A série mais charmosa da Marvel está de volta.
E com ela todo o meu amor por Peggy Carter e Jarvis foi renovado, e olha, eu não tinha noção do quanto estava com saudades desse elenco maravilhoso, até começar o episódio. Edwin Jarvis e Peggy Carter são a melhor coisa que já aconteceu no mundo das séries em muito tempo e eu não acho que estou exagerando quando escrevo algo do tipo. O leque de mais interessantes eventos podem estar acontecendo na tela, lutas coreografadas, bombas de matéria negra, mas tudo se torna infinitamente melhor quando Peggy e Jarvis estão juntos, fazendo qualquer coisa, ou nada, tanto faz. Começa uma nova temporada para Peggy em Los Angeles, e as possibilidades são infinitas, mesmo que Bernard o diabo rosa tente acabar com nossos planos de felicidade.
Se na primeira temporada o tema central foi a tentativa da Peggy em se destacar em um mundo dominado por homens, a segunda continua com essa empreitada, expandido-a, mas também incluindo a discussão do preconceito racial. Não de forma completamente na cara, como é o discurso de Supergirl para o feminismo, por exemplo, mas totalmente nas entrelinhas e perceptível. Agent Carter tratou o tema com total respeito. Você vê o doutor Wilkes sendo referenciado como zelador, você tem um enorme quadro na Isodyne com pessoas negras em uma plantação e por fim, o atendente da lanchonete preocupado com a integridade física da Peggy após vê-la na companhia de um homem negro. Em momento algum existiu um discurso inflamado, ou expositivo quanto ao assunto, o que nós temos é a reação chocada e enraivecida da Peggy. O tema ainda está para ser desenvolvido, como foi possível notar nestes dois episódios iniciais, mas a forma adotada deixa a sutileza preponderar e demonstra, de forma natural, o quão absurdo o racismo realmente é.
Eu não estava muito contente com a ausência da Lyndsy Fonseca, até descobrir que a maravilhosa Lotte Verbeek havia sido escalada para viver Ana, a esposa do Jarvis e também a mais nova amiga da Peggy. Então já estou Angie Who? Por que olha, que amizade linda está se desenvolvendo diante de nossos olhos. O cuidado existente na criação de personagens apaixonantes é imenso dentro da Marvel TV, com Ana não foi diferente. Vê-la ao lado de Peggy subvertendo a noção de que mulheres não se dão bem ao lado uma da outra (especialmente quando existem homens envolvidos), as deixa bem mais interessantes quanto personagens. Você não precisa ter duas mulheres brigando constantemente e desenvolvendo uma relação de desconfiança e ciúme para ser bem sucedido. É possível ter um pouco de tudo na gama de sentimentos e interações que ajudam a criar a imagem de cada uma dessas mulheres. Contudo, transformá-las em clichês ambulantes não é obrigatório, na verdade é totalmente dispensável. Mais Peggy e mais Ana juntas, por favor.

Assim como também tivemos o desenvolvimento que foi brecado no final da primeira temporada, com a possibilidade de que Sousa e Peggy se envolvessem em algum tipo de relacionamento amoroso. Vejam que interessante: durante os dois episódios a impressão que fica é a de que Peggy realmente sentia algo pelo companheiro, mas ainda não estava pronta para abandonar a sombra de Steve Rogers em sua vida. O timming passou e Sousa já está apaixonado por outra mulher, a meiga enfermeira Violet – Torço por você, menina. Infelizmente (ou felizmente) para Sousa, quem apareceu no caminho da agente Carter com um sorriso e uma história facilmente relacionável foi Wilkes. Ambos sofrem tipos diferentes de exclusão e lidam com o preconceito externo de maneira bem similar. Fica bem fácil entender o motivo para um encontro tão intimo e a atração que sentiram logo de cara. Jason lida com o preconceito da mesma maneira que Peggy lida com o machismo.
O vilão desta temporada permanece um mistério, mas já com delimitações bem fortes. De um lado temos o grupo misterioso por trás da campanha do Calvin Chadwick, de outro a corrupção inicial de Whitney Frost. Não é preciso ser um expert para notar que a marca na testa da Whitney representa algo mais profundo do que apenas uma contaminação. Durante sua cena no estúdio o que mais a feriu foram os comentários a respeito da sua idade, desferidos pelo diretor e aprofundados pela personagem em seu momento no camarim. Além de suas ambições e conexão com o assassinato da cientista da Isodyne, agora Frost terá a própria corrupção de sua imagem, o bem mais valioso para uma atriz. Claro que o principal deverá ser a agência, que já apresenta todos os toques de Hydra, a grande antagonista da S.H.I.E.L.D.
