Precisamos falar sobre Claire.

Obrigada a ser mãe de sua mãe desde pequena, Claire amadureceu muito rápido e assumiu responsabilidades que não deveriam ser suas. Tendo que cuidar daquela que deveria ser sua protetora, responsável e guia, o peso da “vida adulta” chegou para ela sem qualquer um ao seu lado para te dar respostas às infinitas perguntas que vinham em sua mente, principalmente aquela dúvida sobre o porquê de sua mãe ser assim e se ela era a culpada por tudo isso.

Buscando sempre ser perfeita para que a mãe não tivesse que lidar com qualquer problema, é possível compreender o motivo de Claire ser agora uma médica tão perfeccionista e cobrar tanto de si mesma. Claire nunca pôde errar. Claire nunca pôde considerar a possibilidade de um erro, pois ela só tinha a própria mente para achar uma solução.

Ainda que consigamos compreender que a mãe de Claire deseja ficar bem pela filha e que não é fácil lutar contra uma doença e um vício, é injusto pedir que sua filha permaneça confiando em sua recuperação após muitos anos acreditando e quebrando a cara. A cirurgia era uma nova etapa, cheia de possibilidades e possíveis complicações, porém a descrença em sua mãe era, para Claire, apenas mais um ciclo que ela aprendeu a viver durante anos.

Como numa montanha russa, em altos e baixos, Dra. Browne foi retirada da cirurgia e recolocada no mesmo momento em que uma ponta de esperança em sua mãe, que já havia sido apagada há um tempo, retornou. Finalmente o universo pareceu sorrir para Claire e a luz no fim do túnel pareceu cada vez mais perto. Infelizmente, mal sabíamos que a luz estava mais ligada a uma batida de carro que mudará a vida de Claire para sempre.

Muito mais do que ver que sua mãe teve uma recaída e agora está morta, a imagem da única garrafa guardada no armário por ela assombrará seus pensamentos trazendo uma culpa avassaladora. Ainda que saibamos que Claire não teve culpa, as emoções humanas nem sempre acompanham a lógica e nessa situação é quase impossível pensar racionalmente. Enquanto ela estava pela primeira vez no comando de uma cirurgia salvando uma vida, a outra vida que ela salvou desde pequena se foi.

Sendo amiga de todos, resolvendo o problema de Park e Morgan e tirando seu tempo para tentar compreender e acalmar Shaun, Claire merecia toda a felicidade do mundo e aquela garrafa para celebrar. Em uma vida conturbada, em que ela teve que ser duas vezes melhor do que todos, como a Lim disse, Dra. Brown precisará agora que todos a ajudem, pois a armadura que ela criou durante tantos anos provavelmente irá se quebrar.

Mostrando um pouco a importância da terapia nesse episódio, espero que a série aprofunde mais o tema nos apresentando por meio das sessões as várias camadas dessa personagem tão incrível e completa. Considerando ainda que Shaun entende o que é perder uma pessoa importante e se sentir culpado por um tempo, espero que essa amizade maravilhosa só cresça e que Murphy agora devolva todo o amor e cuidado que recebeu, a ajudando.

Com seu jeito sério e bobo ao mesmo tempo, Claire conquistou todos e carregou um episódio com seu nome com facilidade. Sendo uma personagem complexa, interessante e extremamente identificável, o roteiro conseguiu nos envolver, nos fazendo comemorar o sucesso da cirurgia e abrir um sorriso com a selfie e a dança no corredor, como se estivéssemos no lugar dela. Com uma personagem bem construída e um roteiro bem trabalhado, o final avassalador atingiu a todos, mesmo que conhecêssemos há pouco tempo a mãe da Claire.

Sendo o nome do próximo episódio Take My Hand, The Good Doctor provavelmente nos reserva muitas cenas emocionantes no desenrolar do luto de Claire. A oportunidade de explorar a personagem e o impacto que ela fará nos colegas poderá elevar a série a outro patamar, não se limitando aos ótimos casos médicos da semana.

REVISÃO GERAL
Nota:
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