A vida é uma caixinha de surpresas.
Já dizia o narrador da sorumbática história de Joseph Climber e bem antes dos Melhores do Mundo, nossos avós já nos contavam que a vida é uma caixinha de surpresas. Mas quem constrói a surpresa não é o acaso, são as escolhas (não apenas as nossas) que pesam e temos que enfrentar as consequências dessas decisões.
Escolhemos nos afundar em problemas ou nos esforçar para sair do fundo do poço, é claro que nada é simples quando se trata da complexa mente humana, mas o que The Fosters coloca à mesa nesta temporada é o conflito real entre a confiança e o medo.
Mais uma vez, o roteiro é coerente em apresentar a evolução dos personagens, que enfrentam seus gigantes mesmo tendo em mente que podem sair derrotados da batalha. Esse caminho funciona perfeitamente com Mariana, mas nem tanto com Brandon. Para Jude fica o seu próprio receio de não saber em que solo está pisando ou que inimigo estará enfrentando nesta guerra.
A insegurança de Callie a faz conhecer Aaron, um estudante de direito interpretado pelo ator transgênero Elliot Fletcher (Faking It). Acredito que o envolvimento entre eles fará a relação de Callie e A.J. estremecer um pouco e acho ótimo quando a série segue esta direção sem Brallie. Ao mesmo tempo, o novo projeto de Callie para conseguir o diploma desenterra alguns fantasmas de seu passado como o estupro de Liam e a rejeição da casa de Kyle. Parece que teremos mais um episódio de CSI: San Diego estrelando Capitã Callie Fosters.

O plot de Brandon continua desagradável, mas pelo menos ele mudou de ares saindo de casa e agora, tenta assumir o papel de marido e padrasto no auge de seus 18 aninhos. Provavelmente, o rapaz vai levar na cabeça ao fim dessa briga judicial pela guarda do filho de Courtney. Pelo menos ele sabe que a família reprova a sua fuga, porém o aceitará de braços abertos quando tudo der errado.
O que mais me surpreendeu nestes episódios em The Fosters é ver que Jesus pode ser um personagem interessante de vez em quando. O papo de amizade colorida com benefícios com Emma não me convence em sua exclusividade, o meu lado conservador diz que isso é apenas uma forma infantil de fugir de um compromisso e das responsabilidades envolvidas em uma relação. A cena que achei tocante envolveu a sua relação com o pai biológico, quando os dois percebem que sentiram falta um do outro durante os 16 anos que se passaram, traduzido em um abraço.
A empatia com Mariana é algo inevitável, afinal quantas vezes não nos amarramos em nossa omissão para evitar machucar alguém que amamos. A garota faz um ótimo discurso anti-bullying, mas continua acorrentada a Nick como a luz no fim do túnel de esperança do rapaz. Quero saber se ela irá se abrir com as mães e com Matt a respeito do seu papel na recuperação mental do ex.
Finalmente, The Fosters foge dos clichês e faz uma base interessante para o desenvolvimento da temporada. Na vida da família Adams-Foster, cada semana traz um novo aprendizado aonde é possível o telespectador se conectar. Enfim, a vida é uma caixinha de surpresas que abrimos diariamente, é importante saber que a embalagem não revela o conteúdo.

















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