Os problemas conjugais e centrar a trama em um casal não é algo inédito, no entanto aqui se trata de um casal de Romanoffs. A realeza e o sangue azul da família real russa tiveram, novamente, impacto em um dos seus. Acompanhamos, então, Michael (Corey Stoll) e Shelly Romanoff (Kerry Bishé).

Em nenhum momento o enredo teve a intenção de esconder os problemas do casal protagonista, logo escancararam que o casal tinha muito o que trabalhar e, mais importante, os dois reconheciam isso; ponto do qual utilizaram a terapia de casal pra nos indicar. Prontamente pode-se perceber que Michael não parecia muito disposto a consertar seu relacionamento ou até mesmo a viver. Em contrapartida, Shelly parecia bem consigo mesmo tanto pessoal quanto profissionalmente.

Michael, o Romanoff da vez, não conseguiu causar empatia ou fizesse com que o telespectador gostasse dele. De certa forma, não pareceu digno de ser um descendente dos Romanoff, muito menos digno de protagonizar um episódio em qualquer série. A apatia do protagonista foi comprovada em todos os plots que o envolviam.

Apesar dos problemas em seu casamento, Shelly tentou inovar e trazer atividades que pudessem despertar em Michael a alegria que ela sentia, a satisfação sentida em quase todos os âmbitos de sua vida. O cruzeiro da história dos Romanoffs, só para relacionados, foi uma ideia espetacular da qual Michael não deu a mínima.

Shelly demorou a querer se desprender de seu peso morto marido, mas sua viagem ao cruzeiro Romanovs foi o que precisava para impulsionar o que ela poderia ter se só deixasse ele ir. A decisão de Michael em ficar para o júri de um julgamento de assassinato foi, no mínimo, duvidável e em nenhum momento sua esposa conseguiu refletir sobre a insistência dele em passar todo tempo possível longe dela.

O engraçado é que mesmo descontente e reclamando sobre as decisões de Shelly, como, por exemplo, a hora de dormir, Michael não mostrou vontade de se posicionar ou de tentar algo que o agrade. O personagem foi o típico reclamão inerte, que tem como hobby a reclamação ao invés de agir para sua própria satisfação.

As partes com Shelly foi o que compensaram o episódio, a maioria foi impecável e envolvente. Com Ivan no cruzeiro Romanoff, além de desenvolverem melhor a personagem, conseguiram contrapô-la muito bem com Michael; tanto em caráter quando em personalidade. O pequeno caso de Michael foi simplesmente patético, reflexo do homenzinho que o personagem mostrou ser desde sua primeira aparição.

E, finalmente, o desfecho não foi algo tão inesperado, mas conseguiu aplicar um plot twist que satisfez bastante. Com a rejeição, Michael não consegue deixar todos os seus fracassos enterrados, como antes fazia, e tenta armar contra Shelly como se tivesse disposto a tentar reparar a desastrosa relação, mas não contava com a destreza da Mrs. Romanoff.

O toque de humor na tentativa de assassinato combinou muito bem com tudo o que desenvolveram nesse episódio, ainda mais terminando em spray de pimenta. Algo soou poético com o ditado “pimenta nos olhos dos outros” que até Shelly ficou satisfeita em sua represália pelo seu quase homicídio. E provavelmente viveu feliz, enquanto Michael continuou o homenzinho patético de sempre.

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Notas do Czarevich:

  • A forma sutil em que constroem uma história de um descendente Romanoff e relacionam apenas pequenos detalhes da família real é o toque especial que uma antologia do tipo precisava;
  • Mais uma vez, uma não Romanoff é a estrela do episódio. Shelly não surpreendeu ao roubar a cena, ainda mais competindo com o apático Michael;
  • A participação de John Slattery foi bem discreta, porém deixa grande expectativa pra quando ele for o foco de um dos episódios.
REVISÃO GERAL
Nota:
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