Duas lendas e um destino que marca o fim de uma Era. O que sobrou de ousadia para uma, faltou para a outra num episódio histórico de Survivor.

Há exatos 10 anos atrás, aconteceu a temporada mais grandiosa de Survivor, Heroes Vs. Villains, que influenciou os 10 anos seguintes do programa. Sandra e Parvati saíram gigantes da edição, enquanto Amanda, Stephenie e até mesmo Cirie perderam um pouco da sua grandiosidade na comunidade que acompanha o programa. É natural que isto ocorra, uma vez que o rendimento das duas, que já eram vencedoras na ocasião, foi excepcional, enquanto outras pessoas consagradas acabaram caindo cedo ou não conseguindo repetir os seus feitos do passado.

Os tempos mudaram e “Quick on the Draw” foi um episódio histórico, indicando novos tempos, que devem celebrar participantes diferentes. Não estou dizendo que Parvati e Sandra vão deixar de ser lendas do programa, o legado de ambas, com certeza, está a salvo. Contudo, precisamos entender este momento como um marco na história de Survivor, em que as lendas do passado passam a tocha para novos nomes conquistarem um espaço no Pantheon do reality.

Não há simbologia melhor para o atual momento de Survivor do que a eliminação consecutiva de Tyson, Boston Rob, Parvati e Sandra, os três remanescentes do elenco de Heroes Vs. Villains. O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa  e, para o desespero dos Bolsominions, é impossível lutar contra a evolução. Não há majestade que reine eternamente. O absolutismo caiu. A rainha caiu. Acho que na modernidade vamos ter uma Presidenta ou Presidente em Survivor, alguém que olhará para trás com respeito e admiração à Sandra, Parvati e Boston Rob, mas com a consciência que os tempos mudaram.

Eu garanto para vocês que continuarei aclamando estas pessoas que fizeram e fazem ainda história no meu reality favorito. Afinal, The Queen Stays Queen e Parvati e Rob sempre ocuparão um lugar de importância na mitologia deste reality também. Todavia, a história nunca para, ela está sempre em movimento e consigo prever que nos próximos anos estas figuras não serão tão unanimidades, ao mesmo tempo em que outros ocuparão este espaço. Isto não vai ocorrer instantaneamente. Muito provavelmente, o vencedor de Winners At War ficará um tempo em quarentena, mas o seu momento de glória chegará. Foi assim com Sandra, que teve a sua vitória em Heroes Vs. Villains contestada na época, mas que aos poucos foi reconhecida em seu trono.

Fiquei um tanto quanto surpreso com os ataques de muitos fãs a Jeff Probst, basicamente porque ele falou que o episódio foi histórico. Na minha opinião, os fãs são muito emocionados e acabam xingando tudo que Jeff fala, sem o menor senso crítico. Para alguns, Jeff dizer que o episódio é histórico é entendido como machismo, já que para estes ele, com certeza, ficou muito feliz de ver dois dos maiores nomes de Survivor saindo antes da merge só porque são mulheres. Para mim, penso exatamente o oposto e acho bastante respeitoso com a história das duas entender as suas eliminações como históricas, mesmo que elas não fossem tão surpreendentes assim antes da temporada começar.

Sandra e Parvati são as duas maiores estrelas da história deste reality. Disso, eu nunca tive dúvida. O episódio desta semana foi extremamente doloroso, ainda mais que muitos já vislumbravam as duas na merge. Foi sim triste, mas isto não muda o fato de que foi um grande episódio e que mantém a média da temporada lá em cima.

You Don’t Hand The Enemy The Idol

Sim, apesar de ser um grande fã de Sandra, precisei nomear o capítulo em que analisarei a sua eliminação com uma frase de Russel Hantz, que me bloqueou no Twitter, porque uma vez o respondi “The Queen Stays Queen” para ele. Afinal, não podemos deixar de dizer que, em última instância, Sandra fez basicamente o mesmo que JT fez em Heroes Vs. Villains. Alguns podem dizer que ela fez até pior, uma vez que estava na maioria e completamente salva, enquanto JT tentou dar uma de Yul, dando um idol em troca de um aliado.

