A segunda chance de uma série que merecia o sucesso.
É uma metáfora inevitável… Ao mesmo tempo em que cresce e amadurece, The Carrie Diaries também fica cada vez mais ameaçada de extinção. Mesmo que Under Pressure não tenha dito o mesmo desempenho de seu antecessor, The Second Time Around se junto, com louvores, a uma galeria respeitável de bons episódios, que povoaram a segunda temporada de uma grande certeza: essa é uma série que merecia mais atenções. Na reta final da segunda temporada, a perda iminente soa digna das maiores injustiças.
Essa review dupla (que infelizmente precisou ser dupla) vai se dedicar mais ao episódio 8, que foi mesmo uma verdadeira delícia. Com seu charme sempre vivendo entre a inocência e a leve malícia, a série parece estar se especializando nos seus fortes: a irresistível junção do pensamento crônico de Carrie, com os acontecimentos que a cercam. Essa sim, a verdadeira essência da personagem e de tudo que representa o legado de Sex and the City.
The Second Time Around foi um episódio sobre o que é ser pai e como se lida com a bizarra relação que se tem com essa figura. Pais paparicam, em essência, por isso, quando eles são levados pela vida a assumir um papel generalizado, isso pode render uma pá de ótimas cenas com diálogos emocionais e viradas cheias de delicadeza. E “delicadeza” é a palavra de ordem desse magnífico episódio, que já começou economizando em drama.
Os roteiristas suprimiram as tensões de Walt precisar lidar com os pais depois da saída acidental do armário. Como Carrie é o foco e o núcleo, a expulsão de Walt funcionou como uma forma de fazer a discussão reverberar dentro da família Bradshaw. Desse jeito, Carrie e o pai precisaram lidar com a situação. Ele, mais do ela. Porém, as duas melhores cenas do episódio saíram desse conflito. O diálogo em que o patriarca Bradshaw assume seu desconforto e o diálogo em que ele percebe o tamanho da dor do amigo da filha. Dois preciosos e inesquecíveis momentos.
Seguindo essa mesma linha de envolver Carrie em tudo, fizeram outra tentativa de tornar Sebastian indispensável. Eu ainda não gosto do personagem, mas entendo a necessidade dele. Os dramas com a família são sempre uma boa pedida, mas fica melhor ainda quando a nova oportunidade de Carrie na Interview aparece como pano de fundo da questão. Toda a coisa com Larissa pedindo novas tendências é ótima, porque percebemos como a moda realmente é cíclica. Esses são aspectos tão fortes da série, que morro de saber que posso perdê-los de vista.
Sebastian acabou ganhando mais pontos quando voltou a interferir na vida de Maggie de algum jeito. Esse casal sempre foi mais forte. A terceira relação paterna explorada nessa semana, entre Maggie e o pai, teve pouco tempo de tela, mas foi tão terna, tão forte, realmente me emocionou. E a tensão com o guardinha tarado indo cobrar satisfações foi ótima. Adoraria que a incompatibilidade com Carrie fosse percebida por Sebastian e ele se entregasse a uma relação com Maggie… Mas aí, veio Under Pressure.
Apesar de ter começado bem, com Don’t Get me Wrong tocando, o episódio 9 acabou caindo no bom e velho argumento adolescente da festa clandestina quando os pais viajam. Fizeram tudo até do jeito certinho, todo espertinho, mas que depois de uma ótima correlação e temática do episódio anterior, acabou ficando pra escanteio. Num momento de quase final de temporada, o melhor é explorar tensões estabelecidas e não perder tempo com plots quase procedurais, sem função dramática.
E isso foi o que eles fizeram ao mostrar as pressões sofridas por Carrie com relação à falta de rumo do namorado. Infelizmente, isso teve a ver com a ida definitiva dele pra Nova York, o que considero um desserviço com a personagem. Sempre achei que eles caminhariam para a revelação definitiva de que os dois eram incompatíveis, já que é importante estabelecer as carências futuras de Carrie, sua busca pelo inatingível.
Under Pressure também serviu pra redimir Mouse, que é aquela que quando aparece eu vou fazer xixi. Seu drama com West tinha razão de ser, mas ela parece tão deslocada de tudo… Donna eu amo, mas como está inútil nesse ano. Foram ótimos os momentos com a inesperada nova amiga, mas isso só confirmou sua aleatoriedade. Sem nenhuma ligação forte com os outros personagens, Donna permanece como uma carta aniquilada, que infelizmente, vai encerrar sua participação na série devendo muito do que prometeu entregar.
Agora, o sonho de uma renovação é maior ainda, já que essas melhores apontam para um planejamento que seria riquíssimo pro show. Imaginem a personagem entrando nos anos 90? Conhecendo Miranda e Charlotte? Seria magnífico. Infelizmente, a segunda chance da série não funcionou como funcionou a segunda chance de Carrie. Temos pouco tempo pra nos divertir e precisamos aproveitar.
Page One: “Quatro mulheres sentadas, falando da vida, virou uma série de TV? Não vejo isso durando muito”. Essa fala foi sensacional.















