Tic, tac, tic, tac: este é o som do cerco se fechando contra o Diretório S.

Spoilers Abaixo:

Definitivamente era “dia da verdade” em The Americans: todo mundo resolveu desenterrar um esqueleto do armário no episódio desta semana. O capítulo se permeou por três núcleos definidos – e cada um teve sua revelação. Começando por Viola, que em cada faxina que fazia no escritório de Casper Wienberger via sua expectativa de vida diminuída em cinco anos, tamanha a apreensão que passava.

Também pudera, coitada, após todo o aperreio que vivera junto com seu filho no episódio The Clock (1×02), tinha que lidar diariamente com a lembrança do ocorrido ao topar com o relógio grampeado. Após tomar uma injeção de coragem, Viola decidiu contar tudo à Sra. Weinberger, que, naturalmente, a encaminha diretamente ao FBI. O momento em que Viola conta de seu sofrimento aos agentes foi consternador – pudemos claramente perceber o incômodo de um inquieto e atordoado Stan (e seu ódio aos soviéticos crescendo a cada segundo). O que nos leva à pulga habita o verso da orelha de Stan desde o episódio passado: o casal. Viola foi abordada por um casal, assim como o agente da CIA em Only You (1×11). E foi o suficiente para ele ligar os pontos de que eram as mesmas pessoas, afinal, só deve existir um casal de espiões russos nos Estados Unidos, não é Sr. Beeman?

Foi esse o pensamento dos demais oficiais do FBI – não dá para concluir nada ainda, ainda mais com retratos falados tão diferentes. Mas Gaad e Stan estão convencido de que são as mesmas figurinhas carimbadas. E convenhamos, considerando que a escuta continua no escritório de Weinberger – as palavras ditas por lá agora são estritamente ensaiadas – está fácil arrumar uma emboscada para desbaratar os soviéticos, não é mesmo? Eu, mais uma vez, chuto que Stan chega aos dois no próximo episódio. Tomara.

Em seguida, foi a vez de Nina abrir a mandíbula. Diferentemente de Viola, que já demonstrava seu estresse com a situação desde o capítulo anterior, não esperava que a soviética fosse abrir o jogo tão cedo. Mas o desejo de vingança e um provável sentimento por Vlad (que eu nem sabia que existia) falaram mais alto e agora ela quer sangue. Achei digno quando ela chega pro Arkady e diz, na lata: “ó, boss, negócio é o seguinte: eu contrabandeava muamba pra Rússia, sou a informante americana, te dei o balão, te fiz de besta e ainda fui promovida”.

Talvez “O Juramento” que fizera minutos antes declarando sua lealdade à terra mãe tenha influenciado nessa decisão, mas suspeito que a gota d’água foi quando ela perguntara se Stan tinha matado Vlad e ele mentiu categoricamente. Talvez isso também a tenha salvo de ser enviada de volta para a URSS – novamente achei digno ela chegar para o chefe dizendo: “agora mudei de ideia: se quiser me matar, vai em frente, mais tô aqui pra me redimir e vou fuzilar americano a balde, confia em mim!”.

Disso, eu tiro três coisas: primeiro, como ela descobriu sobre Stan? Acho que ela apenas suspeitava do fato de não haver nenhuma evolução na investigação feita pelo amante e percebeu a mentira dele – ou ela sabe de algo que eu não sei (ou deixei passar). Segundo, adorei a cara de “puta que pariu” que Arkady fez enquanto ela contava tudo – “como diabos fui promover essa cobra”, deve ter pensado. Terceiro, estou muito a fim de ver Nina pagando suas dívidas com a terra mãe e fazendo Stan e o FBI de bestas – adoro quando o FBI é feito de besta.

O terceiro arco do episódio envolve diretamente nossos protagonistas e foi o que mais tomou tempo de tela (infelizmente, na maior parte, de maneira bem arrastada). Neste diapasão é mais difícil separar verdade de mentira: dá para desconfiar de todo mundo. Mas subdividamos este arco soviético em dois núcleos.

Primeiro, o plot do escudo antimísseis. Como disse Elizabeth, não dá para saber as intenções de Sanford Price (o viciado em jogos que apareceu no sétimo episódio, Duty and Honor, e eu jurava que já ia ter morrido a essas alturas), ao vender inteligência de um suposto “coronel da força aérea americana que tem informações nevrálgicas sobre o programa antimíssil”. História bem estranha, que faz logo pensar que tem FBI, CIA – o que for – por trás disso, para desmascarar os soviéticos. Pior ainda quando o cara diz ter recrutado o cientista – nessa hora o alarme de “vai dar merda” deve ter soado bem alto na cabeça de Elizabeth. Convenhamos que é tudo muito bom para ser verdade: seria uma fonte de altíssimo escalão, algo que eles estavam precisando.

