Um recadinho que define uma série.
Acho que se pode dizer que, apesar da audiência mediana (porém estável), The Goldbergs é uma das séries de comédia mais sólidas desta Fall Season. Longe de mim ter assistido a todos os pilots como um monte de gente faz e eu não sei como essas pessoas arranjam tanto tempo, mas o fato é que TG começa 2014 cheia de promessas que nos entregou em 2013: promessas relativas a roteiro, desenvolvimento de personagens e, claro, de continuação do que já deu certo, como as excelentes referências aos anos 80 e as ótimas interpretações de, basicamente, o elenco inteiro. Não me canso de falar sobre o quanto a série tem potencial e do quanto ela merece uma segunda temporada para mostrar esse potencial com toda a sua força. Quanto à renovação, eu [infelizmente] não posso prever nada, mas faço questão de fechar 2013 com chave de ouro falando dos nossos 2 últimos episódios do ano.
1×10 – Shopping
O episódio 1×10 já começou com 2 gratas surpresas: a cena em que os filhos Goldberg fazem a farofada dos colchões no supermercado e a perspectiva de um episódio focado na Erica, o que, de fato, aconteceu. Diria que só consegui analisar o potencial de atuação da Hayley Orrantia por causa dessa narrativa e confesso que não achei que ela é uma atriz tããão boa, afinal de contas. Senti falta de um pouco mais de força e atitude nessa Erica que já se mostrou bastante chata e subversiva, mas reconheço que um ator pode melhorar e muito no decorrer de uma série, então, aguardemos. Confesso que aconteceu uma identificação nesse aspecto de ela querer arrumar um emprego pois não aguenta mais pedir dinheiro aos pais. Esse é um desejo que atinge qualquer jovem e que se torna insuportavelmente desesperador quando o dito jovem já teve um emprego e não tem mais (eu). Gostei do plot com a Bevy e acho que até mais do que as cenas hilárias em que mamãe Goldberg perdeu totalmente o controle no que tange a desconto, os melhores momentos do episódio foram os de reconciliação entre as duas. Aquela cena em que Bevy confessa que seu maior sonho era ter uma família quase fez escorrer uma lágrima do meu olho direito, pois me identifico bastante com ela e acho lindo isso de a pessoa simplesmente querer casar e ter filhos. É engraçado como ser uma mulher “tradicional” nesse sentido pode ser motivo de riso e preconceito hoje em dia, mas uai, até onde eu sei as lutas pela liberdade feminina abrangem todas as pessoas do sexo feminino, então se Josefa pode escolher ser dona de uma multinacional, eu posso escolher passar a camisa do meu marido e trocar fraldas, e nenhuma dessas opções é melhor do que a outra, não é mesmo? Sonho é que nem gosto e paixão por Doctor Who: não se discute.
A ideia de juntar Barry, Adam e Pops em um só plot foi interessante, mas não me recordo de ter gostado de nada em especial nessa história. Não me interesso por apostas em cavalos e me pareceu meio desnecessário o Pops tentar mostrar ao Barry que ele é sortudo, afinal, todo mundo passa por uns períodos meio desafortunados às vezes, né? Isso é normal e faz a pessoa tomar vergonha na cara. Simples. Aproveito para comentar sobre as participações sempre estratégicas do Murray, seja definindo “moda” como “gostar de azul” ou ajudando a reconciliar mãe e filha. Ah, vai, o Mur é um fofonildo! E Wendi McLendon, mais uma vez, concentrou todas as atenções do episódio em cenas que só uma atriz competente conseguiria transformar em algo realmente incrível, como ela em estado de êxtase após saber sobre o desconto da Erica na lojinha ou ela detida no shopping. Sério, O QUE FOI AQUELE VÍDEO? Um dos melhores momentos da série até agora!
1×11: Kara-Te
Sem dúvida, gostei mais desse décimo primeiro Doctor episódio. Os plots foram bem elaborados, prenderam minha atenção e tiveram ótimas conclusões. Desta vez, tivemos um único evento ao redor do qual giraram todos os personagens da família. Bevy e Murray tentaram mudar o destino de Barry (artisticamente dirigido por Adam) no Show de Talentos enquanto Pops insistia para que Erica entrasse no tal Show. O roteiro realmente decidiu estabelecer que Bevy é uma freak que vai fazer de tudo para que seus filhos nunca derramem uma lágrima e sempre consigam o que querem. Isso me dá um pouco de medo em relação aos psicopatas nos quais Adam, Barry e Erica podem se tornar, mas enquanto o Mom Goggles dela (tradução literal: óculos de segurança de mãe) ficar bem estabelecido e convincente dentro do universo da série, tá valendo. E é sempre bom ver Wendi McLendon surtando, né? Estou cada vez mais encantada com ela e seu trabalho excelente na série. Vale comentar também que o 1×11 foi o segundo episódio seguido com um enfoque na Erica, o que ajuda a fortalecer o personagem e torná-lo relevante. AMEI a performance de “Hit Me With Your Best Shot”, clássico dos eighties que é tão clássico que até eu já conhecia. E foi impressão minha ou a Hayley canta e toca bem mesmo?
