A judia lésbica que ganhou um Oscar.

Uma das personagens mais emblemáticas da primeira temporada é Jane, a produtora do reality show “The Comeback”. Ela é a primeira pessoa com quem Valerie interage, ainda no episódio piloto, e sempre funcionou como um ponto de apoio para a protagonista. Jane sempre funcionou como o ponto de referência entre Valerie e a equipe responsável pelo show, recebendo o tempo todo instruções sobre o que fazer e o que não fazer. Exatamente por isso que ela foi alvo de um acesso de raiva de Val, em ‘Valerie Does Another Classic Leno’ (1×13), depois da estreia do reality “The Comeback” ter mostrado uma Valerie diferente da que a personagem tentou construir diante das câmeras.

Jane era um daqueles personagens que a série criou, mas teve pouco tempo de explorar até pelo simples fato de “The Comeback” possuir um grande foco principal: Valerie Cherish. Dessa forma, para que características de outros personagens sejam aprofundados, é necessário inseri-lo na rota de Val. Foi assim que “Jane Jane”, ganhou um sobrenome, Benson, e novos contornos. Agora sabemos que além de judia, ela é lésbica, faz documentários e inclusive já ganhou um Oscar por um sobre lésbicas no holocausto – se ficou no recalque, Valerie soube disfarçar bem, mas ficou nítido que ela achou um absurdo ver o troféu ser usado como peso de porta.

Assim como Ana Paula Arósio, Jane está vivendo isolada em uma chácara, cuidando de cavalos e cabras, #chatyada pelas decepções proporcionadas pelo show business. Sem grana, chutada pelas distribuidoras que não se interessaram por seu novo projeto, um documentário sobre os barcos das mulheres taiwanesas, Jane aceita, depois de bastante insistência, a voltar a trabalhar como produtora de Valerie.

Ter uma equipe mais profissional foi uma exigência que a própria HBO fez a Valerie. Dessa forma, os jovens da escola de cinema foram rapidamente substituídos por técnicos mais qualificados, numa boa jogada para mostrar que o discurso “estou apoiando quem está começando” na verdade é um eufemismo para “não tenho dinheiro e estou abusando desses moleques aqui”.

Outro discurso que merece atenção é o de Paulie G. Mais uma vez, ele foi contra a contratação de Valerie Cherish para sua série, mas mesmo assim terá que aceitar a escalação. Só que dessa vez, o que garantiu a presença da atriz é o medo de um processo contra ‘Seeing Red’. O encontro na suíte abarrotada de prostitutas russas mostra que o clima entre os dois continuará pesado. Os cumprimentos polidos mostram que Val vai continuar tentando agradar Paulie. Quando ela diz que “vai fazer seu melhor” na nova série, ele responde “espero que você faça melhor do que isso” – um indicativo claro de que as rusgas não terminarão, o que me deixa ainda mais ansioso para ver o início das gravações. Paulie até forçou um pedido de desculpas, justificando que estava se sentindo sacaneado por ter que assistir a cerimônia do “Globo de Ouro” da suíte, mas em se tratando de “The Comeback”, nada é exatamente o que parece – e pelo menos o público já deve ter aprendido essa lição.

Estou muito ansioso para o início das filmagens de “Seeing Red” porque Valerie Cherish terá que se enveredar por um gênero com o qual não está acostumada: a dramédia. Logo, já haverá uma autocobrança e uma necessidade de se provar como atriz, que só deve contribuir para acirrar os ânimos. Há ainda a anunciada participação de Seth Rogen, que irá interpretar ele mesmo, mas como o ator escalado para o papel de Mitch – o Paulie em “Seeing Red”. Michael Patrick King, co-criador de “The Comeback”, disse que o objetivo de escalar uma estrela do cinema para participar de SR é despertar o lado autodestrutivo de Valerie. A julgar pelo que vimos com Juna na primeira temporada, que para Val funcionava como um lembrete biológico constante avisando que estava envelhecendo, é no mínimo uma opção criativa para ficar atento nos próximos episódios.

Outra coisa que é digna de nota é a liberdade criativa proporcionada pela HBO. Isso não é nenhuma novidade, mas é graças a essa falta de amarras que podemos ver cenas como a que Valerie chega na emissora, vê todas as séries produzidas pelo canal e demonstra desconhecimento da maioria delas. Ou também como ela menciona o Netflix, plataforma de streaming que cresce e já é uma ameaça para as tradicionais produtoras e distribuidoras de conteúdo, como a própria HBO. Aliás, é curioso o mundo em que Cherish vive. Passa o tempo todo buscando reconhecimento das pessoas por ter protagonizado uma série na década retrasada, mas é alheia a fatos e nomes, que proporcionam tiradas com referências que ela nunca está apta a explicar de fato de onde surgiram. Ainda bem que existe Mickey.

A nova jornada de “The Comeback” está apenas começando, mas a medida que os egos forem inflando, a tendência é que as temperaturas subam e os ânimos fiquem cada vez mais alterados. Só peço que haja guerra.

#Hello – nunca imaginei que veria Lisa Kudrow fumando um baseado. Se não fosse uma boa série, a segunda temporada de “The Comeback” já valeria apenas por isso;

#Hello – A escolha do vestido para a cerimônia do Globo de Ouro é um momento importante para as atrizes, mas fiquei com a sensação de que o orçamento não colaborou. Ficou bem abaixo do retratado em ‘Valerie Stands Out On The Red Carpet’ (1×11);

#Hello – Quem aí está ansioso para a estreia de “New Girls”, com a multifacetada Lela Durham?

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