As peças finas do quebra-cabeça.

Spoilers Abaixo:

Chegamos à metade da temporada e o sentimento de que as peças finalmente estão se encaixando para a conclusão da série, agora é real. Arcos relevantes sendo destacados e as picuinhas entre Dex e Deb finalmente superadas. Porém, nada foi mais importante que a contratação do estagiário de serial killer, Zach Hamilton.

A introdução da trama de Zach foi como um sopro de vida nas velas de um barco desamparado e a deriva, pronto para concluir sua viagem lentamente até a baía dos mortos. Algo inesperado, que não apenas norteia a história, como pode alterar o rumo para algo muito melhor. Sim, acredito que maioria de nós pensou, “Rá, no final, Zach vai matar Dexter”.  Essa semana os produtores da série soltaram declarações dizendo que muitos fãs não irão gostar da conclusão da série, e isso instantaneamente me faz pensar que eles realmente vão matar Dexter.

Fiquei muito intrigado de como o roteiro foi competente em reverter todo o sentimento que tive por Zach no episódio passado. A princípio o achei inútil e sem sal, mas nesse episódio foi possível criar uma simpatia muito grande por ele, talvez por Dexter se enxergar em Zach, talvez pela possibilidade da dinâmica mestre/gafanhoto.  O diálogo entre os dois na kill room foi muito interessante, principalmente quando eles foram completando a frase um do outro e explicando o sentimento de leveza que matar alguém traz para eles e de como a atração de ambos por sangue alimenta a necessidade de se entregar ao Dark Passenger. São diálogos como esses, que transformam morbidez em poesia, que fazem episódios memoráveis.

Outra dinâmica que ficou mais interessante nesse episódio foi a relação entre Deb e seu chefe. Já era óbvio que ele estava apaixonado por Deb, mas de alguma forma as coisas estão caminhando para algo sincero e orgânico. Não quero usar as palavras “amor verdadeiro”, pois como a própria Deb disse, Elway não conhece muito o passado de viúva negra que Deb possui, nem mesmo seus demônios internos, mas estou com dificuldades de acreditar que o final dessa história seja apenas mais um interesse romântico para ela. De alguma forma, Elway vai ter um papel importante no final da série.

Não sei exatamente o porquê, mas essa semana tivemos alguns links nada discretos que remeteram não apenas ao começo da série, mas ao piloto mais precisamente.  Dexter trazendo donuts para manter seu “disfarce de humano”, Deb se usando como isca como nos tempos de Vice em que ela precisava se disfarçar de prostituta, “churrasco” com cerveja e até mesmo uma foto dos dois na mesa de Dexter, que tenho 97% de certeza ser algo que saiu do piloto. Pode ser apenas gatilhos usados pelo roteiro para provocar nostalgia ou apenas algumas homenagens, mas eu sinto uma certa preparação de terreno para uma história do tipo círculo completo, algo que remeta ao começo de tudo para finalizar a saga de Dexter.

Agora Dexter tem o seu padawan, que se não se transformar em apenas mais uma derivação de Miguel Prado ou Lumen, pode realmente ser o arco mais importante até agora. Vogel obviamente possui uma agenda secundária, mas ela conseguiu manipular seu psicopata perfeito e agora o código será disseminado. Dexter só precisa torcer para não criar um Sith, que compartilhe seu complexo de Deus para julgar quem merece viver ou morrer. Ele até pode ter sido poupado pelo código, mas o lado negro da força não costuma demonstrar misericórdia.

Pensamentos finais:

– Ok, Dexter resolveu não matar Zach, mas se ele tivesse matado, Quinn iria manjar na hora depois de ter esbarrado com ele no Yacht club.

– Aos poucos Harrison está demonstrando algumas características que me faz crer que ele vai seguir os passos de Dexter. Ele já mente porque Dexter mente, não se importa com sangue (tadinho, ele nem deve lembrar que nadou no sangue de Rita), mas acho que uma pista importante foi dada nesse episódio… O livro infantil favorito de Harrison, Wee Monkey. Existe um ditado americano muito popular que diz assim: “Monkey See, Monkey Do”, que é usado quando alguém imita outra pessoa. Pode ser viagem da minha parte, mas na hora fiz essa conexão.

– Muito irônico Dexter querer ensinar sobre não mentir.

– Já ficou chata a história da filha do Masuka.

– Aquele ursinho com sangue ainda vai dar merda.

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