The Originals entra em sua reta final apresentando o pior episódio da temporada até então. There in the Disappearing Light definitivamente representa tudo o que nós temíamos desde a morte de Hayley: Julie Plec não apenas continua matando personagens sem critério ou nexo algum (muito menos respeito com suas memórias e relevâncias na história), bem como a própria trama da série mostra-se cada vez mais pobre, inadequada para o seu último ano, sem essência e rumo. O quinto ano tinha todos os elementos necessários para fechar TO com chave de ouro, no entanto, a pressa em finalizar todas as narrativas sem deixar buracos no caminho, a ausência de lógica nos eventos apresentados e a falta de cuidado em dar um desfecho digno para todos os núcleos, demonstram que o series finale tem tudo para ser decepcionante, sem o mínimo de planejamento. Com todas essas decepções em mente, surge a pergunta inevitável: será que The Originals ainda tem salvação?
Vamos ser sinceros uns com os outros? O último ano não parece mais uma despedida dos Mikaelsons, uma família que acompanhamos e amamos desde The Vampire Diaries, mas sim uma temporada inteira com o objetivo de favorecer Legacies (algo que, com base nas opiniões do fandom, na queda da nula popularidade de Danielle Russell e na semelhança com X-Men divergência com a mitologia de TO, já está fadado ao cancelamento antes mesmo de sua estreia), apenas para alavancar o spin-off de Hope, sem o mínimo de respeito com Klaus e os outros. Eu estava verdadeiramente empolgado com essa temporada, criei diversas tramas na mente com relação ao último ano e, infelizmente, nada do que eu desejei veio a acontecer (pois é, pessoal, a nada mole vida dos fãs). Tudo estava andando de forma aceitável (apesar de uns descontentamentos aqui e ali), até, é claro, a morte de Hayley.

Confesso que fui um dos primeiros a dizer que a morte de Hayley, uma das protagonistas de TO, traria mais realidade à série, que poderia simbolizar um passo importante que The Originals deu poucas vezes em sua história até hoje, um tom sombrio que cairia bem com sua mitologia (mais alguém sentindo falta da titia Dahlia ou de Esther e Mikael?). No entanto, o que veio após isso não passa de um amadorismo sem fim, digno de uma novela mexicana (nada contra, ok?) e totalmente divergente do que a série já foi nos seus tempos áureos, em seu início ou ao fim da terceira temporada, quando Hayley cumpriu um papel essencial na sobrevivência dos Mikaelsons. A morte de Hayley tinha a obrigação de despertar o pior em cada personagem, pondo um fim ao amolecimento de suas personalidades, trazendo à tona o lado monstro que Klaus e os outros não apresentam há tanto tempo.

Ao invés disso, estamos vendo Hope, a personagem com mais potencial em se tornar a antagonista que a temporada final tanto precisa, tornar-se cada vez mais infantil, enquanto sua família desfila por Nova Orleans como se nada estivesse acontecendo, permitindo que seus inimigos matem seus entes queridos e façam o que bem entender pela cidade. Porque diabos Marcel, o antigo rei de NO e híbrido “ancestral”, os Mikaelsons, os vampiros mais temidos da história, que já mataram incontáveis humanos, lobos e vampiros ao longo dos séculos, ou até mesmo Vincent, o líder da facção bruxa, permitiram que Emmett e seu grupo (medíocre) fosse tão longe na temporada, deixando corpos de diversos personagens importantes no caminho? Que sentido há nisso, afinal? É uma pena, pois isso só mostra o quanto a morte da Hayley foi tão insignificante, feita apenas com o objetivo de chocar o fandom.
Bem, começarei a explicar o motivo de ter odiado o episódio. Vamos por partes, então? Em We Have Not Long To Love, Hope percebe que, ao machucar quem lhe fez mal, a magia negra de Inadu, presente em seu corpo, perde força e toda a dor que ela sente some momentaneamente. Agora, em There in the Disappearing Light, Klaus está disposto a tudo para minimizar a influência do Hollow em sua filha e diminuir sua dor, mesmo que isso lhe custe a humanidade que Cami tanto lutou para alcançar. Apesar de insatisfeito com o retrocesso do personagem, que vinha evoluindo e se aproximando cada vez mais do seu lado humano, é interessante ver até onde Klaus vai por Hope, vendo que Elijah está certo: a caçula Mikaelson é a bondade que eles nunca tiveram e que sua luz não deve ser infectada pela escuridão.

Mas a partir daí surge a pergunta que não quer calar: se Hope está tão poderosa como a trama diz, por qual motivo eles não usaram-na para matar o grupo de Greta antes que todas as tragédias acontecessem? As mortes de Lucina, Josh e Ivy, por exemplo, poderiam ter sido evitadas se Hope estivesse envolvida diretamente no campo de batalha ou até mesmo Klaus e Elijah. O roteiro prefere deixá-la chorando pelos cantos ao invés de exaltar a sua força em cena. No entanto, utilizá-la para matar Emmett e os outros aos quarenta e cinco do segundo tempo, após tantas mortes desnecessárias, perde todo o impacto. Foi empolgante ver a magia negra de Inadu emanando do corpo de Hope para matar aqueles vampiros indesejáveis, mas isso podia ter sido feito antes na temporada, dando espaço para que a sua evolução como vilã fosse construída com calma e sem atropelar outros personagens no caminho.
E por falar em personagens atropelados, o que dizer da injustiça cometida com Josh? Para começo de conversa, o episódio em si já iniciou de forma errada: por qual motivo Marcel foi sozinho para o covil de Emmett? Por que ele não se reuniu com Klaus, Elijah, Josh ou até mesmo Rebekah (que já me cansou de tanto sumiço) antes de sequer cogitar ir ao local? Isso simplesmente não combina com a personalidade de Marcel, que sempre agiu de forma racional, como um verdadeiro estrategista. Em segundo lugar, em que mundo o híbrido seria derrubado tão facilmente por poucos inimigos? Até mesmo Josh (não diminuindo sua força, claro) matou o bruxo de Emmett com certa facilidade, então por que Marcel, o antigo rei de Nova Orleans, não conseguiu? Eu lhes respondo: pois Julie Plec, em mais um ato de insanidade, queria matar Josh, mais uma minoria da série, de qualquer maneira.
A morte dele foi tão gratuita e sem nexo algum, mas tanto, que até mesmo os roteiristas se queimaram ao deixar escapar a seguinte frase de Klaus: “Marcel, reúna Josh e alguns vampiros para limpar essa bagunça”. Se existiam outros seres da noite de Nova Orleans que estavam do lado de Marcel, por que eles não foram convocados pelo próprio híbrido ou até mesmo Josh para derrotar Emmett? Que outro motivo há para matar Josh, senão a extrema necessidade de Julie Plec em favorecer os personagens masculinos, sobretudo Elijah e Klaus, em detrimento dos femininos e gays, tão escassos no show? Entendo apenas que esse infelizmente é um padrão da CW: tivemos nomes como Lexa (The 100), Hayley (TO), Mary Louise e Nora (TVD), Charlie e Ellen (Supernatural), Laurel (Arrow), bem como Lucina, Ivy, Camille, Josh e Aiden, tantas minorias descartadas sem o menor motivo.