Troy Gentile apresentou seu melhor desempenho em um episódio até agora. Desde sua cena inicial tentando aprender caratê à sua cena final cantando soul e sendo idolatrado por Bevy: tudo funcionou a seu favor neste 1×11. O plot dele teve cenas bem divertidas e isso é bastante positivo, visto que eu estava incomodada com a ausência de um aspecto bem básico de séries de comédia: o humor. Também fiquei feliz por ver a escola em que os irmãos Goldberg estudam pela primeira vez. A inserção de mais um ambiente na série é ótima, pois mostra que houve um incremento no orçamento da produção e ainda amplia bastante as possibilidades de narrativa, o que já aconteceu com a introdução do Mr. Glascott, o professor mais dedicado e entusiasmado com a profissão ever. Gostei do personagem e gosto da perspectiva de ele ser mais um mal-humorado, pessimista e rabugento na série. Murray também mostrou que não é um pai tão desnaturado assim e foi correr atrás da salvação social de Barry baseado no seu próprio mico. Esse tipo de enfoque no lado mais emocional e paterno do Mur é bem legal, afinal, na maior parte do tempo parece que ele odeia até a escova de dente que utiliza todos os dias (mas a gente sabe que ele é só amor, né? <3). Inclusive, COMO ASSIM Barry duvidou da capacidade cômica do nosso amado papai? Só ele não vê o tesouro que tem em casa???
De resto, o Pops mais uma vez atuou como Fada Madrinha dos netinhos e isso é bastante verossímil, porém quero ver mais histórias em que ele seja o protagonista, como aquela em que ele usou o quimono vermelho çemssual. Também não pude deixar de perceber que o irmão da Dana Caldwell (aos esquecidos, a boyzinha do Adam no 1×05) apareceu novamente e eu só sei que aparentemente tenho uma crush nesse menino porque ele só apareceu durante uns 5 segundos até agora, mas eu adoro o personagem. E acabei de ver no IMDB que ele tem 16 anos e estou absolutamente assustada comigo mesma.
E assim, The Goldbergs encerra sua temporada 2013 cumprindo exatamente o que diz o recadinho que o Pops deixou para a Erica: não sendo cool ou a série mais aguardada da Fall Season ou a mais comentada ou até a mais brilhante. The Goldbergs nunca será a nova Modern Family, mas talvez seja exatamente o que se propõe a mostrar: uma diversão descompromissada e inteligente para a família inteira, sempre com um toque vintage que provoca identificação e nostalgia em muita gente. Isso é The Goldbergs e é por isso que a amamos.
Quanto a nós, terminamos nossa fase 2013 de episódios e de resenhas por aqui, pessoal! Queria agradecer por todo o carinho e toda a participação de vocês, de coração. Quando comecei como reviewer, NUNCA que eu imaginei que meus textinhos feitos no Word semanalmente viriam a ter essa repercussão toda. Vou sentir saudades de comentar sobre nossa família piri-piradinha, mas espero que dê pra aguentar até 07 de janeiro de 2014, data em que TG retorna com episódios inéditos! No mais, um Feliz Natal a todos e um ano novo cheio de resenhas e renovações para nós!
Em tempo de demo: TG atingiu seu series low (menor audiência da temporada) no 1×10, marcando 1.4 na demo. Felizmente, nosso presente de Natal chegou adiantado e a demo marcou 1.6 no 1×11, ou seja: totalmente dentro da faixa de estabilidade da série! #ABCRenovaTheGoldbergsPeloAmorDeDeus
Em tempo de fandom: Have Yourself a Merry Little Christmas curtindo a fan page The Goldbergs Brasil.
Em tempo de eighties 1: “ESTA PRISÃO NÃO PODE ME PARAR! ME DEIXEM SAIR! VOCÊS PODEM TER APRISIONADO MEU CORPO, MAS NÃO APRISIONARAM MINHA MENTE!!!!”
Em tempo de eighties 2: “Olha, eu não quero encher muito a minha bola, mas eu acho que vai ser o maior momento na história de todas as coisas.”
Em tempo de eighties 3: “Cara, você precisa se educar. Veja mais filmes.”. Conselhos preciosos de Barry Goldberg para todos nós.
Em tempo de eighties 4: “EU TENHO OS FILHOS MAIS TALENTOSOS DO MUNDO! MAIS TALENTOSOS QUE OS SEUS, MAIS TALENTOSOS QUE OS SEUS! MEU DEUS DO CÉU!!!”