Do outro lado, em Nova York, o agente Thompson está vendo a S.S.R. ruir em face de sua inabilidade em manter a relevância no pós-guerra. O que ele precisará fazer para manter a relevância? Ainda não sabemos, mas com certeza Peggy será fundamental para o futuro da agência. Também é através da nova posição de Carter que ela termina sendo realocada para Califórnia, mesmo com Thompson sabendo que a única forma de realmente arrancar algo da Dottie seria através de Peggy – Um brilho que obviamente ele queria para si. Enquanto nada interessante acontecer por lá, dificilmente irei comentar aqui, neste caso só queria chamar a atenção para a instabilidade que a agência se encontra no momento.
Não seria Agent Carter se o episódio não tivesse sido absolutamente delicioso de assistir. Hayley Atwell e James Darcy permanecem como a melhor dupla possível para uma série com o valor de Agent Carter. Também não posso me esquecer de tecer elogios para a ambientação e figurino da série, outro aspecto que me mantém tão apaixonado por AC. No final, eu sempre me vejo satisfeito, mesmo que a trama fosse apenas Peggy e Jarvis passeando por Los Angeles e reclamando do calor, ou da inabilidade da palmeira em fornecer uma sombra apropriada.
Easter Eggs e outras informações
– Whitney Frost é conhecida no universo Marvel como a Madame Máscara. Na verdade, seu primeiro nome é Giuletta Nefaria, sendo Frost o de sua família adotiva. Ela também atende pelos codinomes Kristine “Krissy” Longfellow, Big M, Bethany Cabe e Giulina Neff. Máscara é afiliada a organização conhecida como Maggia, um sindicado do crime internacional.
– “The Woman With The Golden Face”, o filme estrelado por Frost, é uma menção a máscara dourada que a personagem usa na nona arte.
– Durante os mais novos números do Invencível Homem de Ferro #5 de 2016, a Madame Máscara foi possuída por forças demoníacas e salva por Doutor Estranho, Dr. Destino e Tony Stark.
– Falando sobre a misteriosa organização por trás da Isodyne e da “Matéria Zero”, o broche se parece muito com o padrão que vimos em Agents of S.H.I.E.L.D., da organização que enviou Will e outros astronautas para o planeta de Maveth. Ou seja, estamos falando da Hydra.
– A matéria zero, ou ‘zero matter’, já apareceu em Agents of S.H.I.E.L.D. No episódio Repairs, Tobias Ford ficou aprisionado em outra dimensão, ou planeta alienígena, após uma explosão. Sua habilidade de se mover entre as dimensões pode ter conexão com a manipulação da energia. Outro personagem surgido em MAoS e com a capacidade similar a exibida em Agent Carter é Blecaute, em Only Light in the Darkness. Também podemos conectar ao monólito da atual terceira temporada, que segundo Fitz é matéria negra solidificada com capacidade de transportar pessoas para outra localização. Eis a possível conexão com a quantidade de instrumentos do exército que vimos no planeta azul em Agents of S.H.I.E.L.D.
– A zero matter/força negra/matéria negra, também conecta Agent Carter com o filme do Doutor Estranho, com estreia prevista para 4 de novembro de 2016. Darkforce é o nome dado a energia negativa saída da chamada dimensão darkforce. Mutantes conseguem se conectar a essa energia naturalmente, enquanto humanos precisam aprender através de magia, ou aparatos tecnológicos. Entre os personagens que manipulam essa energia temos: Manto, Blackout, Darkstar, entre outros.
– No filme Capitão América: Soldado Invernal o Steve ‘Capitão América’ Rogers assiste a um vídeo feito pela Peggy. Nele a fundadora da S.H.I.E.L.D. diz que foi graças ao Steve que ela conheceu seu marido, já que ele foi resgatado pelo Capitão durante a guerra. Wilkes é da marinha. Será ele?