Depois de 15 dias de Survivor muito bem jogados e com a sorte a seu favor, Sandra estava na maioria da sua tribo e com um idol em seu poder. Para melhorar, ela e a sua aliança, Kim e Tony, convenceram Jeremy a votar com eles em Denise. A situação era tão favorável que ela se sentiu confortável demais, o que a levou a fazer uma jogada que poderia ser ótima caso tivesse dado certo, mas que acabou sendo um verdadeiro desastre.

Na minha opinião, usar um idol que está prestes a expirar num momento em que não se tem a necessidade pessoal de tê-lo é um convite para usá-lo para um outro propósito. Tudo em Survivor pode ser usado e benefício próprio. Venho dizendo isto desde que a produção inseriu idols com prazo de validade, já que eles encorajam a pessoa a usá-lo de maneira criativa num momento em que ele não é preciso para assegurar a permanência de quem o tem. Esta estratégia é boa e pode sim dar muito certo, mas obviamente é arriscada.

Ocorre que quem tentou executar esta jogada é Sandra Diaz-Twine, a maior vencedora da história de Survivor, que deveria entender que não pode dar nenhuma oportunidade, por menor que seja, para os seus adversários. Sandra, na posição de Two Time Winner, tinha que ser mais conservadora e entender cada Tribal Council como um grito de sobrevivência. Não adiantava para ela pensar muito lá na frente, estocando Fire Tokens como se fosse álcool em gel. Sandra fazia parte do grupo de risco para a eliminação e deveria ter sido mais pragmática, sem dar muitos ouvidos para a ganância.

Imagino que, justamente por saber que era um alvo grande demais, Sandra entendeu que precisava agir enquanto estava a salvo para continuar assim no futuro. Pensar a longo prazo e sempre agir para melhorar as suas chances é algo realmente necessário no Survivor de 2020, temporada 40. Entretanto, para quem está sempre em risco, a política do “as long as it’s not me” seria muito mais adequada. Sandra traiu suas próprias raízes e acabou eliminada precocemente pelo ótimo jogo realizado até aqui.

Vimos Kim e Boston Rob falhando em suas estratégias, especialmente, porque todos os respeitam e sabem de quanto perigosos eles são. O mesmo aconteceu com Sandra. Uma jogada que poderia ter dado certa caso fosse executada por Denise, por exemplo, tem mesmo muito potencial de sair pela culatra quando é a jogadora mais respeitada da história quem tenta.

Além disso, Sandra fez uma leitura equivocada da situação, entendendo que Denise estava desesperada o suficiente para fazer exatamente o que ela mandasse. Na verdade, Denise não precisava do idol de Sandra e mesmo que precisasse poderia ter mantido a sua estratégia de votar justamente em quem lhe deu o idol. Podemos dizer que Sandra subestimou Denise, sem nem sonhar que ela poderia fazer uma coisa dessas.

Em Island of the Idols, Sandra assistiu de camarote Kellee fazendo uma jogada muito parecida, uma vez que ela concedeu o seu idol para Dean usar, sem que ninguém da sua aliança soubesse, exatamente porque ele estava por expirar. Contudo, a jogada de Kellee foi bem melhor planejada, já que a mesma utilizou Noura como um plano de contingência caso Dean ousasse votar em quem lhe deu o idol e salvou a sua pele. Ao não votar em Jeremy, Sandra colocou o seu destino completamente não apenas nas mãos de Denise, mas também nas do próprio Jeremy. Afinal, mesmo que Denise tivesse votado nele ou em Tony, o voto de Jeremy poderia não ter sido em Denise e causado um empate.

Em Winners At War, Sandra passou dias se reinventando e conquistando a confiança de Tony e até mesmo de Kim, o que lhe deu os números com tranquilidade na Swap. Todavia, quando chegou na hora de colher os frutos do seu ótimo jogo social realizado na Dakal, Sandra resolveu colocar o seu destino nas mãos do inimigo, com quem ela não teve muito tempo para se alinhar. Sua jogada foi de risco desnecessário e ela pagou com a sua eliminação por ter ido contra a dinâmica de Survivor. O jogo social somado ás vantagens presentes no reality hoje devem servir à sua permanência e não o oposto.

