Após a exibição de “The Third Rail” algumas coisas ficaram claras para mim, dentre elas, uma que não pareceu óbvia nos episódios que seguem irregulares: The Strain não é apenas uma série sobre zumbis, mas como reagem pessoas comuns, com suas histórias ordinárias, diante de algo absolutamente surreal. Só isto pode explicar a lentidão dos últimos episódios e este não foi muito diferente.

O núcleo latino ou o que sobrou dele, ao menos na TV, está parecendo uma “desculpa” para que possamos ver Gus em pequenas pílulas durante a série. Sendo bem honesto, este episódio demonstrou um desequilíbrio na hora de fazer uma geral nos personagens. Começo a duvidar da capacidade dos caras na hora de administrar o que possuem. Depois volto neste assunto.

Conforme foi mostrado, paulatinamente, o caos está instaurado, pelo menos no Harlem. Não por acaso periferia de Manhattan, espaço mais pobre da Big Apple. A grande questão é que esta crise vivida pela cidade está parecendo teatro com pouca grana: bons cenários e pouca convicção de que tudo está de cabeça pra baixo. É preciso mostrar mais do que saques para sermos persuadidos de que sim, os vampiros estão vitimando mais e mais pessoas a ponto de comércio, hospitais, escolas e tudo aquilo que encontramos em uma grande cidade não suportarem uma invasão nesta esfera.

Me lembrou bastante o primeiro filme do Thor (2011) onde a gigantesca e mitológica Asgard foi retratada pelo diretor Kenneth Branagh com todo sua suntuosidade e riqueza mas parecia uma cidade fantasma. O mesmo acontece em The Strain onde Nova Iorque tem uma população pífia e que só aparece em takes de trânsito na 5th Avenue ou no Brooklyn Bridge, muito pouco para uma metrópole.

E você deve estar se perguntando: o que acrescentou em “The Third Rail”, a busca insana de Zach pelo maço de cigarros para mamazita querida, chata pra diabo, com seu Alzheimer? Se fosse um filme que retratasse o drama das pessoas que sofrem deste mal, tudo bem, mas não é o caso. Por isso, ratifico: não crie grandes ilusões sobre The Strain e descontinue as comparações sem pé e nem cabeça com Fringe porque a série de (Guillermo) Del Toro é uma mescla de novela mexicana mal feita com bons momentos de terror.

A dinâmica deste episódio deu sono e embora eu não tenha visto como foi a audiência, deve estar quase matando cachorro a grito. A lentidão – que muitas vezes é quase um elemento narrativo – não colabora com a sinopse, pelo contrário, desmotiva.

Por isso, não entendo a total falta de atenção dada à Gus. Após onze episódios, a construção do núcleo, seu desmantelamento e a consolidação do ‘chico’ para se incorporar à Legião Anti-Sanguessugas, está para lá de devagar. Talvez tenha feito muito mal ao canal FX a renovação veloz para segunda temporada. Timing ruim. Estou bastante confortável para dizer isso, pois até metade dos episódios exibidos eu estava bastante empolgado. Houve uma enorme mudança na pegada. Sem contar que 80% do elenco não ajuda…

A peregrinação de Eph, Nora, Setrakian e Fet dentro das galerias subterrâneas da cidade teve bons momentos e outros inacreditavelmente mal feitos. Como fica evidente que Corey Stoll não está confortável no papel. Ele vai de 0 a 10 em níveis de comprometimento com o personagem. Se em um momento está completamente indiferente às circunstâncias que o cercam, em outro take aparece gritando desesperado… Sem empatia, sem um bom texto e quase sempre piegas. Não sei de quem foi a ideia de escolhê-lo para o papel principal. Seja quem for, deve ser um grande amigo (ou agente) do ator. Muito fraco. Até mesmo David Bradley estava insuportável neste episódio, quando a todo custo, queria se livrar do Mestre. No entanto, sempre quando chega perto de seu maior oponente – e ainda na mente com o fato de ter construído o habitat do vampiro sob pressão – sente uma dor no peito, demonstrando fragilidade. Mais uma vez quem salvou a cena foi Vasily, que pragmático, lançou mão da sua bugiganga de luz e afastou, não só o Mestre, mas todos os outros seguidores. É dele o prêmio de melhor papel faz tempo.

Não podemos deixar de comentar…

A cena em que o nosso heroi, Vasily Fet, sai de uma espécie de buraco de rato foi um dos maiores foras da série desde o seu avassalador início. Fica muito claro para todo mundo que está assistindo o episódio, que o corpo do ator Kevin Durand teria muita dificuldade para passar por aquele espaço. Quando iríamos ver o ‘mata-ratos’ saindo do buraco, a cena é filmada de longe! Como assim, rapaziada? Merecíamos ver o lance genial que obrigou Fet a sair (literalmente) correndo do buraco antes que fosse alcançado. Confiram no replay!

Também comecei a pensar se a história se sustenta por duas temporadas por mais ambiciosos que sejam os planos de Eichorst…

Uma coisa seja dita: dá pra identificar que a referência de terror dos diretores é o trash, portanto dentro da estética escolhida, não dá para exigir grandes diálogos, além dos óbvios. A premissa é assustar com o bizarro, o problema é que esta missão não está sendo cumprida, porque uma vez habituados aos zumbis-vampiros perdemos completamente o medo.

E pra terminar… Por que cargas d´água a mãe de Gus não abriu o bocão para tentar sugar o filho? Amor de mãe?

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