
No piloto de The Newsroom, Mackenzie diz que os Estados Unidos não são o melhor país do mundo, mas poderiam sê-lo. Semanas depois, como produtora, ela ratifica o “2.0”. Por vezes eu disse ano passado que a série de Aaron Sorkin não era a melhor série da TV, mas que poderia sê-lo. Quase um ano depois, Sorkin nos apresenta a “The Newsroom 2.0”.
Spoilers Abaixo:
Brincadeiras à parte—já que não foram as minhas ressalvas aquelas lidas por Aaron Sorkin—a crítica estadunidense fora bastante contundente ano passado. A grande surpresa reside no fato de que ela fora ouvida. Eu me senti bastante ouvida também e ficou claro, pelo menos para mim, os esforço em resolver grande parte dos problemas que a temporada passada apresentou.
As personagens amadureceram, o humor ficou mais sutil e eficaz, a vida daquelas personagens passaram a ser tão importantes quanto os ideais que Sorkin deseja convir e—o mais importante, na minha opinião—nós começamos a ver as consequências do “2.0” e que as coisas não mudam só porque a gente decidiu que. Em First Thing We Do, Let’s Kill All the Lawyers, Cyrus West, um especialista em aeronáutica, meio que ecoa a fala de Will do piloto (“Vocês são a pior ponto geração ponto de todas ponto.”) e Sloan tenta interrompê-lo dizendo que as coisas não são tão simples assim. Sorkin fez a sua lição de casa.
As mudanças começam logo na abertura. A anterior era grandiloquente, mostrando os jornalistas cheios de integridade do passado, juntos com imagens da equipe do News Night noticiando coisas importantes ao som da trilha épica de Thomas Newman. Agora, a música é mais modesta, as imagens dos jornalistas de outrora se foram juntos com o panorama do News Night para nos concentrarmos nos detalhes: o café entornando, a cortina se mexendo depois que alguém corre, pessoas assistindo às notícias. O foco agora é claramente no dia-a-dia do “2.0” e nas suas consequências, e não no “2.0” em si. Um voto de confiança no espectador, que vai conseguir refletir sobre o que está vendo sem que lhe seja dada a opinião de Sorkin mastigada.
A comédia funcionou bastante para mim. Sloan com o papel em branco, Mackenzie falando mal da equipe de Washington, Will não se lembrando de Jerry Dantana e cantando Rebceca Black foram cenas pequenas e engraçadas na medida certa. A série como um todo ganhou um ar mais sóbrio e menos estridente. Os gritos foram embora, e quando Jim pede para cobrir a campanha de Mitt Romney por motivos pessoais, Mackenzie fecha a porta. Na primeira temporada, essa cena teria sido um concurso de gritos no meio da sala de controle.
Aliás, o quinteto amoroso—em ordem alfabética, Don, Jim, Lisa, Maggie e Sloan—melhorou tanto que as personagens mal pareciam as mesmas e se não fosse o vídeo no YouTube de Maggie, eu teria conseguido esquecer de todos os defeitos que essa história teve. O término entre Don e Maggie ficou entre os momentos fracos do episódio porque vimos a Maggie descontrolada do ano um, e não a Maggie madura tentando resolver seus problemas com Jim.
Mas eu acredito que as arestas que ainda precisam de aparo serão aparadas em breve. O mais difícil foi feito: juntar saltos extensos de tempo com flashforwards sem que a história fique confusa e transformar Neal num personagem decente. Na verdade, eu acho que os flashforwards foram a decisão mais acertada, pois eles trouxeram uma coesão até então inédita para a série.
Um último exemplo do quanto a série evoluiu foi Charlie ter afastado Will da cobertura do aniversário do Onze de Setembro e ainda retirar o nome do apresentador do nome do programa e essa decisão não ter vindo dos Lansing. Will chamou o Tea Party de Talibã Americano e a consequência disso não é apenas a AWM perder dinheiro. Reese e Leona estão menos maniqueístas e isso é um ganho e tanto para a série.
Will ficou calado no painel dos ataques ao Paquistão para se proteger e proteger o canal. Foi uma decisão difícil e ninguém nos disse que ela foi difícil. Nós vimos. Que The Newsroom 2.0 continue assim: mostrando, não dizendo.
Outros pontos:
– Ajuda temporal: os depoimentos conduzidos pela advogada acontecem mais ou menos em outubro de 2012. O restante do episódio acontece no “presente”, em agosto de 2011, duas semanas depois do final da primeira temporada.
– Aparentemente, a inspiração para o arco sobre a Operação Genoa veio de uma história real que aconteceu com CNN que divulgou detalhes da Operação Tailwind.
– Embora eu esteja ansiosa pelos desdobramentos de Genoa, eu preciso dizer que eu teria gostado mais da história se um personagem regular fosse o responsável pela bagunça. O pobre Jerry Dantana (Hamish Linklater) chegou na série só para ser o culpado.
– No geral, eu senti que enquanto as personagens antigas evoluíram, as novas chegaram com alguns dos problemas que víamos nas antigas ano passado. Torço para que essa impressão fiquei apenas na première.
– Não sei se notaram, mas acabaram com as coincidências bizarríssimas de todo membro da equipe ter um amigo ou um parente distante disposto da vazar informações relevantes para que o News Night entregue a notícia da melhor maneira possível. Neal, por exemplo, foi até a reunião do Occupy, como um jornalista faria, acredito.
– Um outro paralelo interessante com a primeira temporada reside ainda em Cyrus West. Ele foi um convidado republicano que “deu errado” assim como a loira-burra, o maluco por armas do episódio News Night 2.0. Só que dessa vez, a coisa foi benfeita. Sentiram a diferença?
– O guarda-costas e o terapeuta desapareceram. Em duas semanas, Will resolveu seus problemas emocionais e a seguradora já não acredita mais que ele corre algum perigo.













