O homem mais rápido do mundo enfrenta o homem mais lento do mundo.
Mas na verdade o foco ficou em cima do “conta ou não conta” mesmo, doa a quem doer. Patty é uma das personagens mais interessantes que já passou por The Flash. Só que estamos falando de uma série que vai (se depender da CW e seus protagonistas) durar pelo menos dez anos de exibição. Supernatural está aí para não me deixar mentir. Por esse motivo dificilmente o nosso herói conseguirá encontrar o amor de sua vida ainda na segunda temporada, não importando o nome, ou a origem da personagem. Logo centralizar o tema em cima da possível saída da Patty e colocar um ator do calibre de Aaron Douglas para interpretar um vilão insosso e sem personalidade alguma deixou aquele cheiro forte de oportunidade desperdiçada. O que é uma pena, de verdade.
Mas uma coisa foi totalmente ótima: o desaparecimento de Lendas do Amanhã e qualquer obrigatoriedade de criação de tramas e subtramas para a série derivada. Já não aguentava mais ter que ver o bom andamento do roteiro da série sendo colocado de lado para pavimentar o caminho de personagens fracos como Mulher-Gavião e Gavião Negro. Passado o período de crossover a linha da série pôde seguir sem interrupções e Zoom voltou ao holofote principal, como a grande ameaça e fantasma da temporada. Ainda falta um pouco mais de presença, mas infelizmente o formato de vinte e dois episódios força os roteiristas a divagar por várias linhas pouco interessantes, ou que ocultem totalmente o antagonista até a reta final, geralmente os três últimos episódios do ano.
The Flash se beneficiaria e muito do esquema de meia temporada utilizada por Agents of S.H.I.E.L.D. Lá a série desenvolve dois arcos menores, com um panorama maior de fundo, mas com início, desenvolvimento e conclusão dentro de, no máximo, doze episódios. Enquanto os roteiristas da DC TV* optarem por temporadas com um vilão principal e história espalhada dentro dos vinte e dois, o resultado permanecerá o mesmo, uma mistura de momentos bons com sequências (quase) desconectadas e, de certa forma, desnecessárias.
O episódio serve de forma bem escrachada para mostrar que Barry esconde sua identidade da Patty por um motivo nobre. Mesmo que ele tenha optado por revelar para todas as outras pessoas importantes na sua vida a respeito de sua vida como Flash, o roteiro quer nos fazer entender que mais uma já é demais. Faz sentido? Não totalmente, mas até que faz. Existe um cardápio bem grande de pessoas que o Zoom poderia escolher para causar dor ao Barry, pessoas bem mais importantes que a própria Patty, mas todo mundo sabe como o coração de um homem apaixonado funciona. O medo primordial é o de que seu segredo seja responsável por atrair a atenção de um vilão tão medonho quanto o Zoom. Mas resumindo tudo, minha vontade era de gritar na cara do Barry: Você não merece uma namorada bacana, seu babaca.

Só que o inferno está cheio de boas intenções e por melhor que tenham sido as dos roteiristas, a possibilidade da saída da Patty só prejudica. Primeiro porque a Shantel VanSanten é uma ótima atriz. Segundo porque ela e Grant Gustin têm uma excelente química e uma sintonia muito interessante. Se a briga servir para solidificar o romance entre os dois, ótimo. Porém, se a ideia for riscar uma ótima personagem, assim como Linda Park, estará confirmada a falta de habilidade e bom senso na construção de interesses amorosos de Flash. Ou como ela (serie) e Arrow não conseguem lidar com mulheres. Romance não deveria ser obrigatório dentro da série, mas todos nós sabemos que independente do nosso descontentamento, ou paixão, ele existirá. A fórmula do canal é essa, as postagens do tumblr mostram que o interesse de uma maioria de telespectadores, também. Reclamar da existência é besteira, mas pedir por algo com mais cuidado, não. Fica a preocupação. O melhor seria mesmo ter Patty ao lado do time do Flash, mas como não dá para ser feliz nunca, o excesso de personagens lá também poderia ser prejudicial. Que situação complicada.
Gostei também da maneira fria e do puxão de orelha que o Harry deu no Cisco. Eu gosto bastante do alivio cômico que o personagem traz para a série, mas também me incomoda muito essa superficialidade do personagem, que só teve um aprofundamento maior quando revelou seus poderes, ou durante seu breve momento com a Kendra. Nomear vilões é um traço bacana e que justifica a quantidade de alcunhas absurdamente ridículas que os quadrinhos criaram, mas já está ficando um pouco cansativo. A origem do nome Zoom também serve para demonstrar que a identidade do vilão não nasceu de um lugar de ciência, diversão e risos, mas sim de um ponto completamente obscuro, com a morte de policiais e a maldade do vilão mascarado. Vamos dizer que Zoom está para o universo do Flash como o Voldemort esteve para o de Harry Potter – Que J.K. me perdoe. O próprio nome já carrega parte do medo.
