Amor e paciência: Aprendendo com Jó.
A dificuldade em superar frustrações nos enfraquece e nos torna mais suscetíveis a falhar e a cada tribulação superada somos entregues a um novo teste de paciência. Assim, é possível obter a sensação de dever cumprido, desde que se mantenha distância da solidão. Usando algo maior como a fé ou até um novo sonho, o conformismo acaba surgindo e com ele, a vitória não aparenta estar tão longe quanto antes.
O exemplo de alguém que esperou tanto por coisas boas após sucessivas tragédias pessoais está na figura de Jó. O personagem bíblico passou por maus bocados antes de reencontrar paz em sua vida. É pior perder tudo o que se tem depois daquele sentimento de plenitude a cada vitória conquistada. Assim, aprendemos a lição de que há vantagem em se ter pouco, pois também significa um risco menor de se frustrar com a ausência.
Jó era o maior de todos do Oriente e perdeu instantaneamente seus bens e seus filhos. A pequena Mariana – tadinha – só queria um romance adolescente e custou uma temporada para conquistar o coração de um rapaz e a simpatia do público. A tragédia pessoal de Mariana foi bem desenvolvida nesta segunda etapa, tanto que até me esqueci do descontentamento inicial com a personagem. O roteiro mostrou o amadurecimento da personagem, que finaliza a temporada de cabeça erguida para novos dramas. Será que é o fim de Marizac?
É impossível imaginar a perda de sete filhos e a dor imensurável que isso causou a Jó. Mas deve ser um sentimento oposto à alegria de Stef e Lena ao saber da chegada do sexto Foster. Não me cansarei de dizer que a química do bem que existe entre as atrizes é um grande triunfo desse primeiro ano. O drama com Timothy continuará, e com certeza a gravidez de Lena trará mais barreiras ao casal, além da sempre presente “cama pré divórcio”.
A saúde quando afetada também atrapalha qualquer ser humano, e por vezes interfere nas relações mais sensíveis. Jó não se deixou abalar pelo enfraquecimento, mas Jesus (não o filho de Deus, estamos falando daquele que não está na bíblia) teve que voltar a tomar os seus medicamentos. Pelo menos assim teremos um personagem mais suportável na próxima temporada, sendo que Emma deve contribuir muito para isso.
Podemos comparar facilmente as úlceras insuportáveis que atingiram Jó a um único personagem. Não estou falando de Vico, muito menos de Talya. Estou falando de um cara com o mesmo nível “jackass” de ser, que merece até nome aportuguesado na review pro ódio virar humor, senhorito Brandão. Como se não bastassem os desserviços dados à segunda metade da temporada, o rapaz dispensa Callie e dorme com a namorada (ou ex) do próprio pai. O atrito na relação com o pai será inevitável e a as portas ficaram escancaradas para Wallie (alegria de muitos telespectadores). Infelizmente, não sinto pena de Brandão pela agressão ou pelo rapaz não poder tocar na sinfônica, agora ele vai voltar pra casa um pouco ferido. Tomara que essas úlceras sejam curadas logo.
A alegria e a paciência formam um par de muitas brigas e discussões, como irmãos. Semelhante a Jude e Callie, há momentos de distanciamento, mas um não vive sem o outro. Callie é a figura que representa perfeitamente a paciência de Jó, certos aspectos em sua vida conspiram contra seus desejos, mas ela segue firme em sua “fé”, se forçando a crer que as coisas são como devem ser. O brilhante conselho de Rita a restaura logo depois do momento mais emocionante do episódio, quando ela se anula em prol da felicidade do irmão. Sublime. Judeicorn dá sinais claros do que o aguarda daqui pra frente, e fica o receio de como o roteiro tratará a sua relação com Connor.
O questionamento que fica até junho é o que aconteceu entre Ana Suborno e Mike Pinga…
Reestabelecendo tudo o que Jó havia perdido, The Fosters consegue voltar aos eixos em uma temporada que deixa claro que é possível qualidade em uma emissora subestimada como a ABC Family. As virtudes foram superiores aos descompassos, sendo que a nossa paciência não foi testada (e espero que nunca seja). Assim, não vamos exigir dessa série a complexidade de séries da HBO ou a afinação de elenco da AMC, basta uma conexão familiar realista e um roteiro que a trate com maturidade e leveza.
Agradeço a todos que acompanharam as reviews desta primeira temporada aqui no Série Maníacos, com suas críticas, comentários, compartilhamentos e a paciência de Jó. Daqui a dois meses teremos a estreia da segunda temporada e continuaremos a comparar os dramas da família Foster com os nossos.















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