2013 chegou, e Revenge está de volta… À TV, e aos bons e velhos tempos!

Spoilers Abaixo:

Há cerca de um ano, Revenge começava a se consolidar como uma das maiores surpresas positivas da fall season 2011-2012 na TV aberta norte-americana.  A cada episódio da primeira temporada, nossa novela mexicana favorita dos EUA se mostrava mais madura, dinâmica e surpreendente. É difícil não olhar para trás e se sentir no mínimo levemente decepcionado com os rumos que a série tomou em sua segunda temporada, que já começou com a ressurreição de Victoria Grayson por um Mike Kelley que sequer se deu ao trabalho de explicá-la a nós.

Pois bem, amigos Revengers. Por meio deste décimo episódio, Mike Kelley parece estar dando seu recado: “errei e entendi, agora tenham calma que eu ponho a série de volta aos eixos”. É assim que interpreto o retorno da breguice mais querida por todos nós, que é ver Emily marcando um X no seu coração na cara de um vilão aleatório derrubado. Já fazia quase um ano, hein? Ô saudade!

O malvado em questão é o tiozinho de Dexter juiz Barnes, que, corrupto como todos os demais envolvidos, interferiu na composição do júri do caso de David Clarke para garantir que o falso terrorista fosse condenado. Não vale a pena detalhar o desenrolar dessa trama, que foi superficial, previsível e estava ali apenas para nos dar mais um gostinho da saudosa Revenge, mas é interessante notar que, mesmo só precisando de uma história “bobinha” para atingir esse objetivo, o roteiro até que cuidou bem dessa pequena jornada de Emily para descobrir a verdade.

De certa forma, essa foi a maior vitória de Emily até agora, já que permitiu levar a público a dúvida sobre a veracidade da culpa de seu pai. Não sei se isso vai mesmo render algo para a série, e arriscaria até dizer que não, mas é no mínimo importante perceber que foi um grande passo. Antes de seguir adiante, porém, vale pontuar algo que eu jamais teria imaginado: Revenge fazendo campanha contra a violência doméstica! Dan Stulbach manda lembranças e raquetadas, e Glória Perez ficaria orgulhosa, hein?

Outro sinal de que Revenge está voltando para o caminho do bem foi termos passado 42 minutos vendo Daniel sendo enrolado e tapeado pela nova dupla dinâmica, Emily e Vicky – ô união linda! Parece que a capacidade de fazer sinapses não durou muito na cabecinha do rapaz, o que só me dá alegria, porque quero mais é me divertir com a burrice dele. Mas é claro que Daniel não é o único com sentimentos incubados nessa história, e Emily, por mais que jamais admita, certamente terá uma recaída depois de trocar tantos amassos com o herdeiro de seus inimigos. Conclusão: mais “season 1 feelings” do que isso, impossível, não? Quero mais é que Aiden se morda de ciúmes, vá para o dark side atrás da irmã ex-morta e atual sumida – que todos já sabíamos que acabaria aparecendo –, e morra até o season finale! Aliás, que tal levar a Padma junto?

Falando nela, não é curioso que um episódio bom como há um tempo Revenge não fazia é justamente o primeiro, da leva mais recente, em que não vimos nem cheiro de Padma? Se eu fosse um pouco mais ácido, diria que estamos diante de um maravilhoso exemplo de relação causa-consequência, mas como não sou, não direi. Sozinho, Nolan voltou a ser o Nolan que nos conquistou na temporada passada. Seu diálogo com Daniel foi divertidíssimo e muito inteligente.

Enquanto o triângulo Nolan-Padma-Marco ameaça, mas não chega, vamos nos divertindo com seus ciúmes explícitos da parceria entre Aiden e Emily. Tenho a sensação de que essa foi a forma que Kelley encontrou para inserir a voz dos próprios fãs na série quanto à separação de Ems do bilionário. É pura diversão, tanto nossa quanto de Nolan, ver o nerd torturando o “rival” britânico em relação à possibilidade de Daniel e Emily não ficarem só no namoro de mentirinha. Até porque, como nós, Nolan já viu esse filme.

Por último, e, sim, MUITO MENOS IMPORTANTE, está o meu, o seu, o nosso núcleo Porter, que esteve mais chato e previsível do que nunca! Destaque apenas para o espírito de “Heroes” baixando em Revenge e fazendo com que Declan recolhesse os grãos em velocidade sobre-humana e com que a super audição do irmão Ryan número 2 o ajudasse a perceber o grão sendo esmagado quando pisado. Agora, Jack está preso – isso porque o policial era brother dele – e é o momento de Amanda acionar Emily para ajudá-la a tirar Jack da cadeia, claro. Já passou mesmo da hora de a nossa heroína interferir nessa história. Tenho certeza de que ela consegue se livrar (e, mais importante, nos livrar!) desses irmãos metralha em meio episódio, se tentar.

“Power” não chegou a ser tão empolgante quanto “Intuition” (o famigerado episódio de Victoria Tedesco, que considero o melhor da temporada até agora), mas não se pode negar que foi um ótimo episódio. Resta agora esperar que Mike Kelley descarte logo os irmãos Ryan e uma série de inovações da temporada que não deram certo, e passe a focar a Iniciativa, sobre a qual ainda não sabemos praticamente nada além do fato de eles terem uma bitch assustadora como representante.  No meu caso, o otimismo domina após o fim do episódio, que, a meu ver, também pode ser considerado um marco nesta temporada, o provável início de um segundo ato que tem tudo para trazer de volta aquela Revenge que aprendemos a amar, e da qual, sejamos honestos, temos sentido falta ultimamente.

Observações:

– Palmas lentas para a dinâmica de provocações entre os Vicky e Conrad, que está hilária, com cenas como o braço sobrevoando o celular e indo para o café, e o “Oh, God help us all!” de Victoria quando Conrad começa a demonstrar empolgação com política (isso sim seria um ótimo twist, hein?)

– Troféu sutileza de elefante: para Daniel, virando o pescoço em 180 graus para espiar a discussão falsa entre Aiden e Emily.

– Amanda precisa correr o mais rápido possível de volta para a Revenge de Emily. Esse núcleo dos Porter é tóxico demais! Aliás, bem que podia ser nossa musa homicida a pessoa a naufragar o Amanda com aqueles irmãos dentro e encerrar logo toda essa história!

– Por favor, analisem as duas imagens abaixo e respondam: o que é melhor, a cara de “enganei o bobo na casca do ovo” ou o já claríssimo recado da série (e um de seus poucos grandes acertos nesta temporada) de que Emily e Victoria são de fato farinha do mesmo saco?

P.S. – Qualquer semelhança entre os bananas ao fundo de ambas NÃO é mera coincidência.

P.P.S. – Ashley who?

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.