Leve, divertida, macabra, estranha e muito bem-feita. Com coragem até no título, a série é um romance peculiar entre dois adolescentes feridos procurando sentir alguma coisa, que eles ainda não sabem o que é.

Tentando traduzir esses conceitos etéreos, a serie acerta a mão na narração dupla. Nós ouvimos os pensamentos dos dois jovens, revelando uma sensível incoerência juvenil, principalmente na hora em que eles procuram saber o que dizer e dizem o completo oposto do que estavam pensando.

Na sua busca por criar seu catálogo autoral, a Netflix também procura uma linha editorial coerente entre as series prontas que compra de outros canais. Diretamente do Reino Unido, vem pra abrir bem o ano, a comédia The End of the F***ing World, produzida e já exibida pelo Channel 4. Ela chega pra injetar força na sessão jeito-fofo-de-falar-sobre-coisas-sérias que a Netflix vem trabalhando com algum sucesso. Rende mídia expontânea e no fundo nos faz discutir algumas coisas que valem a pena.

The End of the F***ing World
The End of the F***ing World

É preciso ter coragem pra enfrentar temas sensíveis e recentemente vimos a gigante do streaming entregar boas produções sobre autismo, suicídio, racismo, bulimia, anorexia e agora a comédia de humor britânico promete discutir de alguma forma sobre a psicopatia.

Mas a promessa termina quando você entende que na verdade não é esse o foco da série. A psicopatia auto-diagnostigada aqui só serve como um desenho metafórico para o vazio que os personagens carregam e que só vai ser preenchido com o desenvolvimento do relacionamento entre eles. Não é nenhum mistério arriscar dizer que ele não vai matar a menina, né?

Eu sei que o humor da comédia britânica não é pra todo mundo, mas a esquisitice apresentada é tão legal que fica difícil não reclamar dos curtos 18 minutos do piloto, se você gosta mesmo desse tipo de série vai devorar ela toda de uma vez. São episódios tão pequenos que fica a sensação de estar vendo um filme dividido em 8 partes. É leve de assistir e o tempo passa super rápido. Existe no ar aquela sensação estranha que só uma serie britânica é capaz de nos proporcionar. Além de deter uma fotografia linda e uma trilha sonora sensacional.

Nesse primeiro episódio, James (Alex Lawther, mais conhecido como o mãozinha peluda de Back Mirror), quase não fala nada e somos apresentados a um anti-herói perigoso que promete não sentir nada. Graficamente, vemos ele enfiar a mão em uma fritadeira quando criança para termos certeza do quão insensível ele é.

Quem fala mesmo durante o episódio é Alyssa (Jessica Barden). E ela fala sempre o que pensa, sempre. Impulsiva, inconsequente e quase sociopata, ela detém as melhores tiradas do roteiro ácido. É sempre divertido quando ela fala e ligeiramente irritante também.

É interessante observar o quanto ele parece admirar o jeito que ela irrita as pessoas, mostrando que os dois na verdade são bem parecidos. A diferença é que ele quer desesperadamente matar alguém. A questão que fica desse piloto, é como a série vai trabalhar a reparação do frágil estado psicológico do casal e se os próximos sete episódios, serão eficientes no desenvolvimento desse romance disfuncional tão excêntrico.

> AS 10 MELHORES SÉRIES DE 2017 🥇👑 feat. Carol Moreira!

Fique por perto para conferir as criticas de todos os próximos episódios da temporada inaugural, aqui no Série Maníacos.

REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anteriorSabrina, Aprendiz de Feiticeira da Netflix, terá Kiernan Shipka como protagonista
Próximo artigoYoung Sheldon é renovado para a segunda temporada pela CBS
the-end-of-the-fing-world-uma-serie-legal-pra-caraoLeve, divertida, macabra, estranha e muito bem-feita. Com coragem até no título, a série é um romance peculiar entre dois adolescentes feridos procurando sentir alguma coisa, que eles ainda não sabem o que é.