
Quando mulheres começam a discutir a dignidade do Hulk Vermelho é porque estamos definitivamente em uma realidade alternativa.
Spoilers Abaixo:
Caramba, sou muito sortudo, vocês não acham? Essa é a minha segunda review de The Big Bang Theory e tenho a imensa felicidade de ter visto mais um excelente episódio. Tenho a percepção, ainda não posso garantir, de que os roteiristas finalmente acertaram a mão. TBBT é uma série sobre nerds e suas vidas, que sempre foram muito interessantes e peculiares, com uma imensa cultura e costumes inclusos, dentre eles, o ato de se fantasiar (Cosplay e não Coldplay como um amigo meu me disse certa vez). Acredito que com a evolução natural das temporadas e as inserções da Amy e da Bernadette, a série sofreu por algum tempo a perda dessa identidade, o que para mim foi natural, afinal era um processo de transformação e não daria para fazer mulheres apaixonadas por cultura nerd simplesmente do dia para a noite, mas algo eu acreditava: que um dia elas se interessariam pelo mundo dos nossos quatro cientistas. E isso finalmente aconteceu!
Confesso que quando comecei a assistir ao episódio e vi que os quatro iriam para a Comic-Con, logo achei que o episódio seria somente focado neles, mas me atentei que TBBT não deixaria as três ladies fora do episódio assim sem mais nem menos e logo pensei: “Só vai prestar a parte dos quatro”. E mais uma vez quebrei a cara. Eu particularmente preferi a trama das garotas, não só pela comédia em si, ou mesmo pela surpresa do interesse repentino delas em quadrinhos, mas esse acontecimento poderá trazer tantas coisas legais para TBBT, que me deixou muito feliz e esperançoso. Já fico imaginando as discussões sobre o Batman entre Bernadette e Howie, ou mesmo Sheldon e Amy brigando por causa do Homem Aranha, mas ainda tenho calma, afinal Penny estava sob o efeito do álcool do Brunch.
Já na trama masculina só mesmo Leonard pra deixar o carro com as chaves na ignição, né? Mais engraçado ainda foi a sessão de fotos com direito à pose das panteras e Sheldon pensando. Por sinal, nota dez para o figurino da turma representando Star Trek – The Next Generation. Sheldon de Sr. Data foi o meu figurino favorito. Destaque para a cena na lanchonete e claro, a cena do Sheldon no carro hackeando o GPS do Leonard. Até onde a mente desse rapaz pode chegar? No final as pessoas gostaram das charadinhas, e confesso que eu compraria um para mim também. Não há o que reclamar das atuações de ninguém nesse episódio, até o Leonard que geralmente é o mais centrado me fez rir em diversos momentos.
Mas nem tudo foi apenas risada. Sheldon, em um dos raros momentos de sensatez e comoção disse uma frase que até me deixou pensativo: “Somos tripulantes imaginários recebidos com o lixo da vida real, por estranhos da vida real que nos acham idiotas. Para falar a verdade começo a me achar um”.
E essa frase realmente resume o pensamento de muitos nerds que na verdade só buscam conhecimento, entretenimento e diversão. Fantasiar-se dos seus personagens favoritos em feiras de fãs não faz de uma pessoa mais adulta, mais inteligente ou mais idiota. É apenas um costume, uma maneira de reverenciar personagens que foram importantes para a vida dessas pessoas em algum momento e que ajudavam a escapar da triste realidade das escolas, onde super heróis não existiam e você convivia com a eterna perseguição daqueles que o consideravam um lixo apenas por existir.
Momento reflexão passado, tudo voltou ao normal com a cena que deu o título a essa review. Ouvir as meninas brigando sobre a dignidade do Hulk não só fez os nerds voltarem ao normal como eu também, afinal, essa é a nossa realidade. Esse é o nosso mundo alternativo.
Observações do Sr. Data:
– E mais uma vez The Big Bang Theory bateu seu próprio recorde de audiência com impressionantes 19,8 milhões de telespectadores. Acho que não fui só eu que gostei dos dois últimos episódios.
– Logo quando vi que as meninas iriam para a loja de quadrinhos já comecei a rir sozinho de como seria a recepção dos nerds da loja quando vissem três mulheres sozinhas comprando revistas em quadrinho. E a cena fez jus às minhas expectativas. Destaque para o nerd de calça moletom cinza e claro, ao Stuart pagando pau pro Thor.
– Poxa, na loja de quadrinhos vende mangá, mas sinto tanta falta de ver uma discussão sobre algum deles. Fico imaginando Sheldon e Leonard brigando por causa de Dragon Ball Z, ou mesmo os quatro fantasiados em algum evento de Anime, como é tão comum no Brasil, principalmente em São Paulo.
– Quando um homem tem mais maquiagem que a sua namorada é sinal de que algo não está certo.
– Fantástica a cena do Leonard tirando foto com a Penny segurando o jornal. Participo de fóruns e cansei de ver a galera pedindo foto com o jornal do dia para provar que a garota não é fake.
– “Já peguei emprestado maquiagem da minha irmã para uma competição de fantasia e fiquei com conjuntivite. Por sorte, eu ia de zumbi. Ganhei o segundo lugar”. Preciso comentar algo?
– Amy: “Adoro um valentão”.
Penny: “Comprovado pelo seu namorado que tem medo de hamsters” – disse tudo!
– E na briga sobre o Thor estou com a Bernadette, afinal, só o Thor pode segurar seu martelo e ele fica leve em sua mão porque ele é um deus. Alguém discorda?














