Will abriu o novo episódio de The Newsroom com um pedido de desculpas. Para sua audiência, as desculpas se referiam à postura do jornal. Mas serviu para mim como um pedido de desculpas pelo episódio descartável de semana passada, com uma promessa de melhora.

Spoilers Abaixo:

Mas (e por enquanto, The Newsroom sempre tem um “mas”) o pedido de desculpas foi um tanto pedante. Comparar-se com o governo americano pedindo desculpas pelo 11 de setembro não me parece a melhor maneira de se pedir desculpas. O que se seguiu após o pedido de desculpas foram seis meses, esquematizado de maneira muito interessante e envolvente durante uma hora de episódio. A estrutura foi uma maneira inteligente de contar uma história que poderia ficar chata e repetitiva se disposta num arco maior de episódios: as eleições para o Congresso americano, permeada por uma discussão sobre o Tea Party que eu escolho não comentar por não entender muito bem do assunto. Só comento que a política dessa vez foi bem mais equilibrada, mesmo indo novamente de encontro a ala mais conservadora do partido republicano.

O salto, em minha opinião, evidencia que a série será mesmo similar a um procedural drama, com uma notícia em foco por episódio. Por isso, mais saltos no tempo devem estar a caminho. Mas (e lá vem ele de novo), esse salto no tempo de seis meses, apesar de bem executado, veio cedo demais, prejudicando algo que tinha potencial: o desenvolvimento da redação de News Night, profissionalmente e pessoalmente. A série deixou de trabalhar elementos importantes e não deu tempo para construir e dar credibilidade a esse ambiente harmonioso que o episódio insinuou, culminando na cena da turma reunida no karaokê.  Ignorou pontos essenciais, como a tensão e os conflitos criados nos primeiros episódios, a equipe iniciante amadurecendo e criando laços, a adaptação de Will e Mackenzie trabalhando juntos, Jim e Neal se tornando cúmplices, etc. Enfim, pareceu artificial e prematuro, mas foi uma escolha criativa que nos leva a novos conflitos e questões.

Enquanto avançava no tempo, ele nos mostrava fragmentos do presente, no qual acompanhamos as consequências dos novos rumos que o programa tomou. A escolha de condensar seis meses em sessenta minutos fez ainda mais sentido quando sobreposta com a reunião entre Charlie, Reese Lansing (Chris Messina) e Leona Lansing (Jane Fonda). Reese, que até então me parecia inferior a Charlie, é na verdade o presidente do canal, enquanto Leona é a presidente da empresa dona do canal, a Atlantic World Media.

Ousadia deixar Jane Fonda calada por quase o episódio inteiro, mas funcionou maravilhosamente. Will passou seis meses criticando pessoas que agora venceram as eleições para o Congresso. Essa vitória, apesar de não ameaçar diretamente o ACN, pode prejudicar diretamente a sua holder. Como os rendimentos do canal somam apenas míseros 3% dos ganhos totais da AWM, é compreensível querer evitar que algo tão pequeno cause um prejuízo tão imenso. Newsroom, de certa forma, parece que colocou os pés no chão. Nem todo mundo ali é um nobre sonhador idealista. Don e Leona contrabalançam esse sonho romântico de produzir o melhor jornal dos Estados Unidos, fazendo um contraponto importante e necessário. Televisão não se faz sem publicidade, publicidade não existe sem anunciantes e os anunciantes querem audiência. Faltava dar destaque a essa visão.

Outro ponto positivo que eu preciso ressaltar foi a amenizada na afetação de Mackenzie. Não sei a quem creditar, porém. Emily Mortimer não estava acertando na comédia e esse episódio não teve muita comédia para oferecer. Mas não me importo se foi a direção firme de Greg Mottola nesse episódio, a atuação de Emily Mortimer ou o texto, que esta semana teve a colaboração de Gideon Yago. O que eu quero é que essa afetação toda vá embora. Ainda é difícil de acreditar que ela é uma superprodutora que cobriu guerras, mas ganha pontos por não ter irritado tanto nesse episódio.

Maggie também ganhou novas nuances. Ela não é só uma garotinha boba e desastrada, ela tem sérios problemas de ansiedade. Jim saber lidar com ataques de ansiedade nem me incomodou tanto no momento, mas quando o episódio terminou, eu tive este estalo. Eu sei que ele já esteve na guerra e tal — e ele parece mais que esteve na guerra do que Mackenzie. Não serei tão exigente. Funcionou na cena, está valendo. O relacionamento dos dois está crescendo, como percebemos pela continuação da conversa de Maggie com sua colega de apartamento, Lisa, e enquanto isso, o relacionamento entre ela e Don só ganha altos e baixos. E baixos cada vez mais baixos.

Torço para que The Newsroom siga no caminho oposto. Aaron Sorkin declarou que essa temporada é um arco de 10 horas, divididos em três atos. Ao que me parece, o primeiro ato terminou nesse episódio. Espero que com isso a série encontre um equilíbrio.

Antes de me despedir, agradeço os comentários dos posts passados, sempre bom ter leitores que contribuem para ampliar as resenhas.

Outros pontos:

• Sloan Sabbath (Olivia Munn) chegou episódio passado, se perdeu no salto de seis meses e deve ter falando menos que a personagem de Jane Fonda. Citando Reese, não é assim que se faz, Sorkin. Scriptwriting 101.

• Jane Fonda foi casada com Ted Turner, um magnata da televisão a cabo, ou seja, é um terreno que ela conhece e teve coragem de interpretar.

• Vocês conheciam a anedota de Jesus e Moisés? Eu não, mas adorei. Jane Fonda contando ajuda.

• Fiquei com um pouco de vergonha alheia da historiazinha dos encontros de Will com mulheres atraentes e bem sucedidas e depois do encontrão com o namorado de Mackenzie. Nem comédia romântica faz mais isso de tão bobo. E é meio feio ficar levando namorados e namoradas daquele jeito para os ambientes de trabalho, não? Mas acho que essa história terá consequências maiores, como denuncia a prévia do próximo episódio. Vejam por sua conta em risco:

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