The Flash abre as portas para o crossover anual da DC na CW, com um episódio SUPER divertido.
Já se tornou uma tradição. Desde Invasão a DC está fazendo o possível para trazer referência a suas séries de televisão e agraciar fãs das produções televisivas e histórias em quadrinhos, com episódios abarrotados de ação, efeitos especiais e bons momentos – DC no cinema, eat your heart out. Neste ano Elseworlds começa com uma trama dedicada a um mundo completamente novo e bizarro, em que Oliver Queen e Barry Allen tiveram suas vidas trocadas. E com interações válidas e uma música especialmente inserida para nos fazer encher os olhos de lágrimas, agradeço pelos executivos da CW por terem tirado do papel toda essa loucura deliciosa.
O episódio foi dirigido por Kevin Tancharoen, o mesmo da série live action de Mortal Kombat e irmão da showrunner de Agents of S.H.I.E.L.D. Como um especialista em cenas de ação, colocá-lo na primeira parte do crossover foi um feliz acerto. Apesar da confusão inicial, com Barry e Oliver em vidas trocadas – porque corpos é tão last season, tivemos algumas cenas não muito interessantes, mas quando toda a poeira abaixa e a memória muscular volta, o show realmente começa. Inclusive eu simplesmente não entendo como Kevin não conseguiu, ainda, um serviço fixo em qualquer série do Arrowverse. Ele definitivamente seria uma excelente adição ao time. No momento, porém, fico satisfeito com sua participação nos eventos anuais da DC CW.
A diversão principal do episódio vem exatamente daquilo que o deixou um pouco preso, especialmente nos minutos iniciais. É interessante sentir o terreno antes de começar a trama real e a troca de vidas definitivamente foi bem interessante, mas a vontade de testemunhar o pontapé inicial (leia – ver Superman, Supergirl e Lois), falou bem mais alto. E claro, foi extremamente engraçado ver o Barry se divertindo com seus recém adquiridos atributos físicos e apostando alto na salmon ladder enquanto Oliver tentava resolver o problema central. A personalidade destes personagens sempre funcionou muito bem e estes crossovers são como grandes eventos de histórias em quadrinhos, pelo menos do passado, antes de todo mundo encontrar todo mundo casualmente toda semana.
As cenas no laboratório STAR também não decepcionaram, especialmente pela maneira que absolutamente todos chegaram, unanimemente, a conclusão de que se havia algo errado, era porque possivelmente o Barry viajou no tempo. É um engraçado aceno para quem está acompanhando o Corredor Escarlate desde a primeira temporada – especialmente para quem está com ele agora, em seu atual quinto ano, em que até a filha do Barry voltou do futuro para bagunçar a linha temporal. No mais, são engraçados momentos que apenas um crossover desta magnitude poderia nos entregar, com um relacionamento entre Barry e Oliver que eu nem sabia que precisava.
De todas as interações as melhores foram aquelas em que a Iris aparecia para provocar Oliver. Eu não entendo como podem existir pessoas que não gostam de Iris West-Allen, especialmente porque a Candice Patton é uma excelente atriz. Ela falando que só tinha olhos para o Oliver, do seu abdômen e a maneira que Oliver respondia me fez rir alto várias vezes. Claro, a “traição” no final e o fato de que, após tantos eventos malucos, ninguém acreditou que Barry e Oliver estavam com suas vidas trocadas até bem longe no episódio, foi um pouco excessivo, mas tudo pela comédia, certo?

Contudo, o maior acerto da parte um de Elsewordls foi a transição da Terra 1 para a 38, com direito a fazenda Kent direto de Smallville e com a música de abertura. Eu realmente não tinha percebido o quanto eu sentia falta de assistir Smallville e ver aquela fazenda aparecendo na minha tela, até o Somebody Saaaaave Me começar a toca. É exatamente o que eu, como fã de longa data das séries da DC (Birds of Prey incluída), quero ver nestes especiais. E eu pensando que a melhor parte seria ver novamente o Flash do John Wesley Shipp da série dos anos 90 – injustamente cancelada e precisando de um revival, Shipp permanece perfeito para o papel apesar de ter aparecido tão rapidamente.
