Incoerências em um momento decisivo.
Após pouco mais de cinco temporadas para saber quem seria o serial killer que matou a família de Patrick, finalmente a caçada por Red John está chegando ao fim. Com absolutamente todos os episódios da temporada dedicados aos suspeitos da lista de Jane, The Great Red Dragon teria o intuito de preparar o terreno para os acontecimentos do episódio intitulado Red John. Apesar de possuir um ritmo frenético e alucinante, The Great Red Dragon apresenta alguns momentos bastante incoerentes quando são avaliados alguns aspectos dessa mesma temporada, ao passo que Red John ainda se encontrava relativamente distante.
Esses fatos que não fazem tanto sentido estão localizados exatamente nos dois possíveis nomes para o famigerado assassino: Gale Bertram e Reede Smith – isso se os que achamos que morremos estiverem efetivamente mortos, afinal o corpo dos outros três nem mostrado foi. O comportamento de ambos nessa sexta temporada simplesmente não condiz com um dos serial killers mais famosos do mundo das séries. Isso ocorre porque, aparentemente com o objetivo de levantar muitas hipóteses sem se preocupar com as consequências, diversos acontecimentos acabaram por gerar enorme contradição.
Sabe-se que Red John é extremamente frio e calculista, sem o menor receio de eliminar os que estão a sua volta. Capaz de manipular e fazer joguinhos, sua figura é notoriamente complexa, sendo esse um dos motivos pelos quais não deixou qualquer pista significativa ou importante ao longo desses anos. Nesse contexto como o diretor da CBI e o agente do FBI poderiam ser Red John? Lá em Black-Winged Black Bird, enquanto ocorria o encontro triplo na agência, eles pareciam mais peões num jogos de xadrez do que o verdadeiro serial killer. Se o trabalho de Bertram era descobrir o que Jane realmente sabia, não seria mais coerente se ele fosse um associado? E não se pode falar que eles se referiam à Associação Blake, porque naquela hora Patrick estava muito longe de especular sua existência.
Os problemas não param por aí. Apesar de todos confirmarem Bertram como Red John, ele ainda não pode assumir essa denominação por uma série de razões. Primeiramente, ele foi muito desleixado ao tentar matar Jane e no assassinato do atendente do bar. Seu nervosismo foi muito evidente com Lisbon e seu desejo por fuga também não correspondeu exatamente aos fatos, contrariando um Red John sempre muito inteligente e relaxado. Quanto a Smith, todo o desespero da Associação Blake em matá-lo supostamente indica que ele não seria Red John, pois ele não revelaria tudo tão facilmente se fosse o serial killer e o grupo não se sentiria ameaçado com sua existência. Tudo bem que há a possibilidade de ele ter manipulado a CBI e os corruptos, mas mesmo assim as perspectivas de ambos entram em conflito.
Foi extremamente interessante ver que realmente existia uma organização secreta de policiais corruptos obcecados pelo poeta William Blake, fato que infere o porquê de Red John ter tantos associados. Entretanto, parece que ele não confia mais nos seus integrantes, visto que passou a contratar pessoas de fora para investigar a CBI de uma forma apurada, apesar de ter seus próprios informantes. Além disso, Red John pode estar se escondendo na associação como mais um mero membro ou como um suposto líder, sendo a primeira hipótese mais provável devido ao grau de discrição dele.
The Great Red Dragon propriamente dito tratou justamente desses últimos instantes e de uma sucessão de acontecimentos ocasionados pela bomba na casa de Jane, quase o matando. A perseguição aos suspeitos remanescentes transmitiu uma atmosfera aceleradora, garantindo um fluxo narrativo um pouco atropelado em alguns momentos, mas talvez isso tenha ocorrido com o único propósito de omitir informações provavelmente cruciais. A dissolução da CBI, por exemplo, executada pelo FBI não explica como o governo federal obteve a informação de um potencial serial killer que comandava envolvidos em uma organização criminosa secreta, já que a existência da Associação Blake era somente conhecimento da equipe de Jane e dos integrantes. A imprensa somente sabia do nome de Bertram como possível Red John. Pode ser um artifício para levantar suspeitas do recém-chegado agente do FBI Dennis Abbott, ainda enigmático e ambíguo.
Apesar desse detalhe, as atuações do elenco principal foram extremamente convincentes, posto que revelavam um clima de tensão totalmente compreensível para a situação que era aguardada. Simone Baker mais uma vez soube interpretar muito bem um Patrick Jane determinado e disposto a encarar todos os obstáculos. Ele conteve as emoções no momento certo, ressaltando aquele sentimento de comprometimento com os fatos já ditos e os a serem descobertos. Por outro lado, as atuações dos intérpretes de Cordero e Bertram não foram tão satisfatórias, já que, enquanto o primeiro parecia forçado, o segundo mostrou-se bastante impulsivo.
Além disso, o episódio protagonizou excelentes cenas, como os interrogatórios realizados por Jane com os dois membros da Associação Blake. O jogo do see and tell ressalta as melhores qualidades de Jane de todas as temporadas, como suas habilidades únicas no ato de extrair informações sem grandes dificuldades. A pergunta dele à Smith se ele teria matado sua família revelou um Jane bastante sincero no que diz respeito a seus sentimentos, capaz de fazer de tudo para finalmente obter respostas. O companheirismo de Lisbon nesses momentos confere uma verossimilhança adequada à trama, já que reforça uma preocupação genuína e o apoio nesse momento mais do que decisivo para a vida de todos ao redor.
Nas últimas cenas, Jane, após o fechamento da CBI, disse que estava na hora de deixar a vingança com o provável objetivo de planejar seus atos para concluir os seu desejo de assassinar o serial killer. Se as primeiras tentativas de matar Red John não deram certo, ele precisa definitivamente pensar muito bem antes de cometer atitudes precipitadas, mesmo que muitos homens daquela lista não possam ser considerados pessoas de bem. A cena da igreja reafirma que, embora tenha passado por muitas dificuldades nessa caçada, ainda existe a esperança de justiça pelo feito do serial killer há dez anos.
Como não há a certeza se as incoerências apontadas fazem parte de um plano de Bruno Heller, as impressões deixadas para o decisivo episódio são ambíguas. Sabe-se que The Great Red Dragon manteve basicamente a mesma linha dos episódios anteriores dessa temporada, escrita de forma linear. Com um ritmo interessante, muitas afirmações reveladoras e diversas questões lançadas, há muitas expectativas para o efetivo encontro entre Jane e Red John. Seja Bertram, Smith ou qualquer outro, é preciso que, sobretudo, os fãs sejam recompensados pela longa espera com um brilhante episódio.
Mentalizou-se…
– Nessa semana, o Gabriel Oliveira teve alguns compromissos e, por isso, estou aqui dando uma força para ele. Tudo volta ao normal a partir do próximo episódio.
– Quando Cordero chamou Bertram de “senhor”, estaria ele se referindo a uma autoridade no contexto policial ou a uma hierarquia dentro da Associação Blake?
– Desejo uma excelente explicação para a obsessão por William Blake diante da imensidade de referências a ele ao longo das temporadas, iniciando justamente com Tyger Tyger – o código da associação.
– Na hora da sua morte, estaria Patridge, ao citar Tyger Tyger, pedindo ajuda a Lisbon por acreditar que ela também era um membro ou compartilhando uma descoberta?
– Apreciei bastante o funcionamento da Associação Blake: favores e pedidos entre pessoas que já mancharam seus passados e foram cobertos pela organizado secreta. Como já disse anteriormente, isso explica muita coisa…















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