa na TV como se fosse uma obra de Scorcese ou de Fellini. Este episódio de The Strain (“Silver Angel”) foi bem bacaninha, meus amigos, se assim considerarmos.
Um dos motivos para eu achar isso, é o fato de J. Milles Dale (o responsável pela direção do episódio) ter feito uma homenagem digna às produções de baixo custo e com roteiros risíveis que invadiram as tvs do mundo todo, especialmente da América Latina. O personagem do “Anjo de Prata” é uma representação bastante recorrente e de influência não somente no “pequeno cubo”, mas também no cinema. Talvez tenha perdido um “pouquinho” de tempo fazendo com que chegássemos à cena que deixa marcas do anjo com Jacó*, interrompendo a carreira do querubim. Além disso, há um subtexto muito claro na introdução de “Silver Angel”: vocês acreditam mesmo em vampiros? Sério que temos que ser primorosos em efeitos especiais? Venho dizendo desde que assumi os reviews que The Strain brinca com o fato de ser uma atração de terror, mas com uma índole completamente trash, sem seguir produções que evocam uma grandeza na arte final. Sim, o Mestre é bizarro (o elenco segue o rumo), os efeitos especiais são de baixo custo e parece até que eles estão contando uma história que afeta mais o submundo de Manhattan do que o restante do Estado de Nova Iorque.
Por isso, eu já cansei de perdoar discursos idiotas como da Dutch, que começa seu papo com Setrakian, dizendo que não tira da cabeça Eldritch… Ora, alemã, você não estava na verdade preocupada com sua amiga e foi até a casa da mãe dela no episódio passado? Não chegou chorando no carro e ainda promoveu um bola gato no caça-rato, com o perdão do trocadilho? Então que papo é este que o dono da Stoneheart não sai da sua mente? Então…
Aliás, por falar no empresário, os vampiros fizeram a festa com os “empresários” de NY. Depois de uma reunião pra-inglês-ver, eles caíram em cima dos caras de grana de Manhattan, tudo isso sob o olhar impávido de Palmer. Como se tivesse parte naquilo. Não acredito. Acho que foi Bolivar que seguiu as ordens do cada dia mais sumido Eichorst. Saberemos (ou não) o porquê de tanta sanguinolência.
Teve o Gus… E dele eu falo depois.
Enquanto isso o que restou da célula de combate aos vampiros-zumbis, ou se você quiser, Eph e Nora + Fet, estão tentando ver se o plano deu certo. E o moço (Fet) tava atacado. Discordante dos métodos de disseminação dos vampiros, pelo tempo que ele julga ser muito curto, Fet fez piadas do início do episódio até o fim. Desde brincar com o inglês com uma entonação “troglodita” (“I need food”) até fazer graça com os planos sequências cinematográficos de explosão, onde o mocinho não vê o resultado do espasmo pirotécnico criado por ele mesmo. Verdade que o “pum” que ele causou não deve ter causado maiores estragos na Carroll Station (que é aquele lixo mesmo que vocês viram no episódio), mas que foi engraçado foi.
Eph e Nora estavam ocupados em seguir a pista do vampiro contagiado pelo veneno contra o veneno. Vacina, se você preferir. Chegaram a conclusão que a senhorinha que morreu nos primeiros experimentos era esquizofrênica. Legal… Mas e daí? O resultado da observação foi que o plano funcionou. Funcionou tanto, que nossos herois chegaram à conclusão, que a cena de suicídio coletivo entre os strigois era um mandamento do Mestre, para evitar que eles chegassem até uma comunidade e pudessem erradicar todos os contaminados. Uma breve alegria entre tanta desgraça. Eph inclusive está empolgadíssimo com o fato e já quer ir até a capital federal para tentar somar forças e acabar de uma vez por todas com essa epidemia que apenas afetou a cidade da maça.
Como não poderia faltar… O moleque filho do Eph tinha que macular o equilíbrio do episódio. Nesta de recuperar a afinidade entre os dois, Eph leva Zach para matar a saudade do beisebol. E o guri consegue ser sacal em qualquer ambiente, em qualquer cena, em qualquer fala. Com uma cara de que comeu e não gostou (a gente também não), ele termina a sombria sequência desistindo da brincadeira e a gente desistindo dele. Sinceramente, peço aos roteiristas que lêem o Seriemaníacos: ou matem Zach ou leva ele pro colo da mãe que lhe dará bom cuidado!
Eu não queria comentar…. Mas por questões profissionais preciso falar sobre isso.
Alguém sabe o motivo, razão, circunstância pela qual o personagem que retrata o Setrakian mais novo – e interpretado pelo ator Jim Watson – precisa ser uma espécie de caricatura de si mesmo no passado? As pessoas mudam! O que impede do mesmo ser caracterizado de forma natural? Até o sotaque é forçado. Caímos no primeiro parágrafo de não levar a produção a sério… No entanto é preciso fazê-lo com alguma harmonia e não como se estivéssemos assistindo uma produção qualquer. Para continuar: a ligação dele com Eldritch e o fascínio pelo tal deste livro não justifica tanto tempo de cena com os dois. Não funciona, não funcionou, mas para eles parece necessário. Não foi ruim, mas poderia ter sido muito melhor.
E tivemos o lindo do Gus…
O “chicano” não é Al Pacino da interpretação, mas calha que suas cenas são sempre legais. Que tal a possessão pela qual sua madrezita passou e trouxe um diálogo bem LEGAL (dando provas que quando os caras querem, eles acertam MUITO)? Confrontando-o como um demônio que conhece seus pecados, o Mestre “cavalou” dona Guadalupe, jogando na cara de Gus que era hora de desistir desta luta inglória, pois ele estava sozinho. Em um primeiro momento deu pra crêr que realmente o moço parece ter desistido da missão e ao mesmo tempo esteja perdido quanto ao que fazer. Gosto muito da ideia do personagem, por ser o mais simples, com menos informações sobre o que está acontecendo “na real”.
E teve o encontro do sr. Fritzwilliam (troca este sobrenome, meu filho) junto com Setrakian e Dutch. Tipo assim: tá, ok e onde vamos? Parece que existe uma preguiça que emana de quem prepara as cenas… E aí temos um personagem dizendo o seguinte (entre outras palavras): “Você ainda não largou Palmer, por isso não mudou de ideia… Mas na verdade já mudou”. What?
De todo jeito não serei chato a ponto de achar que “Silver Angel” não foi um episódio legal. Se levarmos em consideração que muitas vezes não há nada que possa se levar em consideração, fica muito melhor assistir. Com um suco/refri/cerveja na mão e a cabeça vazia, porque se for parar para pensar…
* Jaco é um personagem bíblico. Em um dos relatos religiosos, o hebreu lutou com um anjo e saiu derrotado. Como marca do seu combate, teve uma lesão permanente no joelho.