Mas, vamos entrar então no lado “Pequenópolis” de Elseworlds, com a introdução de Lois Lane, interpretada por Elizabeth Tulloch. Bem próxima da mesma Lois de Erica Durance (que agora é a mãe da Kara), Elizabeth trouxe todo o ar intrépido e destemido, de uma mulher que raramente aceita um não como resposta. Ela também não é o tipo que fica parada assistindo dois super-heróis resolvendo seus problemas, a nossa Lois grita e torce, de uma maneira que apenas quem assistiu a personagem em Smallville, poderia esperar. Melhor de tudo, existe química entre ela e Tyler Hoeclin, um relacionamento que eu comprei com a primeira briga do casal e o casual “você vai me pegar” dito pela Lois antes de subir na escada. É, novamente, uma pergunta que precisa ser respondida: Onde está a série do Superman com a Lois? Atenção executivos da DC, façam acontecer.
Esta também foi a primeira vez que conseguimos acompanhar uma conversa mais honesta e também cheia de sentimentos entre Barry, Oliver e com a participação da Kara. Existem algumas características base para cada um destes personagens que, por princípio da adaptação, não podem mudar muito. Como o Barry sempre animado e excitado e o Oliver carrancudo e preocupado. Contudo, os avanços sentimentais de cada um destes personagens também precisa ser sentido, especialmente em um crossover que já conta com tantas personalidades distintas no mesmo local. Tê-los conversando sobre como cada um se sente é muito importante e enriquece a dinâmica entre estes personagens, que são a alma da DC atualmente – e não me esqueci de Legends, mas aí já é uma salada mista bem mais complicada de expor em um grupo, o que justifica a ausência destes no crossover de Elsewordls.
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A luta final contra o Amazo foi um show de efeitos, como esperado, mas também conseguiu ser bem divertida, mantendo o foco no Flash, Arqueiro e Supergirl, com uma ajuda do Superman. Claro, estamos falando de um crossover que mantém em seu cerne três séries base e três personagens, por isso o destaque foi todo direcionado para estes, com Clark dizendo no final exatamente o que já vem acontecendo por alguns anos, eles podiam ter vencido sozinhos. Estamos falando sobre a maior força destes seriados, uma que estes especiais drenam e fazem bom uso. É um espetáculo e como primeiro momento, apesar de um pouco engasgado pelo avanço da troca de vidas, conseguiu ser bem incrível, principalmente por causa de certo Save Me e todos os sentimentos, com direito a pelos do braço se arrepiando sem nenhuma vergonha.
Easter eggs e outras informações
– Finalmente responderam à pergunta que mais perturbava os fãs de Flash desde a primeira temporada: Como os prisioneiros da prisão especial da série iam para o banheiro. É, a privada estava o tempo todo ali. Só espero que o “tour” inicial ou o folheto da prisão apresentem as instruções de chutar a parede para fazer xixi.
– Se você não está em dia com Supergirl, aqui vai um lembrete rápido: durante a terceira temporada Supergirl descobriu que Argo City, de Krypton, sobreviveu a explosão do planeta. Superman e Lois foram para lá, fazer uma visita.
– Em Supergirl a Kara foi desafiada, pelo presidente dos Estados Unidos, a revelar sua identidade secreta.
– A cena em que o Oliver é acertado por duas flechas surpresas nas costas é um lembrete do primeiro crossover do Arrowverse, quando Oliver apareceu para treinar Barry e fez exatamente o mesmo com o Flash.
– Céu Vermelho é algo bem importante para a DC. Além de já ter sido anunciado antes, no jornal do futuro que existe no laboratório STAR, o fenômeno climático é um indicador de que uma Crise está acontecendo. Sim, com C maiúsculo.
– AMAZO, criado em 1960 por Gardner Fox, é o nome do androide inimigo da Liga da Justiça. Seu debut foi em The Brave and the Bold #30. Construído pelo professor Arthur Ivo (na série IVO Tech), o robô foi feito com os poderes e habilidades base dos membros da liga: Superman, Batman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Mulher Gavião, Flash e Ajax (Marciano).
– Monitor, o homem misterioso que entregou o livro para John Deegan, pertence a uma raça conhecida como Monitores. Eles são encarregados da proteção do multiverso. Monitor também tem participação importante em Crise nas Infinitas Terras, assim como sua contraparte o Anti-Monitor.
– John Deegan ou John Dee, é conhecido nos quadrinhos como Doctor Destiny, um supervilão com poder de manipular sonhos. O personagem é recorrente também em Sandman, de Neil Gaiman. Já o ator, Jeremy Davies, participou de Constantine, série da NBC.