Sandra jogou para vencer, para garantir a todo momento uma posição mais confortável, mas isto lhe causou uma certa cegueira na medida em que ela inverteu toda a dinâmica de Survivor, colocando a sua permanência em risco para obter uma vantagem. Bato palmas para os jogadores que se arriscam e que fazem jogadas ousadas, mas não tenho como não criticar Sandra depois de algo que eu esperaria de JT e não dela.

Em Micronesia, após uma das jogadas de maior impacto da história de Survivor, James explicou que Erik estava no mar usando um colete salva-vidas, o colar de imunidade. Entretanto, ao invés de continuar seguro com ele, Erik resolveu dar o colete salva-vidas para uma das quatro pessoas que estavam seguras no barco, sem riscos de se afogar como ele. Resultando, quem morreu afogado foi Erik. Aqui, Sandra estava no barco e com o colete salva-vidas de forma tão segura que resolveu cedê-lo para Denise, que não se importou com tal gentileza e chacoalhou o barco para que Sandra caísse e morresse afogada. É trágico, mas é verdade. As long as it’s not Denise deu certo apenas para Denise e para mais ninguém.

Uma eliminação histórica. Uma jogada que será comentada por anos. Nenhuma mancha na reputação da ainda maior e melhor vencedora da história de Survivor. E para quem discordar eu grito I CAN GET LOUD TOO WHAT THE FUCK.

Quem foi o melhor jogador do episódio?

“Ora, o Tribal Council de hoje nos mostra que, não importa como vocês categorizam uns aos outros como ameaças, é preciso apenas de uma jogada para se tornar um jogador de primeiro escalão. Bem vinda ao clube.” Prosbt, Jeff.

Sim, eu concordo com Jeff que Denise causou o impacto que queria para ser valorizada como uma das melhores jogadoras de Survivor. Acredito que ninguém dúvida de que ela foi bem e que um move como este pode ser suficiente para que ela convença todo O júri de que merece vencer uma temporada tão disputada como Winners At War. Denise sempre foi mais uma sobrevivente (em um milhão de Tribal Councils) do que uma jogadora estratégica que faz moves e usa as pessoas como peões em seu tabuleiro. Todavia, eu não acredito que ela tenha feito a melhor jogada possível para o seu benefício próprio e nem que foi a melhor jogadora do episódio.

Eu não sou o maior fã da ideia de construir um currículo para apresentar ao júri ao final da temporada. Não gosto deste conceito e não vejo esta recente obsessão de muitos participantes como a melhor estratégia a adotar. Para mim, isto é uma grande bobagem e o vencedor será quem chegar ao final e for escolhido pelos jurados, independente da quantidade ou da grandiosidade das jogadas realizadas.

Na minha visão, cada um faz o melhor jogo possível para chegar ao final e depois mostra ao júri do porque este caminho era o melhor, sem precisar expor jogadas grandiosas que servem ao propósito de serem apenas jogadas grandiosas. O big move pelo big move nunca foi algo que eu gostei muito. O big move tem que ser reconhecido como big move por facilitar o caminho do jogador à vitória.

A grande jogada foi feita. Agora a Denise tem um currículo respeitável, mas agora também deu aos seus adversários motivo suficiente para ser eliminada. Survivor é um jogo complexo, As suas forças se tornam fraquezas e as suas fraquezas se tornam forças. Assim, Denise corre um grande risco de não chegar ao Final Tribal Council justamente por ter sido quem eliminou Sandra numa jogada épica. Se antes ela tinha a vantagem de não estar na lista das grandes ameaças, muito provavelmente agora ela faz parte desta seleta lista. Ser rico e famoso tem as suas vantagens, mas também pode ter como resultado um contágio com cornavírus no casamento da Pugliese. Da mesma forma, é bom ser reconhecida como a grande jogadora que é, mas isto pode trazer malefícios e obstáculos para Denise.

Ao meu ver, ela tinha opções melhores do que eliminar Sandra e gastar todo o seu arsenal de proteção. A primeira opção seria votar em Sandra sem gastar o seu segundo idol, correndo o risco da Rainha não sair por conta de outros votos, mas mantendo o idol para o futuro, em que retaliações poderiam vir. A segunda opção seria votar em Tony, igualando o número de membros entre Sele e Dakal na tribo e mantendo o idol em seu poder e Sandra como uma possível aliada. A terceira opção seria manter o seu idol e votar em Jeremy, usando da fofoca e do seu idol remanescente para implodir a aliança entre Sandra, Kim e Tony.

