
Um episódio bem no estilo de The Good Wife.
Spoilers Abaixo:
“Que estilo é esse?”, é o que você, leitor, pode estar se perguntando no momento. Para entender o que é esse tal estilo, se faz necessário esse parágrafo explicativo. A série, desde seu início, sempre girou em torno de três grandes áreas: a jurídica, que envolve tanto os pré-julgamentos, pós-julgamentos e os julgamentos em si, como também as tramas na firma Lockhart & Gardner, onde Alicia trabalha; a política, que envolve Peter Florrick, Eli Gold, Glenn Childs, Wendy Scott-Carr e a campanha (suja) pela promotoria; e, por fim, a familiar, que abarca tantos os filhos de Alicia, os amigos e interesses românticos deles, e Jackie, sua sogra, além do seu irmão Owen. É o encontro dessas três grandes áreas no mesmo episódio que caracteriza o tal estilo da série. Se você compreendeu, podemos então seguir para o que houve de tão bom nesse episódio no parágrafo seguinte.
Primeiramente, adorei o fato de que o “protagonista” do episódio foi o Cary. Nunca neguei que, na série, ele é o personagem com quem mais me identifico (sim, eu sou um canalha que gosta sempre de vencer). Então, ter a perspectiva da promotoria num caso foi diferente; e sabemos bem que quando se trata de algo “diferente” em The Good Wife, é sinal de que veremos um episódio bom. Infelizmente, analisando por esse aspecto, as várias tramas que se desenvolveram paralelamente no episódio, acabaram eclipsando a trama jurídica, que era justamente onde Cary e sua colega Geneva estavam brilhando.
Um ponto positivo foi a trama ter tocado num recurso muito utilizado pelas promotorias: a da delação premiada, onde um preso de menor potencial criminoso faz acordo com a promotoria para entregar seu superior ou chefe da organização (Tradução: se larga o “peixe pequeno”, para se tentar pegar o grande). Outra questão foi a do baixo orçamento da promotoria, que entrava em contraste com a da Lockhart & Gardner. Afinal, a promotoria, ao contrário da firma, só pode contar com o trabalho pericial da polícia e com o material humano que ela lhe oferece. Em suma: eles não têm uma “Kalinda” para chamar de sua. Era isso que causava, não só enorme frustração em Cary, como também servia de incentivo para que ele considerasse a oferta de retornar a sua antiga firma.
Pelo o que se deu a entender no fim do episódio, Childs pretende valorizar mais sua “arma secreta” contra a Lockhart & Gardner, o que poderá frustrar os planos de Diana mais a frente. Só mesmo mais adiante para sabermos qual será a decisão que Cary tomará quanto ao seu futuro. Em quanto o “dia D” não chega, o promotor marcou mais uma vitória sobre a firma e sobre Alicia. Bom para ele.
Por sua vez, Alicia, que foi a oponente de Cary (como sempre) nesse episódio, apenas bateu o ponto no tribunal. No começo ela ainda chegou a desenhar aquela mesma profissional que já ganhou vários casos do rapaz, mas tudo isso mudou de figura da metade do episódio em diante. Depois que a candidata Wendy chegou a ela com um cartaz difamatório sobre seu filho (comentarei melhor sobre isso mais a frente), Alicia ficou mais focada em proteger sua família e de saber a verdade sobre a informação dada pelo cartaz, do que em derrotar Cary. Outra questão que chamou a atenção da advogada foi o pedido de Peter para que eles voltem a compartilhar a cama. Sabendo nós telespectadores o que sabemos, essa seria uma decisão complicada, especialmente porque Alicia ainda sente algo por Will. Mesmo assim, no final, ela ter deixado a porta aberta do quarto, soou como um convite silencioso para que seu marido retornasse de uma vez por todas. Veremos como isso será desenvolvido.
Na Lockhart & Gardner, Will e Diana continuam preparando seu grande golpe, convocando e contando suas tropas contra Derrick, que pelo visto anda aceitando dinheiro independente de que cliente ele venha. O retorno do traficante Bishop a trama demonstra que os roteiristas possuem planos maiores para o personagem. Tanto é que ele contribuiu ativamente para que Cary vencesse a firma no julgamento que supostamente lhe beneficiaria. Enquanto essa conspirata não chega ao seu ponto culminante, vamos se divertindo com a dissimulação e as falsas brigas dos sócios.
Na área política, todos os candidatos e Eli voltaram a participar ativamente da série. Já fazia um tempo que a campanha política, que se mostrou a todo vapor, estava um tanto quanto eclipsada nos episódios. Felizmente, ela não só voltou a pauta principal, como trouxe o pior lado da política (tem um lado bom?) junto. A guerra por eleitores mostra-se cada vez mais impiedosa, e os ataques pessoais só aumentam. Justamente por isso Wendy convocou informalmente uma reunião com o candidato oponente Childs para tirar essa história a limpo. Como o chefe da promotoria lavou as mãos quanto à divulgação do cartaz ofensivo, a mulher mirou seu canhão onde iria doer em Peter: sua amada esposa. Ameaçando-a, Wendy deixou claro que ou Alicia usava qualquer influência que tivesse sobre a campanha do seu marido para dar fim aqueles cartazes ou a campanha de Wendy devolveria na mesma moeda. O resultado disso tudo, após um trabalho investigativo de Eli, foi o rompimento da campanha de Peter com o comitê que estava os financiando, o que provocará a retirada do candidato da disputa precocemente, ao menos que eles arranjem urgentemente um forte patrocinador.
Por fim, no ambiente familiar, ficou claro que Zach não engravidou a vadia da Becca, e que, portanto, o que foi dito no tal cartaz não era verdadeiro. Ponto para Eli que usando bem suas fontes, descobriu que a garota estava dormindo com um professor na época em que ficou grávida. Acho um tanto quanto curiosa essa obsessão da Becca pelo Zach. O rapaz não parece mais estar interessado nela, mas ela simplesmente quer voltar com ele a qualquer custo. Se os roteiristas continuarem por esse caminho, é bem provável que a garota ainda renda muita dor de cabeça a família Florrick.
Conclusão: The Good Wife retorna após uma breve pausa com mais um episódio consistente, mantendo no geral o nível da série na atual temporada, além de avançar mais um pouco na trama. Até a semana que vem.
P.S: Adorei quando Alicia indagou Kalinda (“Você já se sentiu como se estivéssemos do lado errado?”), e a investigadora responde: “Sempre.”














