Sobre batalhas internas.

Nessa semana The Shannara Chronicles resolveu voltar ao ritmo bem construído quebrado pelo episódio passado e tratou de acelerar a trama para a finale, no próximo episódio. Interessante notar que as batalhas na verdade foram internas, já que os conflitos externos acabaram ficando em segundo plano. O foco foi bem definido e as tramas foram bem desenvolvidas deixando tudo armado para a batalha que vem sendo anunciada desde a première.

Em Arborlon, Ander teve que dar cabo de uma possível revolta encabeçada pela chanceler Kael. A iminência de uma possível guerra civil poderia ser a derrota antes mesmo de o exército demoníaco bater aos portões da cidade. O herdeiro de direito até foi preso, mas conseguiu dobrar os insurgentes ao firmar a aliança com os gnomos, agregando 5000 novos guerreiros ao esforço de guerra. Num esforço mais interno se encontra Bandon. Mesmo liberto, a influência de Dagda Mor continua presente e o “novo” druida pode se tornar uma arma dentro dos muros da cidade. O elo de ligação entre essas duas tramas foi Allanon que continua como uma espécie de guia, mas que nesse episódio me pareceu que os planos do druida não param por aí. As camadas de intenções do personagem me fazem desconfiar das reais intenções. A mudança de foco do mesmo também não desperta confiança, mas talvez só vejamos isso numa (possível) segunda temporada.

Já no trio de protagonistas a batalha foi, de certa maneira, entre os egos de cada um. Wil, Amberle e Eretria finalmente chegaram ao Sepulcro, com a ampulheta da Ellcrys praticamente zerada, visto que a última folha caiu e Dagda Mor foi liberado da prisão. A jornada até o ponto de destino até que não foi tão difícil assim, visto que só tinham uns trolls dorminhocos nos túneis. O que realmente chamou a atenção foi mais uma vez o protagonismo de Eretria na missão. Fiquei em dúvida se seria metafórico ou físico o paralelo de ser a chave e o receptáculo da semente do Ellcrys, mas ela literalmente deu a vida pela missão. Além disso a conexão imediata da nômade com o ambiente mostra que a alcunha de “Criança do Armageddon” tem muito ainda para render. O passado da garota ganhou muito mais importância. As guardiãs do Fogossangue até que deram trabalho, mas algumas rajadas das Pedras Élficas de Wil e elas evanesceram.

Agora o garoto que até agora vinha sido levado de bagagem de Amberle e Eretria finalmente tem a chance de provar que não é somente um peso morto na equipe. Com Amberle sugada pelo Fogossangue e Eretria (praticamente) morta, talvez seja a chance de ele mostrar a importância da herança recebida. O foco fica então agora na batalha entre elfos (e aliados) contra os demônios. Temos uma semana até a finale e veremos se tudo se resolverá (no ritmo sônico típico da série) ou se vai se expandir para uma segunda temporada. Até lá!

Glossário das Quatro Terras

Criança do Armageddon: é o nome de uma das prequências/ sequências dos livros originais da saga Shannara. Se situa aproximadamente no ano de 2100, no começo do conflito que desencadearia a primeira grande guerra. Faz parte do conjunto de livros que conta a gênesis do mundo de Shannara.

Folhas do Ellcrys 1: Interessante o nome Sepulcro (Safehold, no original) ser uma brincadeira com uma placa de transito com o nome de San Francisco;

Folhas do Ellcrys 2: Outra sacada interessante é que o Sepulcro é localizado numa igreja antiga;

Folhas do Ellcrys 3: Curti muito os efeitos do sangue de Eretria;

Folhas do Ellcrys 4: Esperei um “You shall not pass! ” de Allanon na luta com Bandon.

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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.