Também foi bem “desconfiável o excesso de fé de Claudia – “te acalma que isso não é golpe não, Elizabeth”, repetiu ela várias vezes – como se soubesse de alguma coisa. Que fique claro: eu adoro a personagem, mas sempre dá para desconfiar de Claudia. O certo é que Sanford cumpriu o acordo inicial, deixou a plaquinha com as informações e o negócio parece que é verdadeiro – “10 anos à frente de tudo que a URSS tinha”. O que só serviu para aumentar a tensão entre Claudia e Elizabeth, que trocaram farpas como duas adolescentes. Disso, ficou o tal “encontro vital” com o informante para a season finale, além da ameaça do casal principal de “pedir para o Centro mandar aquela vaca de volta para a URSS”. Claro, tem também o Stanford, que foi preso (ele tem mesmo cara de que não paga a pensão alimentícia) e promete dar muita dor de cabeça ainda – menos para Claudia, para quem está tudo bem, está tudo certo, o plano deve continuar (estranho, não?).

O segundo subnúcleo (tá ficando complicado, hein?), começou com Clarck querendo mais um favor – que Martha colocasse uma caneta-espiã no escritório de Gaad – e logo evoluiu para um pedido de casamento. Gente, o relacionamento foi rápido (dizem que esses são os que dão certo), e logo vimos a família(?) reunida para a celebração do enlace matrimonial. Que pena de Martha, coitada, que desencalhou – mas com o homem errado.

O momento do casório em si foi interessante para notar como os protagonistas parecem ter feito suas pazes com o destino que lhes é apresentado (nada de Elizabeth mimizenta). A ex-esposa até se emociona e arremata: “talvez se tivéssemos dito aquelas palavras tudo teria sido diferente”. Dá até para fazer um paralelo com aquela conversa que ela teve com Paige, quando Elizabeth estatuiu que via em Phillip “tudo que precisava”, mas mesmo assim não deu certo. A protagonista, assim, assume uma postura de resignação, mesmo que seja temporária. Do mesmo jeito o ex-marido que já tem um novo apartamento e se sente confortável em brincar com as crianças apenas de vez em quando – sinal de que já aceitara o ocorrido.

Deste último plot, fica para o episódio seguinte a escuta no escritório de Gaad (Martha mais sutil que um carro alegórico para colocar a caneta), que certamente renderá algo. Confesso que espero, ainda, novas reuniões familiares com a mãe Alexandra, a irmã Jennifer e muita tensão (quem não quer?).

Pela quantidade de compartimentalizações dessa review, percebe-se que aconteceram muitas coisas no episódio. Novos arcos, que se resolverão no capítulo final ou que se desenrolarão por toda a próxima temporada. Situações interessantes, pertinentes. Contudo, este não foi meu sentimento ao terminar o episódio – e sim minha conclusão após fazer esse texto, analisando todo o ocorrido nos 40 minutos. Ao fim da exibição, minha sensação foi bem parecida com a da semana passada: faltou algo, faltou a marca registrada de The Americans.

Tal qual Covert War, The Oath foi bem feijão-com-arroz: nada de direção e fotografias espetaculares, nada de diálogos afiados (percebam que a essa review falta a seção “Frases Marcantes”), nada daquela tensão perene que nós fomos acostumados. Em seus dez primeiros episódios, The Americans definiu um nível muito alto que, naturalmente, decepciona quando não é novamente atingido. Não obstante, repetindo o fechamento da review passada, os ótimos momentos de The Oath foram “mais que suficientes para eu esperar ansiosamente” pela season finale.

Pensamentos finais:

– Boto é fé no FBI se eles conseguirem localizar Phillip e Elizabeth a partir desse retrato falado (porque né, nada a ver!):

– Eu preciso daquela mesa em que Claudia jogava Pac Man. Sério, o quão legal era aquilo? Ainda mais que, como ela disse, “Pac-dots são zero caloria!”.

– A banda de Matthew ensaiava tocando Mississippi Queen, música lançada em 1970 pela banda Mountai e que virou um clássico do rock. E ver o solo da canção sendo tocado por uma concorrente foi mais que suficiente para atiçar o ciúme da jovem e apaixonada Paige…

– Nina conta para Stan que Sonya encontrou o “sub-chefe de uma missão na embaixada francesa” e que Arakdy acha que ele é vulnerável, e que não sabe se é um agente ou um diplomata de verdade. Perguntas: quem é Sonya? Que missão é essa? Vulnerável a quê? De onde surgiu esse plot, meu santo?

– Não coloquei como a imagem que abre a review por precaução em relação a spoilers, mas diz aí se Claudia, Elizabeth e Phillip (ou melhor, Alexandra, Jennifer e Clarck) não são dignos de propaganda de margarina juntos de seus novos entes queridos? Especialmente Margo Martindale e seu modelito Vovó Anastácia…

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