Após um dos maiores e mais bombásticos episódios da série, era de se esperar que o capítulo 14 de “The Mandalorian” fosse mais morno e procedural… Não foi o que aconteceu.
O episódio já começa com o pé direito. A cena em que Mando fica treinando Grogu a usar a força não poderia ser mais fofa. Aquele “Dank Farrick” que Djarin solta quando a criança consegue pegar a bolinha, no maior estilo pai orgulhoso quando o filho anda de bicicleta pela primeira vez, é uma das interações mais preciosas que já tivemos entre os dois. Logo em seguida ele começa a convencer Baby Yoda de que eles precisarão se separar. Mas fica bem óbvio que ele está na verdade tentando convencer a si mesmo. Mando não quer se separar da criança, o que inevitavelmente virá a acontecer.
A dupla chega então em Tython, o planeta fortemente sensitivo a força indicado por Ahsoka. E é aí que acontece tudo. Baby Yoda rapidamente se liga com a força, ficando inatingível. Então, uma nave MUITO conhecida pelos fãs de Star Wars pousa no planeta: Slave I, a nave de Boba Fett, que ainda chega acompanhado de Fennec Shand , interpretada novamente pela maravilhosa Ming-Na Wen. Acredito que a maioria pensou, assim como eu, que o plot do episódio consistiria, então, no combate entre Mando e Fett, e fiquei muito feliz em ver o contrário, os 2 Caçadores de Recompensa trabalhando juntos! E como Bobba Fett está incrível… Uma das maiores tristezas dos fãs da Trilogia Clássica é o fato do personagem, apesar do visual diferenciado, que prometia muito, não ter sido muito bem aproveitado nos longas em que aparece. Imagino então, como deve ter sido para os fãs de longa data finalmente poder ver Boba Fett realmente em combate, aniquilando os Stormtroopers.
Stormtroopers estes, que seguem sendo usados maravilhosamente. Este episódio foi para mim o que conseguiu melhor zoar com as forças n°1 do Império. Além de serem completamente inúteis contra Boba Fett e Fennec, eles conseguem a façanha de perder para uma pedra. Um deles estava em um canhão, e ele poderia simplesmente ter dado dois passos para o lado, mas não, ele é um Stormtrooper, ele jamais agiria racionalmente, então ele decide atirar na pedra, que obviamente passa por cima do cidadão. É a pura perfeição. Parabéns Robert Rodriguez pelo senso de humor! Até mesmo os diálogos idiotas seguem exatamente como eram antigamente. A representação perfeita do humor de “Star Wars”.
Outra coisa que gostei do episódio é a tensão muito bem criada quando Baby Yoda está complemente sozinho e exposto, enquanto Mando ajuda Fett e Fennec a batalhar as tropas Imperiais. Ao mesmo tempo é criada uma expectativa de que alguém, contatado pela criança, vai aparecer ali para ajudá-los. Eu não conseguia conter minha animação ao pensar na possibilidade de uma aparição de Luke Skywalker, Mace Windu, Cal Kestis ou qualquer outro Jedi. Isso não veio, o que me faz acreditar que esta aparição surpresa só deve acontecer no Season Finale, mas tudo bem, porque a cena em que Bobba Fett finalmente veste sua armadura e derruba as duas embarcações Imperiais é simplesmente sensacional. Boba também revela que Jango Fett era um enjeitado, que chegou até a lutar nas Guerras Civis Mandalorianas, fato que até o momento não era canônico.
Porém, nem tudo do episódio foi do meu agrado. Após a segunda assistida, consegui gostar bem mais do capítulo ao prestar mais atenção em seus pontos altos, mas mesmo assim, não consegui ignorar os aspectos técnicos, que ficam para mim como os piores de toda a série. Robert Rodriguez é um grande cineasta, isso é indiscutível, mas o seu estilo mais infantil em alguns de seus filmes é algo que divide muitos, e acredito que a mesma coisa aconteceu com algumas decisões do capítulo 14. Para começar, o cenário principal do episódio é completamente blasé e desinteressante, além da fotografia do episódio, que faz o episódio parecer algo muito amador, que me lembrou, inclusive, aqueles curtas feitos por fãs. Apesar da direção de Rodriguez acertar em alguns momentos, em outros parece que algo está errado. O que foram aqueles “Slowmotions” que não agregam em absolutamente nada? O sentimento que fica é de pura estranheza. Também faltou uma textura mais trabalhada, um trabalho de câmera e de cinematografia mais elaborado para um episódio tão importante. E isso foi bem decepcionante.
Falando agora da tal tragédia, a cena em que os Dark Troopers (muito legais, inclusive) levam Baby Yoda, é de partir o coração. E falando em partir o coração, que surpresa nada bem-vinda foi a destruição da Razor Crest. A nave já clássica fará falta. Nos destroços da nave, Mando encontra a bolinha de Grogu e a lança de Beskar, o que cria uma antecipação de que o duelo entre Mando e Moff Gideon vem aí sim, e o hype não poderia ser maior. Outra coisa muito interessante é como o episódio trabalhou a personalidade de Boba Fett. O personagem, que era um vilão canastrão na Trilogia Clássica, agora faz uma promessa a Mando de ajudá-lo a resgatar a criança! Parece que todos esses anos desaparecido o mudaram bastante. Então, Fett e Fennec levam Mando a Nevarro, onde ele encontra Cara Dune, que agora trabalha para a Nova República. Cara inicialmente declina a missão, mas parece mudar de opinião quando Mando diz que a criança foi raptada. Isso provavelmente não vai acontecer, mas gosto de pensar na possibilidade de termos em um dos próximo episódios, Mando, Boba Fett, Fennec Shand, Cara Dune e Greef Carga juntos na mesma missão! Seria pedir de mais pelo Cobb Vanth também? Temos também a confirmação do retorno de Miggs Maifeld, aquele criminoso que invade uma prisão com Mando no Capítulo 6.
Antes do episódio terminar, vemos Baby Yoda preso na nave de Moff Gideon (com aquelas mini-algemas pequenininhas) dando uma surra nos Stormtroopers com a força, só que tem uma coisa curiosa aí, a criança usa o famoso “Force Choke”, aquela estrangulada que os Siths costumam usar. O uso dessa técnica “sombria” foi inclusive muito usada para demonstrar a raiva descontrolada de Anakin Skywalker, raiva essa que também acabou levando-o para o Lado Sombrio. Acredito que a série ainda vai brincar com que tipo de usuário da força será Grogu. Gideon também volta a mencionar o “doador”. Será que teremos alguma revelação mais concreta acerca dos Clones mostrados no Capítulo 12? Espero que sim.

Falando agora rapidamente sobre o que vem por aí, os próximos dois episódios não poderiam prometer mais. Dois dos diretores confirmados para esta temporada ainda não entregaram episódios, são esses Rick Famuyiwa, que dirigiu os ótimos capítulos 2 e 6, e James Mangold, mais conhecido por filmes como “Logan” e “Ford vs. Ferrari”. Acredito que ambos têm muito para acrescentar a esta reta final de “The Mandalorian”. Em sumo, “A Tragédia” não é um episódio ruim. Nele temos, inclusive, momentos que os fãs de “Star Wars” sonham em ver há quase 40 anos. O que não coloca este episódio como um dos melhores da série para mim, são simplesmente algumas decisões tomadas por Robert Rodriguez, que tem um estilo de direção bem particular, o qual não sou muito fã.















