Antes de Batman V Superman existiu Flash Vs Arrow.

Enquanto ainda não podemos ter Superman e Flash apostando corrida para decidir o mais rápido do mundo, nos satisfazemos (e muito) com Flash e Arrow colocando a prova o primeiro crossover entre heróis das séries de TV da DC. Se o vilão da semana recebeu o mesmo tratamento de praticamente todos os outros, dessa vez sua única função foi mesmo a de criar tensão e a briga título do episódio. De toda forma, o que nós vimos foi sim uma pitadinha do que esperar do filme mais aguardado da DC, mas sem diminuir os méritos da série e sua excelente coreografia de luta entre vigilantes.

Uma luta que se tornou então o nosso equivalente ao Batman V Superman, não apenas pelo desejo que este leitor ávido de quadrinhos tem em comparar as duas obras, mas por exemplificar bem a chamada “luta justa” entre um vigilante com gadgets e acessórios e outro com poderes. Barry ainda é bem imaturo, apesar de a série estar com o pé fixo no acelerador, tentando entregar todo o avanço e evolução existentes para o Flash, a realidade é outra. Existe uma separação entre os mocinhos e ela é importantíssima para que esse mundo seja o mais completo e diversificado possível.

E então vejam bem a diferença entre um e o outro, Flash é o tipo de herói que sai pelas ruas entregando flores, pintando paredes. O tom do seriado é esse. Em contrapartida, Arrow é sombrio, com técnicas mais escusas e um tom bem mais forte. O que acontece no crossover é que todos os personagens, com exceção do Oliver, embarcam na alma divertida e descompromissada, algo que não deverá acontecer com tanta força quando migrarmos para a série do Arqueiro.

Chega a ser injusto com Iris colocar Felicity e Caitlin no mesmo episódio, todas as duas demonstrando com força os motivos pelo qual os fãs detestam a primeira e adoram as outras. Como conseguir se importar com Iris enquanto temos a dupla Fumaça e Neve para nos presentear com interações maravilhosas? Com Caitlin correndo apavorada do bumerangue, ou Felicity ostentando todo seu guarda-roupa em Central City depois de ter nos agraciado com um momento Victoria Secrets Fashion Show? Nesse caso, fica difícil até reconhecer a presença da garçonete/blogueira, por mais força que a série tenha feito.

Mas uma coisa boa saiu das interações entre o Flash e a garota deslumbrada. Com o Flash sombrio aparecendo e dando uma bela sova no Eddie, parece que colocaram em pausa qualquer tipo de possibilidade romântica entre Barry e Iris, em curto prazo. Não dá realmente para comemorar ainda, já que todos nós sabemos que está na natureza da série perpetuar o amor proibido entre os dois. Pior ainda quando sou forçado a me lembrar da lista das 3 opções da garota. De todo o tipo de desenvolvimento de personagem que Iris West precisa, ser aquela que sempre se apaixona pelo herói fortão é um desserviço gigantesco, deixando-a mais sonhadora ainda, o que não coopera em nada para que o público venha se afeiçoar por alguém que, sinceramente, não anda ajudando muito o andamento da trama, ao contrário, só nos puxa para um redemoinho de ações e atitudes bem inferiores ao que a série realmente pode passar. Lois em Smallville era a ‘Maria Capa/Mascarado’, mas Lois era proativa, determinada, interessante, coisas que Iris ainda não chegou perto.

Ainda discutindo as interações entre o Flash sombrio, mas agora com Eddie, vocês viram como as coisas já começam a caminhar para uma grande inimizade entre os dois? Algo que conseguiria justificar bem o surgimento do Flash Reverso como Eddie. Claro, ainda é um chute longo, mas baseado no que foi desenvolvido, não seria uma ideia tão complicada de conceber. Antes o policial era a personificação do bom moço, namorado fiel, fofo, com medo do sogro e querendo agradar a todos. A ameaça de um defensor mascarado (que demorou a acontecer dentro da policia) finalmente teve o pontapé inicial. É um pouco discrepante com os quadrinhos, já que o Flash sempre foi adorado por todos da cidade, como vocês devem imaginar, já que o cara passa alguns momentos do seu dia realizando tarefas para outros trabalhadores, age como cupido, herói e protetor. Vocês realmente esperam que a policia se sinta ameaçada por alguém assim? Na série um momento apenas colocou um enorme ponto de interrogação sobre o casal sintonia. E é assim, meus amigos, que nasce um inimigo jurado. Não existe nada pior do que ser humilhado na frente da mulher que você gosta, pelo vigilante que ela adora.

Mas é então que entra a figura do Arqueiro. É bem fácil esquecer o que Oliver já fez nos seus primeiros anos como vigilante de Starling City. A regra para ele, até então, era a de matar qualquer um que se colocasse no caminho entre a justiça que ele prometeu trazer em nome de seu pai e a ponta de sua flecha. A desconfiança existente dentro do detetive West, do Wells e até do departamento de polícia é compreensível, esperada, para ser mais objetivo. Assumirem que o Flash seria responsável por qualquer atitude suspeita e conectada ao vigilante de Starling, não. Porém, é para isso que Oliver surgiu, para criar uma cisão entre os dois mundos dos super-heróis.

Infelizmente o episódio não foi excepcional, faltou um pouco mais de tempo para que tudo se tornasse realmente o que o potencial de ambos os personagens permitiria. Existiu um vilão com uma capacidade gigantesca de criar maiores conflitos, mas como ele foi preso? Como Arrow e Flash trabalharam juntos para trazer um vilão tão volátil para a prisão, isso só o nosso imaginário poderá responder. Tudo termina de uma maneira bem anticlímax. Lá está o Rainbow Raider, preso, chorando suas mágoas e ainda tendo que aguentar Cisco tirando aquela onda com a cara dele. Poderia ter sido bem melhor, não é mesmo? Entretanto, não foi a falta de tempo que nos colocou na berlinda da qualidade total que o episódio poderia ter, foi o desmembramento dele em dois. Um episódio duplo em Flash e outro em Arrow sobrecarregaria ambas as séries, que precisam criar material para seu mid-season finale, sem depender uma da outra. Então, ficamos com dois episódios mesmo, um para cada série, minando um pouco o tempo que precisávamos para ter uma conclusão melhor.

O que fica bem evidente é que lá na concepção de The Flash, a ideia deste episódio crossover era mais para tentar segurar a novata com bons números do que dar um desenvolvimento maior aos dois personagens. Flash ainda era um mistério para o canal e seus produtores. Na estreia ficou ainda mais evidente a forma agressiva com que tudo era planejado. Flash recebia exibição em dois dias da semana, um na terça-feira e outro na quarta, com um reprise logo após Arrow. O desespero imperava para que ela desse certo, hoje, com os excelentes números, os produtores já terão espaço para criar um crossover que esteja centralizado em entregar algo mais desenvolvido e sem tantos personagens abarrotando a nossa visão. The Flash já não precisa mais de ajuda, nem mesmo a do Arqueiro (não quando pensamos na audiência e rentabilidade).

Como um todo eu pontuo o oitavo episódio de The Flash como o melhor já entregue até agora. Que bela cena de luta, que efeitos bem trabalhados e que coreografia belíssima. Parabéns aos produtores e a equipe, principalmente. Melhor ainda pelos momentos cômicos que foram sim bem empregados e com a ajuda de um Flash sombrio, dosaram os momentos e impuseram a identidade da série, que é sim ser mais leve, colorida e menos comprometida com assuntos mais sombrios. Mal posso esperar pelo próximo episódio, o de Arrow e já aviso que farei um parágrafo na review do Douglas com a minha opinião sobre, assim como ele o fez logo abaixo.

Parágrafo do Douglas, reviewer de Arrow sobre a primeira parte do crossover.

Bem difícil escrever um único parágrafo sobre o episódio. Tantas referências dos quadrinhos, tantos easter eggs – até imitação do Mestre Yoda nós tivemos – em meio a união de dois heróis da DC cuja relação nas séries nasceu como uma espécie de mentor e pupilo, e na nona arte insistem em discordar sobre ideologias e ética de combate ao crime. Acredito que além de divertido, o episódio acrescentou bastante para a mitologia de ambos os shows. Só que quem mais ganhou com a união fomos nós. Olhando pela ótica de Arrow, além de assistirmos a uma aula do Arqueiro, tivemos a confirmação de que seu filho – Connor Hawke? – existe nesse universo e reside em Central City. Já a luta entre os dois e a discussão nerd entre Diggle e Cisco, fazendo referência a um dos passatempos preferidos dos fãs de quadrinhos, foi o clímax do episódio em minha opinião. Como o Diego faz um trabalho incrível em suas análises, fico por aqui. Não quero correr o risco de soar repetitivo nem passar da conta, afinal estamos em uma review de The Flash. Agradeço pela oportunidade desse crossover de reviews e parabenizo o Sr. Diego Antunes pelo ótimo trabalho, não só com as reviews dessa série (o cara escreve pra caramba) mas em tantas outras que temos o prazer de ler. Obrigado.

Easter Eggs e outras informações

– A roupa de civil da Felicity pegou fogo (só a parte de cima), mas a do Barry não chamuscou, nem nada. Seria a série fazendo uma crítica ao mundo da moda feminino? Roupas mais caras e bem mais frágeis? Ou foi só um jeito de deixar a atriz de sutiã? Aposto minhas fichas na segunda opção.

– Joe disse que jamais iria agradecer ao arqueiro e jogar baseball profissional. Vale lembrar que indiretamente ele já fez os dois. No final existiu o agradecimento e o ator Jesse Martin já interpretou um jogador de baseball no seriado Arquivo X.

– Felicity sentiu uma vibe Barry + Caitlin. Moça esperta.

– Tivemos o nome Palmer Technologies citado no episódio, mais um saído de Arrow. No caso, foi graças ao Palmer (também) que o prédio que Barry ajudou a pintar recebeu a renovada.

– O banco Gold City já pode preparar uma apólice de seguro mais robusta, assaltado no piloto pelo Mago do Tempo e agora pelo Rainbow Raider.

– Vale comentar que o banco é localizado na esquina entre a rua Cunningham e a Sampere. Brian Cunningham é atualmente o editor das histórias em quadrinhos do Arrow e Daniel Sampere desenhista.

– Prisma é outro herói no cânone da DC comics, o mais correto para o Roy G. Bivolo seria Chroma, ou Rainbow Raider. Nos quadrinhos ele consegue utilizar outras cores para afetar as pessoas.

– Por falar em cores, as utilizadas pelo Dr. Wells para que Barry voltasse ao normal foram: Púrpura, azul, verde e rosa. Que significam respectivamente: Compaixão, esperança, força de vontade e amor.

– O Capitão Bumerangue é um vilão do Flash e estará presente na segunda parte do crossover.

– O namorado do capitão Singh nos quadrinhos é o Pied Piper/ Flautista, que começa como inimigo e termina amigo do Flash.

– Espectro de cores discutido por Felicity e Caitlin diz muito sobre o Lanterna Verde e como funcionam os esquemas de cores e anéis da tropa. Lembrando que o nome Ferris Air, onde Hal Jordan trabalha, já foi mostrado na série.

– A mulher que aparece no final do episódio conversando com Oliver é uma antiga namorada do rapaz, que foi subornada a abandonar a cidade de Starling pela mãe de Oliver, Moira Queen. Na época, Sandra estava grávida, Moira temendo que isso destruísse o futuro do filho a fez ir embora da cidade.

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