Wally West já chegou mostrando que é irmão da Iris mesmo, naquela boa sequência de mágoa e desprezo que não fazem o menor sentido. Quem sumiu grávida e nunca contou a respeito do pai e irmã, foi a mãe. Joe é tão vítima quanto Wally, mas um adolescente imprudente que ganha a vida apostando racha não é a melhor pessoa para pedir conselhos, não é? Pelo menos o final do episódio desenvolveu um tom mais ameno e uma interação mais válida para Wally, que já ameaça um possível conflito com o Barry, movido pelo ciúme, lógico. O personagem ainda está na geladeira, mas se eu pudesse apostar, diria que os poderes dele chegarão por causa de uma das fórmulas de velocidade que estão sendo desenvolvidas no laboratório S.T.A.R.
Terminando a review sem me esquecer da Caitlin Snow, eu não sei bem o que pensar a respeito da dinâmica ou do direcionamento. Jay está morrendo e precisa recuperar seus poderes mais do que nunca. Cait irá ajudar, mas já temos tanta coisa acontecendo que eu dificilmente conseguirei me preocupar com esse romance. Na verdade já faz um tempo que a trajetória da Caitlin está dispensável. Que pena ver uma personagem tão boa limitada a chorar por um homem sempre, que pena. Pelo menos teremos Nevasca chegando logo mais, caso contrário eu já começaria a petição por um novo papel para a Danielle Panabaker, a mais desprezada e injustiçada da série. Vamos menina, prove que você consegue desenvolver uma história boa sem ter a presença de um personagem do sexo masculino do seu lado. Novamente, como eu disse lá em cima, nem em Arrow, ou The Flash, existe bom tato para lidar com mulheres. Essa galera precisa assistir um pouco de Supergirl, urgente – E são da mesma equipe.
Lentamente The Flash caminha para uma explosão de velocistas, ainda mais agora com a reintrodução do Flash Reverso. Vindo do futuro ou da Terra-2, não sei, a única quase certeza é de que ele possivelmente foi atraído pelo Zoom. O que continua faltando para a série com certeza não são mais personagens, mas sim uma estrutura firme de roteiro. Mesmo que metade da temporada fique centralizada em algum par romântico, eu tenho certeza de que é possível trabalhar esse lado sem prejudicar tanto assim personagens e trama. O potencial para um ano incrível está aí, os atores também, assim como o vilão perfeito para uma temporada. Então o que diabos está faltando?
Easter eggs e outras informações
– O Homem Tartaruga, ou Tartaruga, começou como vilão do Jay Garrick nos quadrinhos. Ele desenvolveu uma arma capaz de colocar o Flash em transe e que também causava alucinações no Corredor.
– Diamantes Vandervoort é uma óbvia menção a Laura Vandervoort, atriz que interpretou a Supergirl em Smallville e que fará uma participação na nova série da Kara, na CBS, como a Brainiac-8.
– Várias piadas com as Tartarugas Ninja. E para quem não sabe, Stephen Amell, nosso Arqueiro Verde, está em Tartarugas Ninja: Out of the Shadows.
– A pintura do cristal foi recuperada de Markovia, um nome que já recebeu algumas menções no universo da DC CW. Em Arrow o Doutor Brion Markov desenvolveu a tecnologia utilizada por Merlyn para gerar o terremoto de Starling City. Já na nona arte Markov é um herói e príncipe da Markovia.
– Midway City é a cidade da universidade que Patty pretende ir e também o lar do Gavião Negro. Essa também é a cidade chave do filme do Esquadrão Suicida.
– Já a cidade de Keystone, lar do Flash Wally West, também é casa do Eobard Thawne, o Flash Reverso.
– Biblioteca Naydel faz menção a Martin Naydel, cocriador do Tartaruga.
– O carro dirigido por Wally é um Plymouth Road Runner, carro feito em homenagem a outro corredor da Warner, o Papa Léguas.
– A sombra branca, apelido do Barry dentro da família West, é uma referência a série ‘White Shadow’, em que um técnico branco precisa treinar um time de basquete composto por atletas negros.
– Existiram menções a Moby-Dick e ao Capitão Ahab.
*Dentro das reviews quando eu utilizar o nome DC TV estarei me referindo as séries que cubro da DC Comics e que tem conexão “direta”, quer seja através do universo compartilhado, ou produtores em comum. Sendo elas: The Flash, Supergirl, Arrow e Lendas do Amanhã.















