“Não se nasce mulher, torna-se mulher.”
– Simone de beauvoir
Em tempos como o que vivemos atualmente, a discussão acerca do machismo entranhado na sociedade é de extrema importância. Se em alguns lugares as mulheres possuem bastante poder de escolha, em outros a submissão não é apenas comum como algo louvável por aqueles que ali habitam. Em contrapartida, em qualquer lugar do mundo, os homens sempre se encontram em posição de poder, muitas vezes ditando o que a mulher é ou deixa de ser, e como ela deve agir para ser respeitada.
Considerando que não é meu lugar de fala, afinal sou homem, se eu explicasse o que é o feminismo eu estaria fazendo mansplaining em relação às leitoras femininas, bem como estaria tentando dizer sobre algo que não consigo e nunca conseguirei entender completamente. Por esse motivo, prefiro comentar sobre toda a questão abordada por meio da percepção, como homem, do machismo que fui ensinado ao longo de toda a minha vida.
Melendez e Park não são homens machistas, babacas e que procuram diminuir uma mulher para se sentirem bem com suas masculinidades. Entretanto, como claramente percebido na sala de operações, o machismo muitas vezes se manifesta em forma de piada ou comentários aparentemente bobos, dando a impressão de que não há problema falar e agir de certas maneiras.
Acredito que essa falta de percepção se dá por dois motivos. Em primeiro lugar, desde pequeno esse machismo camuflado ocorre diante de nossos olhos, sem que alguém reaja de forma negativa, sendo, na verdade, muitas vezes a razão de risos e gargalhadas. Assim, essas ideias são incitadas na nossa cabeça como práticas comuns e que até mesmo devem ser feitas de vez em quando para ser engraçado. Porém, a questão é que não é engraçado, e aí adentramos o segundo motivo.
Nenhum, nenhum, NENHUM homem jamais saberá o que uma mulher sofre por causa do machismo. Da mesma forma que brancos nunca compreenderão perfeitamente as dores do racismo e héteros não entenderão 100% as consequências da homofobia em um LGBTQ. Não obstante, como “36 hours” mostrou de uma forma delicada e muito bem desenvolvida, há uma possibilidade de melhora. Melendez fez comentários no início que poderiam ser ditos sem qualquer problema antigamente ou em alguns locais atuais, porém no momento em que vivemos e nos Estados Unidos, um dos países em que o movimento feminista é muito presente, não há mais espaço para isso, as mulheres claramente não permitirão ser submissas ou sofrerem desigualdades sem qualquer outro motivo que não seja o gênero.
Dessa forma, ou o homem percebe seu local de privilégio, busca amigas para aprender e tenta se policiar nos seus discursos e nas suas ações, ou ele continua sendo machista, e já sabemos que machistas não passarão, ou assim esperamos. Felizmente Melendez confirmou minha impressão de que é um homem bom e percebeu seus erros, buscando rapidamente tentar compensá-los antes que as duas mulheres ao seu lado sofressem consequências negativas sem qualquer motivo. Espero que a série continue abordando tais questões e que essa enfermeira apareça mais vezes, pois rainha faz assim, mal chega e já rouba a cena.
“O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos.”
– Simone de beauvoir
O machismo nos homens é algo extremamente fácil de ser notado, uma vez que acontece de forma descarada em sua grande maioria, porém uma mulher pode ser machista também, sendo às vezes mais opressora do que o próprio homem. Considerando que a cultura machista está impregnada na sociedade, tanto homens quanto mulheres são ensinados desde pequenos a agirem conforme essa cultura doentia.
Nesse sentido, o feminismo muitas vezes é visto erroneamente como um movimento extremista e que busca a ascensão feminina e a queda masculina, confundindo-se com o femismo. Assim, vemos mulheres oprimidas diariamente continuarem cegas pela sociedade, apoiando o opressor e até mesmo agindo a seu favor.
> SÉRIE MAIS IMPORTANTE DA HBO!
Dra. Lim já havia mostrado ser uma personagem maravilhosa no último episódio, porém nesse pudemos perceber que Audrey tem personalidade e atitude para levar um plot nas costas, abrindo espaço para discussões e cenas extremamente importantes e interessantes. Ainda que seu desacato não tenha sido uma boa ideia, pois não a ajudaria em nenhum momento, a sua postura mostrou que ela não abaixará a cabeça para ninguém, pois esse tempo já passou. Audrey representa milhares de mulheres que saem nas ruas cobrando seus direitos e organizando movimentos democráticos históricos. Dra. Lim é uma profissional e pessoa excelente. Espero que ela consiga essa promoção e continue ganhando espaço. Se bem que com toda essa força dela, nem há com o que se preocupar, pois será muito difícil alguém pará-la.

The Good Doctor continua seu segundo ano de forma brilhante, deixando o Shaun de lado um pouco para abordar um tema extremamente importante, mas sem ignorar seu plot princiapl, mostrando que o personagem não tem passe livre em suas ações por ser autista e que ainda que Lea seja uma pessoa incrivelmente boa, ela também possui sentimentos e tem todo o direito de se magoar com Shaun. O desenvolvimento dos personagens com exceção de Andrews está se mostrando o maior acerto de David Shore, demonstrando que o roteirista sabe muito bem aliar casos interessantes ao crescimento profissional e humano de cada um dos envolvidos. E assim, começamos a ver com quantas “fraquejadas” se faz uma revolução.






















