Hora de reunir a família Beifong.
O episódio foi bem intencionado, nos trazendo alguns elementos bastante interessantes, porém seu potencial poderia ter sido mais bem aproveitado se não fosse seu tempo de duração. O que mais prejudica séries desse formato é o fato de durar apenas vinte minutos, e aí conflitos que são promissores, como o de Lin com sua mãe, ficam comprometidos já que não temos o tempo apropriado de desenvolvimento, e tudo se resolve com um “me desculpe, você sabe como eu sou” e “claro, querida, vamos tomar uma coca-cola juntas no jantar que tudo ficará bem” e o conflito acaba soando leviano.
A situação em Republic City promete esquentar na próxima semana, com a promessa de Kuvira em atacar a cidade e os espíritos dando no pé. Interessante notarmos que Korra queria o mesmo que a vilã, ainda que por caminhos diferentes, como bem assinalado pelo espírito. Podemos notar que há claramente uma evolução na protagonista, principalmente se a compararmos com o primeiro livro. Se até então a Avatar era impulsiva e queria resolver tudo na base da porrada, nesse livro ela está se mostrando muito mais serena, tentando resolver primeiro as coisas de forma diplomática, usando o diálogo ao invés dos punhos.
Se por um lado o resgate de Su e sua família foi um pouco decepcionante pela relativa facilidade com que aconteceu, por outro o episódio nos presenteia com uma das melhores cenas de luta da temporada. O fight entre Su e Kuvira superou o da Avatar, nos mostrando coreografias belíssimas, além de uma fluidez e agilidade que prende a atenção do espectador. Só o que eu não entendi foi a tática de Su de usar um colete de metal. Isso bem poderia ser uma faca de dois gumes, afinal se a armadura a protege, ela também é um prato cheio para Kuvira dobrar o metal e manipular o corpo de Su. Só fiquei esperando quando a megera iria fazer a Su rodopiar pra longe. Ainda assim, a cena foi muito bem feita, e o equilíbrio entre as oponentes é condizente com a capacidade de ambas de dobra, lembrando que Su costumava ser um tipo de mestre para Kuvira.
Outro ponto a se destacar é a similaridade entre o avanço bélico que o Império da Terra está chegando com essa nova super arma com a Nação do Fogo durante a Guerra dos Cem Anos. Se lembrarmos dos livros protagonizados por Aang, veremos que eles tinham um poder bélico muitíssimo superior aos outros povos, o que contribuiu enormemente para que eles conseguissem dominar quase todo o globo até o ressurgimento do Avatar. O discurso usado por Kuvira lembra outros ditadores reais, que prometem paz e desenvolvimento para recuperar o prestígio de uma nação que está passando por uma fase decadente (oi, Hitler) como pretexto para subjugar povos e conquistar territórios. Não acham que os “campos de reeducação” de Kuvira são, na verdade, um eufemismo para “campos de concentração”, onde são mandados dissidentes e pessoas marginalizadas por não fazerem parte da etnia estabelecida como a superiora? Acredito de verdade que o único motivo para não haver algum tipo de pena de morte nesses campos é porque The Legend of Korra ainda é voltado para o público infantil, pois se seu alvo fosse o adulto, a barra seria muito mais pesada.
O que me deixou muito contente no episódio foi Zhu Li e suas pequenas sabotagens para destruir o canhão super sayajin de Kuvira. A personagem estava esse tempo todo infiltrada em campo inimigo e pudemos ver um pouco da genialidade particular dela, que até então era vista apenas como a faz tudo do Varrick que não tinha muita personalidade. Estou louco para ver a reação do ex-pilantra ao reencontrar sua muito mais que assistente. Quase que temos um fim trágico para ela, impedido graças à bravura de Bolin, que estava no corre para se redimir com Opal.
Se a Zhu Li me deixou contente, a Toph nem tanto. A acidez da personagem estava muito presente, mas senti falta de um pouco mais de ação. Esse papo de “deixe para os jovens” e “eu não luto mais” é extremamente inconveniente, principalmente porque ela seria de grande ajuda para impedir os planos de Kuvira. Eu estava louco para ver ao menos um round entre Toph e Kuvira, mas infelizmente não rolou. A revelação do nome do pai da Lin foi um alívio cômico interessante, muito presente na figura de Bolin (sempre ele), principalmente para preparar para o conflito que se seguiria entre mãe e filha. Talvez Toph tenha sido uma mãe um pouco mais relapsa que se supunha até então, mostrando novamente como os personagens antes idealizados possuem pequenas falhas de caráter e que são sujeitos a erros, como qualquer ser humano. Isso é uma característica importante, mesmo para uma série animada, principalmente se ela tem compromisso com o realismo.
O episódio consegue gerar boas expectativas para os três episódios finais, e estou louco para ver a chapa esquentando em Republic City. É justo que a série termine onde ela começou, pois isso nos dá uma ideia de ciclo, que é a premissa básica desse universo, desde o começo.
Em tempo 1: Primeiro episódio que não odiei o príncipe Wu. Até eu caí que ele estava finalmente amadurecendo, mas quando ele revelou que era tudo um plano para ele dar uns pegas na Korra, rachei de rir, mesmo que tenha sido esperado.
Em tempo 2: Quero muito ver o plano de Varrick e Asami dos Meca-trajes voadores. Tomara que se torne realidade.
Em tempo 3: Su e seus filhos estavam exatamente com a mesma roupa de quando foram aprisionados. Parabéns à equipe técnica pela coerência de continuidade, afinal, já se passaram alguns episódios desde que isso aconteceu.
Em tempo 4: “You gave the metalbenders a bad name!” Toph mostrando que palavras podem ser mais duras que pedras. #Kuviradebocaaberta.














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