É claro que, além do preconceito e da vontade de ignorar a importância dos coadjuvantes numa série (Rebekah foi excluída e era tão relevante quanto os irmãos), existe outro problema na morte de personagens como Josh: Julie Plec tem preguiça de escrever destinos dignos para cada uma de suas criações no show. Ao invés de diminuir o tempo de um vilão medíocre, como Greta e Emmett, ou cenas desnecessárias a essa altura do campeonato (alguém me explica o motivo de dar espaço para Declan, tornando-o vampiro, apenas agora, sem o devido tempo para aproveitá-lo?), a criatura prefere a maneira mais rápida: não desenvolver as histórias, personalidades e motivações de seus coadjuvantes, optando por matá-los sem piedade. Para quê enriquecer a trama com elementos paralelos aos Mikaelsons, mas que são tão necessários quanto eles, se eu posso simplesmente descartá-los, não é verdade?
Apesar disso, há pelo menos algo interessante a se comentar sobre o episódio. There in the Disappearing Light abordou novamente os Ancestrais, um elemento importante da facção bruxa que ficou esquecido desde a cena em que Davina pôs um fim à conexão dos espíritos com o mundo real. Na época, a bruxinha fez o caminho inverso de Vincent, os Ancestrais não poderiam mais acessar os bruxos de Nova Orleans. Agora, a fonte de magia do poço ancestral, que consistia em sugar a essência dos mortos ali aprisionados, foi esgotada, liberando todos os espíritos que foram utilizados como arma pelos vivos durante séculos. Mas o que isso pode significar para os próximos episódios? A essa altura do campeonato não podemos esperar muita coisa, mas acredito que isso vai além de dar paz à Ivy e os outros, ainda acredito que nada é introduzido por acaso na série.
Decepções à parte, precisamos discutir sobre os três últimos episódios e, principalmente, Hope. O que Julie Plec guardou para os momentos finais de The Originals? Restando aproximadamente 126 minutos (levando em conta o tempo de 42m, a duração padrão da série), ou seja, pouco mais de duas horas, o que resta para ser contado? Até então temos alguns elementos confirmados: o casamento de Freya e Keelin ocorrerá na próxima semana (o que explica a ausência das duas no décimo); teremos o retorno de Kol e até, quem sabe, Davina e Rebekah (o que pode representar um desfecho para Marcel, finalmente reunindo o casal); e, no penúltimo episódio, o piloto de Legacies, que trará Caroline e Alaric para TO novamente. Será que a morte de Emmett finalmente demonstra o compromisso do roteiro em focar no que verdadeiramente importa?
Ou será que os próximos episódios trarão novas mortes impactantes e tristes, mas extremamente desnecessárias? E o mais importante, até quando Inadu continuará sem aparecer por completo, definitivamente tomando o controle de Hope? A caçula Mikaelson ainda não se transformou em lobo, tendo em vista que a série não apresentou lua cheia até o momento, mas ao ativar a maldição, é uma questão de tempo até que Hope assuma a sua segunda essência. Seria esse o indício de que a trama finalmente irá se desenvolver, entregando o tão aguardado momento em que ela será a vilã e enfrentará sua própria família? Quais são suas apostas?
Bem, isso é tudo, pessoal. Espero que tenham gostado (da análise, obviamente, já que There in the Disappearing Light em si foi tão péssimo que continuo revoltado até agora). Aguardo vocês em Til the Day I Die, o décimo primeiro e antipenúltimo episódio da série. Nos vemos na semana que vem!
Curiosidades:
Josh e Aiden

Josh apareceu pela primeira vez em House of the Rising Son, o segundo episódio da temporada de estreia de The Originals, enquanto Aiden, seu namorado, surgiu em Live and Let Die, no início do segundo ano de TO. Extremamente queridos pelo fandom (eu amava os dois, confesso), eles foram o primeiro casal gay a aparecer cronologicamente na história de TVD e TO (além deles, tivemos o relacionamento de Nora com Mary Louise, em Vampire Diaries, e Freya com Keelin, em The Originals, por exemplo). Aiden morreu pelas mãos de Dahlia e Josh, pela estupidez de Julie Plec. É uma pena ver o quão insignificante as personagens femininas e os gays são para os produtores de ambas as séries, mas, pelo menos, o final trouxe-nos a emocionante cena do reencontro de Josh e Aiden, deixando no ar a mensagem de que o amor verdadeiro nunca morre e supera qualquer barreira. Seria essa uma dica de uma possível aparição de Hayley até o series finale?
Destino de Elijah
Mais alguém estranhou as frases ditas por Elijah no final do episódio?
“A estrada para a redenção é longa e sinuosa, mas digna” e “se houver uma próxima vez.”
– Elijah Mikaelson.
O personagem direcionou a primeira para o grupo de Emmett, mas ela se encaixa perfeitamente nele mesmo e até em Antoinette/Roman. Os últimos integrantes da família Sienna provavelmente não retornarão, tendo em vista que ambos se redimiram (no ponto de vista da série, pois eu não perdoei ninguém), mas e Elijah, será que esse ato pode diminuir o seu envolvimento com a morte de Hayley e simbolizar a sua redenção? No entanto, e se a morte for a sua única forma de salvação? A meu ver, seu destino já está traçado: Elijah morrerá para salvar Hope e a família, reencontrando Hayley no pós-morte, exatamente como Josh e Aiden. O que vocês acham dessa possibilidade? Parece justo com o casal?
Segredo de Josh
Alguém arrisca qual foi o conteúdo da fala de Josh para Marcel em seus momentos finais de vida? O que ele poderia ter dito ao híbrido: a situação que Declan se encontra após a hipnose de Elijah, talvez? O que vocês acham?
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