De volta aos casos da semana com força total, a série entrega dois episódios multitarefa mas sem deixar de lado a continuidade.

Após assistir o divertidíssimo All Tapped Out, eu reli meu texto sobre The Bit Bucket, o episódio que começou todo esse arco da NSA. Eu não posso dizer que eu estava completamente errada, mas eu posso dizer que nada do que eu achava realmente importa diante de um episódio tão bom. Famosa por conseguir lidar com várias tramas ao mesmo tempo, neste nós tivemos quatro (Alicia e Finn versus James Castro, Cary e Clarke versus NSA, Peter versus NSA e Diane e Kalinda versus Louis Canning) distribuindo muito bem o tempo de tela entre os protagonistas.

A minha surpresa com o tratamento que o arco Snowden recebeu se resume na cena em que Jeff conversa com Cary e Clarke no elevador, Alicia chega, Cary a apresenta e Jeff vê pela primeira vez e ele olha para ela diferente do que tinha olhado. Não que eu tenha desgostado de como essa história fechou, mas como desgostar ou não se surpreender com um detalhe como esse?

Quando o episódio começou, Alicia ainda titubeava e chega a cogitar deixar a defesa de Finn para Clarke, mas é só ver a sua fachada correr perigo com a descoberta de que suas conversas eram grampeadas que ela endurece a sua casca e marcha para o escritório de Peter com uma altivez de fazer o mundo parar – pelo menos, os subalternos de seu marido pararam. Assim, após cair do cavalo, ela se recupera e monta de novo, pisoteando o novo procurador em sua tentativa de culpar Finn pelo tiroteio no tribunal.

Enquanto isso, Peter precisa lidar com o problema das escutas e como eu não quero ter de cruzar o caminho do governador. Foi brilhante o que ele fez com o senador e com o supervisor Froines e eu gargalhei de tão engraçado, mas imaginem aquilo tudo acontecendo sem aquela música étnica e divertida (e meio racista) que toca sempre que a NSA aparece na série e uma música séria e tensa no lugar. Me-do.

Claro que diante de toda essa demonstração de poder, Alicia teria de correr para seu marido, deleitada que ele a colocou em primeiro lugar, mas Alicia se manteve firme na sua decisão de assumir seu casamento como uma fraude e a cena final, em que comparam agendas me deixou feliz por ver que Alicia está realmente seguindo em frente e também feliz por a série colocar Peter não como um traste (como ela “meio” que fez no final do episódio anterior) ou como alguém que só precisa de Alicia, mas como alguém que a respeita. Não acho que ele aceitou o acordo que ela propôs porque ele quer sair procurando outras Marilyn Garbanza por aí, embora eu também acho que ele não vai deixa-la ir embora. Eu acho que ele gosta dela de verdade.

Já na LG, tivemos a entrada de Louis Canning para o time e acho que essa mudança veio para ficar. Michael J. Fox pode não entrar para o regular cast mas ele já deve ter garantido a presença em alguns episódios da sexta e recém anunciada temporada da série. Ou então a Lockhart, Gardner & Canning vai mudar de nome pela sexta vez em seis anos.

Enquanto All Tapped Out foi engraçado, Tying the Knot foi sinistro e marcou o retorno de Josh Charles na direção. Que trabalho estupendo que ele fez porque toda aquela sequência inicial na festa de Colin Sweeney foi muito impressionante. Ver um episódio equilibrar várias tramas é uma coisa, mas ver Alicia equilibrar toda aquela festa e todos aqueles telefonemas foi extremamente claustrofóbico, principalmente ao final, com aquela cena toda coreografada. Bravo, Josh Charles.

Claro que sendo uma festa de Colin Sweeney, ela tinha que terminar em assassinato. Foi bastante sinistro ver Renata (Laura Benanti) assumindo o crime para Alicia, assumindo inclusive que Colin já matara antes, provavelmente uma (ou algumas) esposas. A história pode até ter sido um tanto repetitiva, mas foi interessante ver como a narrativa não freou nem por um minuto. Nós começamos vendo Alicia como advogada de Sweeney, depois ela vira testemunha, depois Diane pega o caso, depois Alicia é deposta, depois Diane arma com Sweeney e pega Alicia de surpresa.

Isso sem contar toda a história de Zach com o bong. Eu não acredito que o bong seja dele ou que ele tenha mentido para a mãe quanto a tê-lo usado, mas a voz da menina ao telefone me pareceu muito Becca e uma das pontas soltas da temporada não foi o presente de Peter que ela roubou e tentou revender e as conversas sobre maquiagem com Grace via Skype? Quem sabe ela não volta?

