Os piores melhores humanos estão de volta.
Viver é uma tarefa muito difícil. Sendo obrigados a conciliar vida social, trabalho e momentos de autossuficiência, (sobre)vivemos diariamente preocupados com o presente, o futuro e as consequências do passado que podem bater na nossa porta a qualquer instante. Com uma correria e pressão constante, às vezes agimos de maneira que nos arrependemos depois e deixamos passar momentos e pessoas que deveríamos ter dado mais valor, desejando que tivéssemos uma segunda chance e jurando que faríamos muito melhor. Entretanto, será que faríamos mesmo?
Recebendo uma vida bônus e tendo a chance de mudarem após quase morrerem, a esperança de que Eleanor, Chidi, Tahani e Jason ganhassem pontos para ir para o Good Place reina por um pequeno espaço de tempo, afinal conhecemos muito bem nessas duas temporadas esses seres humanos imperfeitos e sabemos que é muito difícil que eles não cometam o mesmo erro, o que rapidamente acaba acontecendo.

Quantas vezes já tentamos ser pessoas melhores, passar por cima das nossas inseguranças, raivas ou qualquer outro sentimento que nos agarrasse, mas receber em troca um total exato de 0 gratidão, amor ou qualquer reação boa? Quem nunca jurou de pé junto que o universo estava conspirando contra seu favor?
Ser uma pessoa boa não é fácil. Superar seus defeitos, vícios e imperfeições é uma tarefa árdua. Não obstante, existe uma característica mais humana do que a imperfeição? Os humanos estão sempre em desenvolvimento, buscando melhorar, ainda que ao seu modo, dando sentido para sua vida e para sua caminhada nesse mundo, antes de ir para um lugar bom, ruim ou o completo vazio. E é por meio de piadas relacionadas a essa imperfeição que The Good Place se diferencia de outras comédias, nos fazendo refletir sobre nossas atitudes, uma vez que é muito fácil se relacionar com a Eleanor, Chidi, Tahani ou o Jason e entender que eles são pessoas boas, ainda que aparentem em muitos momentos não ser.

Assim, o empurrão de Michael para que eles se encontrassem era essencial, trazendo de volta aquela sensação da primeira temporada em que eles ainda estavam se conhecendo e suas ignorâncias sobre o que está em jogo proporcionava diversos momentos hilários, sem que eles avaliassem se a atitude era boa ou ruim. Como a juíza disse uma vez, você não deve fazer uma ação boa por saber que é certo fazê-la, mas simplesmente por ser uma pessoa boa. Dessa forma, a segunda experiência dos quatro na Terra gera a verdadeira chance de eles serem bons por apenas serem pessoas boas, não tendo consciência de que estão pontuando positivamente ou negativamente a cada segundo.
Não obstante, desde o início estava claro que uma hora Michael seria pego nessas diversas viagens a Terra, principalmente após demorar muito tempo, deixando a sala de controle vazia, sendo surpreendente apenas a rapidez com que tudo aconteceu. The Good Place nunca teve medo de mudar rapidamente seu plot e virar tudo de ponta cabeça, porém com apenas 2 episódios, iniciar e finalizar tantos planos é uma atitude extremamente corajosa e que demanda muita criatividade para não deixar a sequência chata ou sem sentido.
E o brilhantismo da série se sobressai na forma com que eles acabam e iniciam novos plots, utilizando da humanidade presente nesses seres imortais para tomar decisões absurdas, afinal quem não se relacionou com a Janet extremamente ansiosa tentando usar os poderes ou riu do porteiro ajudando o Michael simplesmente por ter gostado do presente? Utilizar da obsessão por sapos, o vício da juíza em programas de TV, o bar extremamente estereotipado que remete aos Estados Unidos e outras referências extremamente mundanas, permite que meros detalhes sarcásticos do episódio se tornem meios importantes para modificar o plot e nos surpreender positivamente.
> Bom gosto pra SÉRIES é relativo? feat Alice Aquino!
The Good Place vem mostrando o motivo de ter sido uma aposta da Netflix e já mando good vibes para que essa parceria continue, pois as audiências das séries da NBC estão cada vez piores. Com Michael e Janet na Terra, não consigo nem sequer imaginar como eles poderão ajudar, uma vez que todos já conhecem seus rostos e a juíza deve fazer algo para captura-los. No fim apenas espero que Maya Rudolph continue aparecendo, pois sua adição e todo o seu jeito de falar, utilizando referências, debochando do Rei do Show, do Brexit, do Jacksonville Jaguars foi uma renovação de energia para a série.
“Good” points:
– Obrigado The Good Place por mostrar que não precisa existir um romance e que a amizade de Chidi e Eleanor é o suficiente para que eles se ajudem.
– Ainda bem que o Trevor já foi embora, Eleanor me representou em cada momento desse episódio.
– Podemos continuar shippando Eleanor e Tahani? Podemos né, ok.
– Michael não conseguindo pensar em uma resposta na hora da briga me representa demais.
– Simone ícone. Por favor, não coloquem um triângulo amoroso e a façam sofrer.
