Independente de ser a minha participante favorita quem saiu, não vejo sentido em eliminar justamente aquela pessoa que lhe deu um idol. Afinal, trata-se, justamente, de quem mostrou interesse na sua permanência. Se Sandra quer manter Denise ao ponto de lhe dar o seu idol, por que votar nela e não no restante da tribo, que realmente queria que ela fosse para a Edge of Extinction?

Denise acabou jogando fora uma relação que poderia ser forte por um preço muito baixo, 1 Fire Token que ela deixou de ter que dar a Sandra pelo idol. Eu entendo que Sandra não lhe entregou o idol por amizade ou porque é boazinha, foi por interesse próprio, os Fire Tokens. Entretanto, Kim e Tony parecem bem menos inclinados a trabalhar com ela do que Sandra demonstrou.

Ademais, Denise é alguém muito leal e algumas vezes ingênuas, o que a levou a desperdiçar um idol em alguém que votou para ela sair. Mesmo que Jeremy tivesse votado em outra pessoa, em seu lugar, eu daria graças a Deus que Sandra fez uma jogada tão desnecessária e manteria o outro idol no bolso com orgulho.

Agora a merge pode não vir e vai que os 3 que votaram pela sua eliminação se mantém unidos contra ela. Mesmo que Jeremy esteja agora do seu lado, juntos eles conseguem um empate, o que não garante a sua permanência. Sem dizer que nós sabemos que Jeremy pode usar a sua vantagem com medo de sair, abandonando Denise à sua própria sorte. Antes ela teria um idol para se proteger, mas como usou para garantir a permanência de Jeremy agora não tem mais.

Eu adoro Denise e sempre apostei no seu sucesso em Winners At War, tanto que apostei nela como vencedora. Todavia, acredito que poderia ter saído deste Tribal Council numa posição melhor caso não tivesse desperdiçado o idol em Jeremy e se tivesse mantido Sandra como uma possível aliada ou alguém para jogar aos leões por ter lhe dado o idol.

Portanto, para mim, o melhor jogador do episódio foi Jeremy e explico o porquê. Jeremy conseguiu jogar Denise embaixo do ônibus, se colocando na maioria com Kim, Tony e Sandra. Para isso, ele usou a sua ótima reputação para fazer parte do clube das grandes ameaças. Assim, o resultado saiu melhor do que a encomenda, visto que ele não está mais no bottom e tem várias opções para o futuro. Jeremy pode manter o voto em Denise com Kim e Tony, flipar Kim contra Tony ou ainda fugir do Tribal Council com a sua vantagem, abandonando Denise sozinha.

Num episódio em que Sandra caiu e o tombo foi feio, o melhor jogador foi justamente quem aderiu a política do “as long as it’s not me”, estratégia mais do que consagrada pela Rainha. Jeremy se salvou duplamente, uma vez que nem recebeu votos, mas Denise usou o seu idol nele, e ainda manteve a sua vantagem para o futuro.

Antigamente os números significavam muita coisa e usar um idol para salvar o aliado normalmente era o melhor a fazer, definindo grande parte da temporada. Em Winners At War e dada a ameaça que Jeremy representa para os outros participantes, o melhor a se fazer era se manter a qualquer custo, mesmo que isto lhe custasse uma aliada como Denise. Não é de se estranhar que quem se destacou positivamente neste episódio foi justamente o vencedor de Second Chance, temporada marcada pelos Voting Blocks e com alianças bem menos sólidas.

Não acredito que Jeremy irá tão longe, muito pelo contrário. Ele deve ser um dos primeiros eliminados na merge. Entretanto, até por isso, é importante manter em seu poder uma vantagem tão boa. Jeremy foi muito frio, assim como Sarah e Sophie no episódio passado, e conseguiu escapar ao mesmo tempo que manteve um grau de segurança para o futuro.

Mais Uma Eliminação Dolorosa. Why God? Why?

