Fingir alegria em feriados: uma arte.

Spoilers Abaixo:

Chegou a hora de conferir muitos episódios dedicados ao famoso “Turkey Day” e em The New Normal o Dia do Peru ganha ainda mais significado pelo simples fato de que muitos penosos foram salvos nesse Thanksgiving.  Tudo porque a dupla imbatível, formada por Bryan e Shania está distribuindo piedade, o que nos leva à terrível proposta de um feriado vegano.

Embora não tenha sido tão engraçado quanto outros, esse episódio começa com uma demonstração singular (ou seria plural?) dos talentos de Nene Leaks, que interpreta seus pais e a si mesma numa única cena. Fiquei estupefata com os diálogos cheios de delicadeza e porque foi tudo inesperado. Melhor que isso só o flashback em que Nana fala que vegetais são apenas para alimentar pobres. Carne é poder.

Confesso que concordo um pouco com Nana nesse sentido, inclusive porque a possibilidade de encarar tofu moldado para parecer uma ave é aterrorizante e era isso que os convidados do jantar na cada de Bryan e David iriam encarar.

O bacana é que no meio de confusões alimentares, familiares e amorosas o real sentido do feriado veio à tona e todos acabaram comendo pizza. SEM TOFU. Registre-se. Ficou decidido também que Natal é para parentes e Ação de Graças para amigos queridos. Dá para entender a divisão, porque esse pessoal tem famílias bem complicadas.

Nana dispensa comentários. Ela queria matar um pobre peru a todo custo, enquanto distribuía ofensas aos hosts e qualquer pessoa que ousasse cruzar seu caminho. Tomou um belo esbrega de Bryan, pelo menos, que a vez calar e sentar, mas não a deteve no plano de assassinar um dos perus resgatados. Os pais de David são figuras muito bizarras e sim, doar aquela almofada era a única solução para o momento. Já Clay, deveria ter ficado fazendo poses maravilhosas para seu book. Quem sabe assim ele consegue um trabalho como ator e desencana de Goldie.

Aliás, acho bonitinho o namorico de Goldie e Clint, embora Nana fique apavorada com a possibilidade. Sou muito a favor de investirem nessa trama, porque convenhamos, Goldie continua sendo a personagem mais apagadinha de todas. Ele é toda candura e descobrimos que não sabe cozinhar nem gelatina, mas merece uma chance de mostrar seu talento, assim como todos do elenco. Vai ser difícil superar a atuação madura de Shania, mas nada que umas boas dicas com a pequena não ajudem a resolver.

No episódio seguido as dúvidas aparecem. Menino ou menina? Saber ou não saber? Perguntas que devem surgir durante cada gravidez, especialmente para quem está no grupo dos marinheiros de primeira viagem e que, nessa semana, são parte da temática de The New Normal.

O assunto foi muito bem abordado pela série, expondo dúvidas e as inevitáveis preferências. É claro que as pessoas tem mais vontade de ter filhos de um determinado sexo e é claro também que essa “fantasia” não significa que a criança será menos amada se o plano traçado no imaginário dos pais não der certo. Bryan e David ilustram isso perfeitamente, o tempo todo, por meio do destaque das inseguranças.

Se David é um cara esportivo e que adora atividades ao ar livre é óbvio que um garotinho adoraria tê-lo como pai, não é mesmo? Mas isso é imprevisível e as crianças (meninos ou meninas) nem sempre atendem às expectativas. Na vida real, cansei de ver mães que queriam vestir as filhas de princesas, sofrendo por que as meninas não curtiam a ideia. É por isso que, antes de tudo, é preciso dar certa liberdade aos filhos e não se frustrar quando eles não fizerem exatamente o que os pais esperam.

Nesse caso, Bryan tem toda a certeza do mundo de que não poderá se comunicar bem com um menino. Pura bobagem. A relação rápida que ele estabelece com os meninos do time de futebol é prova disso. Existem muitos modos de se conectar com as pessoas e a tentativa é o que realmente faz a diferença.

No meio desses questionamentos, vimos David muito mais solto, pela primeira vez. Ele estava engraçadíssimo em sua histeria por ser pai de um garoto e não deu para não cair na gargalhada com a fantasia dele de se casar com a Brenda de 90210 original, que inclusive faz uma aparição.

E já que falamos em celebridades, fiquei muito feliz em ver a incrível referência á musa Cher. Não dá para negar que Bryan seria um ótimo pai de menina, porque ele entende essa necessidade de brilho e glamour que algumas de nós temos. Cher, então, nem se fala. Ícone cultural, sem dúvida, seja por seu trabalho como cantora ou atriz (e dizem as más línguas, Drag Queen). Gostei de ver que Shania encarnou mais essa personalidade, provando que a menina é um poço de talento. Quem é fã da Cher notou que ela mimetizou bem o jeitinho de falar, de andar e de ser espalhafatosa. Só fiquei triste ao ver que a escola não curtiu tanto a apresentação e usou de “Cher-nofobia” para destruir a nora de Shania.

Outra coisa muito positiva é o surgimento de uma motivação maior para Goldie. Se não vai dar certo ser advogada, a carreira dela com designer de roupas tem potencial. A personagem precisa muito de atenção dos roteiristas, porque em meio à sua doçura e à relação com a filha, Goldie se perde. A culpa é de tantos personagens que se destacam e nesse caso, nem creio que seja culpa da atriz em si. Numa rápida análise, vemos que Goldie fica um pouco de escanteio, na maioria das situações. Quem sabe agora que ela vai perseguir um objetivo, Goldie consiga ser mais do que a barriga de aluguel.

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