
Casos intricados e muito sendo dito nas entrelinhas sempre foram características marcantes em The Good Wife. A quarta temporada, contudo, começou mais didática, menos sutil e com casos meio bagunçados. Em Anatomy of a Joke, essa mudança chegou ao ápice ― eu espero.
Spoilers Abaixo:
The Good Wife é mais engraçada quando não está tentando desesperadamente ser. Num episódio onde sobraram piadas e ironias, a maior (e melhor) de todas foi o fato da própria série constantemente travar lutas com as normas e políticas da emissora e da FCC. Como série de canal aberto e de horário nobre, ela sofre algumas limitações no seu conteúdo, especialmente no que se trata de cenas sensuais, nudez e palavrões. Inclusive nesse episódio usaram o barulho vindo do transito caótico de fora do tribunal para abafar o vocabulário de baixo calão. Nada sutil, como pareceu quase todo o caso da semana.
Christina Ricci estava bastante esforçada, admito, mas a escolha dela para o papel da comediante em pé Therese Dodd não foi muito acertada. Mas eu acredito que a culpa estava mais no texto que na atriz. Tudo nesse caso pareceu confuso e amador, sem nunca dizer a que veio. O que apontou para uma possível vitória de Burl Preston (F. Murray Abraham) virou uma rotina de pedidos de desculpas ao FCC, um flerte estranho entre Cary e Therese e uma vitória bem mal elaborada para a Lockhart/Gardner, depois de um vacilo de Preston, que deveria ser um advogado poderosíssimo de Los Angeles, incapaz de um erro tão simples.
Além dos seios de Dodd, o pênis de Peter também ganhou foco. Novos boatos davam conta que ele tinha uma marca de nascença no dito cujo no formato do mapa do nosso Brasil. Algo tão sem noção que deixou até Eli sem palavras. A sua reação foi procurar algo obscuro de Maddie para desviar a atenção. Se quando insinuaram que ela seria lésbica já revirei os olhos, piorou com a possibilidade de ela está por trás de todo o caso Indira Starr, simplesmente porque não faz muito sentido. Ela teria apoiado Peter e depois armado esse escândalo chinfrim pra quê? Apenas para se sair como a candidata mais “integra” e detonar a campanha dele com boatos? Fora que não demonstraram em nenhum momento que ela seria esse “gênio” do mal sem escrúpulos, pelo contrário (espero mais de você, The Good Wife!). De qualquer forma, tem muita coisa mal contada no caso Indira e espero que a resolução não me decepcione. E até quando vamos ficar dando voltas em torno de um caso que a gente já sabe que é uma falácia? Acho que eles já provaram seu ponto: o quão é difícil lidar com boatos e intrigas da oposição.
Enquanto isso, Will e Diane se juntaram, armaram um plano, recrutaram David Lee e derrotaram a tentativa de Clarke vender a Lockhart/Gardner. Já ficou claro que os sócios estão resistindo às ações do administrador, achando que tão defendendo o que é seu, e isso vem gerando embates, mas aonde iremos chegar com todas essas batalhas? Além desse plot está ficando repetitivo e previsível, impossível não pensar no alerta de Burl Preston a Clarke: “Eles gostam de intriga mais do que de fazer dinheiro”. E pelo que parece, Clarke não vai mais tolerar essa atitude.
E por último e mais importante: a melhor coisa do episódio e o que o salvou nessa bagunça toda foi Cary, principalmente suas cenas com Alicia. Enquanto a temporada anterior teve um arco bacana que comparou Caitlin e Alicia, acredito que agora teremos Cary como o contraponto. Foi muito interessante ver a conversa que os dois dividiram no quarto de hotel para depois vê-lo decepcionado com o pedido de Alicia a Peter. Definitivamente, essas não são as mesmas pessoas de quatro anos atrás.
A história de Cary com seu pai, Jeffrey (John Shea) não foi excelente, mas a novidade que foi conhecer a família Agos ― que, além de seu pai e sua mãe, ainda tem Martha (Uma irmã?) ― e me fez ter gostado dessa história, talvez, mais do que eu deveria. Fiquei um pouco decepcionada quando Cary finalmente confrontou seu pai. Falar sobre telefonemas em aniversários não é o melhor diálogo da tevê, mas eu fiquei contente.
Ao contrário do episódio passado que apesar dos vários enredos conseguiu equilibrá-los e ser coerente e coeso, a sensação que Anatomy of a Joke deixou foi de desordem, um episódio confuso e disperso, mas que teve seus méritos.
Mais alguns pontos:
– Bom tem a capitã Hellinger de volta, agora em traje civil, só que suas cenas ficaram muito deslocadas no episódio. Pelo menos serviu para mostrar que Peter facilmente usa do seu poder público para seu interesse particular, e Alicia não só aprova como adora e se beneficia também. A presença de Laura na promotoria deve gerar novas histórias, assim como sua amizade com Alicia.
– Geneva Pine voltou! Seu retorno me fez sentir falta do time da promotoria. Quem não adorava morrer de raiva de Matan Brody? Mas eu acho que o retorno de Geneva serviu para mostrar que a prontidão de Peter em contratar mais uma pessoa branca para um cargo que poderia ser dado a alguém de sua equipe atual, com muitos negros, voltará a assombrá-lo durante a campanha.
– Kalinda mudou de penteado depois de quatro anos.
– A piada com Fix You, do Coldplay, me lembrou disso aqui.
Promo do próximo episódio:














