Chegou a hora de abusar dos clichês e estereótipos.

E quando eu digo abusar, estou me referindo a ABUSAR mesmo, com direito a grito e tudo mais. The Flash decidiu mostrar que mesmo já estando fora do ensino médio, ela ainda tem espaço para dramas escolares, e muitos, diga-se de passagem. De todas as formas possíveis de se abordar um tema tão batido nos últimos cinco anos, o bullying aqui ficou requentado, desnecessário e… bom, valeu mesmo pelas cenas finais e os efeitos especiais.

A começar pela Iris, que verdadeiro show de pieguice, ein? O episódio passado foi todo centralizado em tentar mudar a ideia da garota a respeito do “raio”, não adiantou nem um pouco. Tudo bem, a forma com que Barry tentou convencê-la de que o mascarado não existia foi a mais imbecil possível, dando sorrisinhos, aparecendo no telhado e depois a confrontando já na pele do especialista policial. O afastamento que eu queria só durou um episódio mesmo e após ser sequestrada, lá estava a vaidosa Iris West, ainda com seu nome nas publicações de seu “estourado” blog.

Mas então você me pergunta: O parágrafo anterior foi só para chover no molhado e continuar detestando a Iris? Em partes sim, mas em partes não. Vou explicar. Quando nada do que aconteceu no episódio passado tem algum efeito e impacto no seguinte, tudo o que vimos, tudo o que passamos e sofremos, fica bem descartável. Uma cena com Iris torcendo o bico para o Barry não é o bastante. Iris é sequestrada por um homem que a marcou exatamente pelo motivo que Barry deixou bem claro, o seu envolvimento com o vigilante. Nem mesmo um diálogo aprofundado no aspecto nós ganhamos. É preciso esquecer da briga entre os dois, já que ela se resolveu de uma maneira bem corriqueira. Barry aparece, pergunta da mão, sugere um nome e tudo ótimo, nem parecia uma garota que alguns minutos atrás quase morreu nas mãos de um meta-humano, que ela mesmo “chamou” para dentro de casa.

Ora, se vamos prezar pelo desenvolvimento de personagens, que as situações perdurem (por mais de um episódio, ou uma cena). Eu compreendo bem que a série esteja buscando um ritmo frenético, mas algumas coisas precisam ser mais lentas mesmo. Esse era o momento para deixar tudo com um tom mais sério. Era o momento certo de o Barry chegar à amiga e dizer: “Você viu o risco que você se meteu, por não me ouvir e colocar seu nome nas postagens? Você não pensa no seu pai, garota desmiolada?”. Porém, é até difícil cobrar esse tipo de atitude de um cara que está completamente deslumbrado com a fã que ganhou, mas só quando está mascarado. Perceber os riscos que ele coloca Iris ao ficar visitando-a o tempo todo, isso ele não nota.

Essa inconstância no discurso do personagem me incomodou bastante. Não dá pra aceitar que o Barry se transforme em outra pessoa quando ele vira o Flash, porque nós sabemos que não é assim. Ele ainda se questiona, ainda tem dúvidas de si mesmo e dos outros, sente medo, não sabe lutar. Nós vemos sempre o mesmo Barry, com duas roupas diferentes, mas a mesma pessoa. Não é um Bruce Wayne, e isso também já seria cobrar uma complexidade que o personagem não tem. O que eu quero dizer é que, o vai e vem do personagem não é justificado por nada, a não ser um texto meio relapso que só faz Barry se preocupar e pensar nos perigos quando é conveniente.

E para ser sincero, duro, mas sincero, o episódio em si não foi nenhum evento importante ou significativo. A mudança do nome para The Flash foi mais relevante que o drama teen do bully que volta para assombrar o herói. Para mim, esse foi o mais fraco até agora, e não tem soco atômico que salve minha impressão para com ‘The Flash is Born’. Até porque, sejamos bem realistas, o Flash já nasceu no episódio piloto da série, aqui tivemos só um fanservice com o nome, agradável para quem acompanhou 10 anos de borrão azul e vermelho, mais ainda para quem está a três com o “flecha”.

Quando eu disse lá nas primeiras impressões da série (ou nas outras primeiras impressões, não me lembro) que Flash era uma série que já havia nascido pronta para ser consumida como material dos quadrinhos, não era brincadeira. Estamos acompanhando o crescimento de um herói já estabelecido nos primeiros minutos de série. Barry Allen/ The Flash já está pronto desde antes da estreia, para ser mais objetivo.

Muitas outras passam alguns episódios criando origem, detalhando o mundo, fazendo a mitologia. Para quem acompanha The Flash, no começo os comentários eram sempre os mesmos, “a série está indo muito rápido”, e continuará. O que a CW está tentando fazer aqui é: Repetir todas as suas formulas de sucesso e ao mesmo tempo nos entregar quase que pronto o material final.

Lá no episódio piloto, quando surge a primeira possibilidade do Flash reverso, já estava bem claro o ritmo que seria empregado. Lembrem-se, como pontuei nesta postagem AQUI, as possibilidades para a série são imensas, começar com uma viagem no tempo só mostra que os planos são bem mais ousados, afinal, existe aqui a promessa de um dos eventos mais marcantes da DC, as ‘Crises nas Infinitas Terras’. O que virá daqui para frente é um crescimento bem rápido, especialmente pelos planos que Geoff Johns (mente por trás das séries da DC na TV), já entregou. Teremos um crossover entre Flash e Arrow, e a única forma desse encontro ser bem sucedido é se Barry já estiver em um patamar de evolução bem maior do que o que ele se encontrava.

Semanalmente Barry é desafiado a crescer, coisa que poderia acontecer no decorrer de toda a primeira temporada, mas que foi forçado em apenas seis. Todas as vezes que Cisco, Caitlin ou o Dr Wells começam o brainstorming para decidir qual a maneira que Barry impedirá algum vilão, eu vejo a série utilizando um letreiro em néon, com os dizeres: “Olha o herói aprendendo uma coisa nova”. Mas não se assustem isso não é algo novo, não quando discutimos a narrativa, ou o roteiro. A série poderia adotar o mesmo formato de episódios e substituir as diversas habilidades da super velocidade por algum objeto criado pelos cientistas para lidar com os meta-humanos.

Ao partir do principio de que o herói está usando (e quebrando) seu próprio corpo para vencer uma luta, nós temos a visão bem clara desse desenvolvimento rápido. Como eu citei lá em cima, as coisas tendem a ficar mais urgentes e The Flash é uma série com esse caráter. Tudo é quase uma explosão. Em um episódio Iris está sendo confrontada a respeito dos riscos em se expor, no outro o vilão já a está sequestrando por causa da exposição dela. Não temos tempo para respirar, nenhum. Temos um certo arqueiro para incluir, um mid-season finale para criar e muitas expectativas para suprir.

Até agora o único plot que vem sendo categoricamente desenvolvido com lentidão foi o do Dr. Wells. A força que a série faz para transformar o personagem em algum tipo de prelúdio de vilão me faz questionar esse uso. Quero pensar nele como Flash Reverso, quero pensar nele como Pária, ou como qualquer outro tipo de personagem relevante para os quadrinhos, mas fico com medo, pois quando tudo está muito na cara, pode significar algo bem diferente do previsto. Qual seria a surpresa se no próximo episódio já revelassem Wells como o Flash Amarelo? Nenhuma. Tudo nos leva a entender que é ele, ainda mais depois das cenas como o detetive West, com o amarelinho aparecendo na casa dele e deixando a frase “ou para, ou sua filha chata morre”. Eu sinto que fazem isso mais para nos colocar no caminho errado, do que para nos preparar para a revelação. Mas isso é só coisa da minha cabeça. Certo?

Como um todo, o sexto episódio foi bem fraco. Gostei sim dos efeitos e por mais que algumas pessoas questionem, eu estou achando muito bom para uma série estreante e que ainda tem muitos episódios pela frente. Orçamento é algo limitado na TV, então, ver que existe um esforço para que tudo seja agradável visualmente me faz curtir bastante The Flash. Ainda estamos amarrados a alguns clichês inferiores, mas como já foi muito debatido, isso não vai mudar nunca. Pick your battles! Essa luta contra os shipps nós não iremos vencer, não na CW.

Eater Eggs e outras informações.

– Iris já revelou que existe um homem que pega fogo, mas não se queima. Firestorm está chegando.

– O vilão deste episódio tem uma ligação interessante com o Grodd. Nos quadrinhos ele é decepado e sua cabeça colocada em um espeto, tudo como uma forma do gorila passar uma “mensagem” aos outros bandidos.

– Bem na cara, mas tivemos uma menção ao “Homem de Aço”. Claro que não estavam falando do Superman, e sim da versão cospobre do Colossus, mas valeu a intenção.

– O mesmo vale para “Iron Fist”, com um pequeno detalhe, esse é o herói da Marvel que vai ganhar sua própria série na Netflix. Será que foi intencional?

– No episódio Barry vai até Keystone city, que nos quadrinhos é lar de outro Flash, o Jay Garrick. E não sendo apenas o nome, Garrick apareceu conforme a imagem acima, mas só como fanservice mesmo(?).

– O bar que Wells e Joe se encontram é chamado “Warriors”, nas HQs Warriors é um bar criado por Guy Gardner e recheado de Lanternas Verdes.

– Ainda no ramo de bares e restaurantes, a amiga da Iris que trabalha no Jitters, Stacy Conwell tem uma contraparte nos quadrinhos. Lá ela chega a morar um tempo com Barry e Iris depois que seu pai é morto. Futuramente abre uma franquia de pizzarias.

– Mais uma vez Barry tirou a máscara e se relevou para o inimigo. Muita fé na cadeia existente no laboratório, que criou um dos acidentes mais perigosos do mundo. Né? Mas nesse caso, eu também me relevaria para o cara que me infernizou na escola.

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