Mas mesmo que não volte e que Zach tenha mentido, isso tudo só serviu para vermos como o rapaz está lidando com a decisão da mãe de assumir seu casamento de fachada. Eu me perguntei, quando assisti à cena final de A Material World, se os filhos de Alicia não teriam ouvido a discussão entre ela e Peter, pois são eles quem abrem a porta para Finn. Esse detalhe não deve ter sido acidental.

O fato de Owen voltar justamente nesse episódio e abrir um pouco mais a mágoa de Alicia é muito importante por ele ser o exato oposto de sua irmã. As suas declarações flagradas em vídeo enfureceram Eli (e Alicia), mas ele não fez por mal porque ele, diferente de Alicia, não acha que ela ou os filhos dela precisem manter essa fachada eterna de uma família feliz e perfeita, uma fachada que ninguém mais compra, já que Alicia já fora questionada diversas vezes nesta temporada se o seu casamento com Peter não seria um jogo político. A rebeldia de Zach não deve parar por aqui, e ela deve impulsionar Alicia a seguir seu caminho e se desprender das amarras que ela mesma atou sobre si.

Contudo, a estrela desse episódio foi Finn, que finalmente alçou ao posto de protagonista e ganhou uma história só sua. Primeiro, nós o vimos ganhar a sua coleção de memory pops e imaginações do tiroteio numa cena belíssima, num trabalho realmente primoroso de Matthew Goode. Ele vacila no tribunal e meu coração aperta e todo o evento de Dramatics, Your Honor me volta à cabeça. Ele percebe que estava sendo usado novamente pelo procurador, que buscava chegar para salvar o dia e preparar terreno para sua reeleição. Finn segue a dica de Alicia e decide concorrer contra Castro para evitar ser demitido e, vejam só, ganhou o apoio do governador de Illinois.

Esse movimento de Peter com certeza visa à reconquista de Alicia, já que ele já encontrara com Finn na casa dela, com certeza sabia do envolvimento dele no tiroteio de Jeffrey Grant e sabia que ela pedira a Eli que coletasse as sete mil assinaturas. Mas é engraçado que ele o faça. Peter, até o momento, não demonstrou ciúmes de Finn. Ele sempre teve de Will, mas não de Finn. E essa ajuda vem logo depois de ele perguntar se ela quer dormir com outra pessoa.

É claro que Alicia ainda pode voltar para Peter e eu tenho plena confiança na habilidade do casal King de tornar qualquer história interessante pela sua maneira única de contá-las. Mas eu acho que ao final de A Material World, Alicia realmente se transformou.

Agora ela aprende com seus filhos, ela aprende com Diane – que foi ardilosíssima neste episódio – e ela enxerga a sua própria vileza ao proteger Sweeney em seu testemunho. Ela ainda treme e hesita quanto a questão do casamento, mas ela chora no quarto depois de conversar com seu irmão, não só por ter se lembrado da morte de Will mas por se perceber sozinha. Quando Owen fala que ela precisa transar com alguém, ela percebe que não tem ninguém, seja Will ou seja Peter, e que ela precisa continuar seguindo em frente, deixando o passado para trás. Os King disseram na carta que explicava a morte de Will que a série é sobre a educação de Alicia Florrick. Bem, ela deixou de tentar aprender consigo mesma e agora tira as lições de lugares novos e que essa nova educação leve-a (e a nós também) a lugares inesperados.

Em tempo:

– É sempre bom rever Matan, mas Robyn já não dá as caras desde Parallel Construction, Bitches, e Carey, bem, desde o ano passado.

– Linda a blusa de Alicia que ilustra esse texto, assim como o vestido roxo que ela usa em Tying the Knot. Para quem gosta de acompanhar o figurino da série, recomendo minha mais recente descoberta, o Worn on TV.

– Eu quero uma camiseta da Chumhum!

– A cena que ilustra a review foi maravilhosa. Adoro ver como Alicia zomba dos outros quando está protegida.

– Muito bom também foi ver as faíscas entre Cary e Alicia. Cary estava ótimo e bastante presente em All Tapped Out, “chutando bundas”.

– O banheiro onde o cadáver foi encontrado era simplesmente soberbo!

– Renata diz a Alicia que tem uma teoria sobre nomes de três sílabas, o que me deixou pensando sobre nomes. Alicia tem três sílabas também, assim como os títulos dos episódios dessa temporada. As temporadas com três palavras nos títulos foram talvez as mais transformadoras para Alicia.

– Ainda sobre nomes, Finn e Will tem nomes com um padrão similar.

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