O resgate de uma vida (inteira)…

Spoilers Abaixo:

Não me canso de dizer: como sou feliz com Doctor Who! E não é somente por causa de episódios como esse e sim por causa do conjunto da obra. E que bela obra é essa! Uma obra complexa e ao mesmo tempo simples, mas que antes de mais nada é completa e de uma qualidade fenomenal. E além de tudo isso ainda consegue ser uma obra linda demais.

E sim, esse episódio exemplifica tudo que eu disse e meu Deus como foi lindo! Roteiro com sua devida mensagem e óbvia qualidade, atuação poderosa (Matt Smith e Jenna-Louise Coleman eu realmente amo vocês), mas principalmente devemos honrosamente mencionar os efeitos especiais. Os efeitos especiais de Doctor Who nunca foram os melhores do universo, mas aos poucos isso está mudando. Os efeitos estão cada vez melhores e nessa nova leva de episódios estão realmente superando as expectativas (pelo menos as minhas). Se for o caso parabenizo a BBC por liberar a verba, fazendo Doctor Who ser realmente um série perfeita!

Mas vamos ao episódio. Eu estava ansiosa por ele simplesmente por causa do nome, afinal oportunidades de explorarmos a TARDIS são sempre bem-vindas. E de novo minhas expectativas foram superadas.

Tudo começa com o Doctor tentando fazer Clara e TARDIS se entenderem de vez. Ele baixa as defesas da TARDIS para que Clara, a garota, possa pilotá-la sem maiores problemas. Sem suas milhares de defesas a TARDIS se torna alvo fácil dos irmãos Van Baalen, que são os tripulantes de uma nave de resgate de “lixo espacial”.

No meio da confusão e da colisão com a nave dos irmãos Van Baalen, Clara se perde no interior da TARDIS. E assim ganhamos outro episódio onde a TARDIS é a estrela principal, e ainda por cima divando mais que nunca, duplicando salas e ensinando boas lições para ladrãozinhos espaciais! O Doctor não mediu esforços para resgatar Clara, afinal tratava-se do resgate mais importante de todos. Ele fez cara de malvado e até fingiu acionar o auto detonador da TARDIS, e eu só conseguia pensar em quão fofo e singelo é esse relacionamento Doctor-Clara.

Como já disse, quaisquer oportunidades de conhecermos mais sobre e da TARDIS são sempre bem-vindas, ainda mais quando essas oportunidades trazem lembranças de eventos passados da história da série. Eu não sei quanto a vocês, mas eu vibrei como criança com cada pedacinho que nos foi mostrado.

Em sua exploração/fuga pela TARDIS (que é infinita) Clara nos mostrou a piscina e a biblioteca. Mas os melhores foram objetos como, o berço do Doctor que apareceu no episódio “A Good Man Goes to War”, a réplica da TARDIS feita por Amy e que vimos pela última vez no episódio “Let’s Kill Hitler” e até mesmo um guarda-chuva usado pelo Doctor em sua sétima encarnação. Clara ainda achou a “The Encyclopedia Gallifreya”, que têm o formato de garrafas e contêm informações preciosas. Uma dessas garrafas vaza e então escutamos partes dos diálogos do episódio “The End of Time”.

E não é só isso, um dos irmãos Van Baalen, mais especificamente Bram, fica encarregado de colher pedaços importantes da TARDIS e enquanto ele faz isso nós escutamos mais partes de diálogos, dessa vez de diferentes episódios como “An Unearthly Child” (o primeiríssimo episódio da série), “Colony in Space”, “The Robots of Death”, “Rose”, “Smith and Jones”, “The Beast Below” e “The Doctor’s Wife”. Isso é possível porque a TARDIS vive e possui lembranças.

Pela primeira vez vimos a “The Eye of Harmony” (estrela que explodiu e está no caminho de tornar-se um buraco negro) inteira. E com ela entendemos que aquelas criaturas que perseguiram Doctor, Clara e os irmãos Van Baalen eram suas versões do futuro (queimados pelo “The Eye of Harmony”). Tudo isso porque a TARDIS estava vazando momentos temporais. Isso mesmo minha gente, a TARDIS estava vazando eventos do passado e do futuro.

No meio dessa confusão toda teve até tempo para mostrar o relacionamento entre os irmãos Van Baalen. Depois do acidente que custou a vida do pai, Trick perdeu a memória e teve órgãos danificados substituídos por implantes artificiais, assim Gregor que queria seu posto de capitão, o fez acreditar que era um androide.

Como bem sabemos, o Doctor nunca se conforma (ou se conformará) com a derrota e sempre irá, pelo menos tentar, mudar o futuro quando possível e necessário. E como sabemos ainda mais, ele sempre consegue. E eu, mesmo com conhecimento de causa, quase infartei com aquela história da destruição da TARDIS. Mas graças a Clara (de novo) e sua bonita e frágil pele, o Doctor consegue mandar uma mensagem para ele no passado, no exato momento onde aquela confusão toda começou e o que acontece depois é o que sempre acontece, e exatamente o que faz Doctor Who ser o que é.

Claro que mudar os acontecimentos, seria mudar as lembranças daqueles envolvidos. E claro que, no que diz respeito a Clara foi feito exatamente para nos arrasar, afinal ela não somente descobriu a realidade de sua história com o Doctor, como também descobriu o nome dele através do livro “History of the Last Great Time War”. O Doctor lembra de tudo porque é um time lord mas Gregor Van Baalen não é, e mesmo assim seu subconsciente diz que ele deve ser uma pessoa melhor. Subconsciente ou vaga lembrança? Se for a segunda opção é sinal de luz no fim do túnel, que possibilitará Clara lembrar de tudo, e não vamos esquecer que o nome do último episódio dessa temporada é “The Name of the Doctor”.

Hora da saga da procura das referências a Rose: vocês acharam alguma dessa vez? Não pode ser o uso do áudio do episódio “Rose” é claro.

Momento mulherzinha: se o Ashley Walters (Gregor Van Baalen) aparecer mil vezes na série, ou em qualquer outra série que eu assisto, não vou reclamar de jeito nenhum!

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