
Uma conclusão agridoce coroando uma temporada recheada de vitórias amargas.
Spoilers Abaixo:
Não sei o que vocês acharam, mas acredito que “The Killing” atingiu uma grande virada nesta temporada de ressureição e se tornou aquilo que era provavelmente o seu objetivo desde o começo: um caso de mistério policial envolvente com personagens com que nos invistamos emocionalmente. Talvez essa seja apenas a última prova do erro que foi a decisão de dividir a morte de Rosie Larsen em duas temporadas. Com um ciclo fechado, mais bem amarrado, menos episódios e uma abordagem direta, tudo correu de forma mais eficiente. A série já tinha me convencido de sua redenção ainda em meados da segunda temporada e agora, ao fim desta, uma parte bem maior da audiência vai poder se sentir a vontade para concordar comigo.
Começando com a amarração da história, gostei da maneira como o caso principal foi vinculado com todo o drama dos Sewards. O alvo do assassino nunca tinha sido Trisha, mas sim o pequeno Adrian que observara de sua casa da árvore o lugar onde os corpos foram jogados. Isso ainda explica o significado daquele constante desenho que ele fazia. E tudo realmente apontava para Skinner no final das contas, já que, fora Linden, ele era o único policial que possuía um envolvimento próximo com caso de Ray Seward. Não foi surpreendente, mas foi plausível, e a coesão dentro de uma história vale muito mais do que qualquer elemento surpresa.
E, agora, o que podemos pensar da última cena? Linden executou Skinner, mas não acredito que tenha sido pelas provocações do seu chefe, e sim por conta da decepção e raiva de descobrir que ele deixou tantas tragédias acontecerem sem dizer nada. Seward foi executado por algo que não fez, Linden passou meses internada em um hospital psiquiátrico, fora todas as garotas que ele matou. E ainda temos que considerar o peso emocional do fato de que ela estava começando a se permitir ser feliz com ele. Linden abriu uma porta para a felicidade e se deu mal feio, mais uma vez. Sendo assim, aquele tiro de execução em Skinner têm vários motivos para ter ocorrido e não imaginaria Linden agindo de outra maneira. A escolha dela é um reflexo de tudo que ela tinha passado e descoberto até aquele momento. Mas, com isso, o seu futuro se tornou bem incerto.
Mireille Einos continuou chutando bundas aqui. Pudemos ver todo um clima de certa descontração com o fim do caso e a vida se seguindo. Era surpreendente, mas Linden realmente parecia feliz. Entretanto, à medida que mais evidências surgiam de que o verdadeiro culpado ainda estava à solta, sua expressão facial foi pesando novamente, culminando com a cena incrível em que ela junta todas as peças e deduz que Skinner é o verdadeiro culpado. Aquele momento de epifania, em que tudo parece acontecer mais devagar que o normal, foi brilhantemente retratado pela atriz e pelo seu diretor. Foi minha cena favorita da finale e mostrou como se pode abordar de inúmeras maneiras momentos clichês e torná-los originais. Viva a sétima arte e sua abordagem criativa! E nem preciso lembrar as qualidades usuais do seriado que mais uma vez se fizeram presentes. Afinal, a qualidade técnica de sua produção se destaca desde que Rosie Larsen foi achada no porta-malas de um carro.
Já o final dos demais coadjuvantes foi um tanto quanto realisticamente trágico. Lyric agora tem um emprego de verdade, mas parece que não se livrou dos velhos hábitos. Twitch conseguiu, por enquanto, resistir a uma recaída. E a pobre Danette acabou como aquela mãe que um dia encontrou na delegacia e nunca vai saber ao certo o que houve com sua filha, com uma eterna esperança de que um dia ela apareça. Achei essa decisão bem ousada da parte do seriado, ao evitar o caminho mais tomado de um desfecho otimista. Afinal, as coisas na realidade são muito mais complicadas. É gratificante ver uma produção assim no meio das narrativas cada vez mais plastificadas que nos têm sido apresentadas.
A reta final desta terceira temporada de “The Killing” foi de tirar o fôlego. “Try”, “Reckoning” e “Six Minutes” foram excelentes episódios, sendo este último um dos melhores episódios do ano. Seria impossível a finale superar a devastação emocional da execução de Seward, mas tivemos um final muito satisfatório, além de criar um futuro bem nebuloso pra Linden, que pode ser explorado em uma quarta temporada. E falando nisso: vocês topariam uma nova leva de episódios do seriado? Se tivermos história, produção e elenco do nível apresentado, com certeza estarei aqui acompanhado a série novamente com vocês.
Em Tempo de Momento Mais Descontraído do Episódio: Holder zoando Linden no carro por conta do relacionamento dela com Skinner foi hilário. Mais uma prova do porquê de amarmos esse dois.
Em Tempo de Audiência: A audiência média desta temporada ficou no mesmo nível da segunda. Com essas notícias, ficamos otimistas ou pessimistas com relação a uma renovação?
Em Tempo de Despedidas: Obrigado aos expectadores fiéis de “The Killing” e até o próximo caso.