O tema do episódio foi mesmo “as long as it’s not me” e Parvati também não soube se inspirar nas primeiras versões de Sandra para se manter na tribo Sele. Pela eliminação e também por alguns comentários que Nick fez no Twitter, toda a trama desta tribo não foi tão forte como a edição fez parecer. Pelo visto, Nick nunca nem cogitou flipar para o lado de Parvati e trair sua principal aliança, com quem está junto desde o começo. Ele disse, inclusive, que as 3 pessoas que tentaram eliminá-lo com o argumento de que que ele seria um voto fácil foram as 3 eliminadas, Amber, Tyson e Parvati.

Toda a ousadia e alegria que Sandra demonstrou de sobra para quem estava a salvo faltou em Parvati, que acabou saindo de uma forma um tanto quanto passiva. Dona de uma fortuna avaliada em 3 Fire Tokens e um Idol Nullifier, um patrimônio que poderia ser disputado tanto quanto a herança do Gugu, Parvati poderia ter feito bem mais para prosseguir no jogo.

Na minha visão, o principal era entender que Nick, Wendell e Yul não iam votar entre eles, sendo uma aliança muito sólida. Para começo de conversa, segundo ela própria, Yul estava completamente fechado a opções. Apesar da narrativa montada de que jogadores mais recentes como Wendell e Nick não têm problema algum de mentir e trair seus aliados, a verdade é que esta não foi a característica do jogo deles em suas primeiras participações. Wendell liderou ao lado de Domenick um grande Pagong e Nick foi leal aos seus aliados até ser traído por eles.

Dessa forma, Parvati deveria abandonar a ideia de fazer um deles flipar para o seu lado e abordá-los em conjunto para jogar Michele embaixo do ônibus. Foi o que Jeremy fez e o que eu faria nesta situação. Survivor mudou, a chance de um Pagong no futuro é remota e sobreviver a cada Tribal Council é o essencial. Logo, descartar aliados, ainda mais aliados por conveniência como no caso dela com Michele, com quem nem estava jogando na antiga Sele, é algo que pode salvar a sua vida.

Ao prometer entregar todos os seus Tokens e ainda o Nullifier para Yul, Nick e Wendell após a eliminação de Michele, Parvati poderia ter ganho uma sobrevida no jogo. Em caso do trio não aceitar a sua oferta, ela ainda poderia ameaçá-los de deixar tal herança para Michele, o que pode prejudicá-los no futuro.

Yul usou um idol para convencer Penner a flipar, Nick sabe da importância de ter Fire Tokens e um Idol Nullifier, que foi importante na sua vitória original, e Wendell estava disposto a barganhar pela permanência de Parvati. Assim, o argumento deveria ser racional, como estes três jogadores são, focando no prêmio e não questionando a lealdade de um para com os outros.

O argumento usado por Parvati e Michele pareceu ser forte na edição, principalmente quando Wendell assumiu o que estava fazendo. Todavia, ele, na verdade, foi bem fraco, porque Wendell poderia refutar tranquilamente que nunca esteve falando a verdade para elas e que só queria tirar Tokens de Parvati para o bem da sua aliança. Foi o que ele fez em Ghost Island e acho que é o que ele estava fazendo aqui também. Wendell não trairia, ao menos neste momento, Yul e Nick por tão pouco, mas poderia barganhar com Parvati e não votar neles. Como ele mesmo disse, o que importa são os números e não Tokens. Dinheiro na mão é vendaval, tanto que Parvati estava com a carteira lotada e mesmo assim foi eliminada. Survivor pode ser como cornavírus, sendo letal até mesmo para os ricos.

Parvati se consagrou em Survivor por liderar uma grande ofensiva feminina contra os homens em Micronesia, mas desta vez ela não tinha a maioria feminina para mandar Wendell para a Edge of Extinction. Já em Heroes Vs. Villains, ela foi incrível ao usar 2 idols para um bem muito maior do que o poder que estes idols poderiam alcançar. Assim, ela tinha todas as ferramentas que para fazer um Big Move e sobreviver, potencializando o efeito do seu Idol Nullifier. Infelizmente, não foi o que aconteceu e Parvati foi eliminada, num dia trágico mas também histórico para Survivor.

Ressalto que a apatia e dificuldades apresentadas nada altera o legado de Parvati, que não precisa provar nada para ninguém. O seu passado fala por si só e até por isso dificulta tanto o seu presente.

Apesar de Sandra ter sido eliminada antes é como se Parvati tivesse ido para a Edge of Extinction com estas sábias palavras: You know what Jeff? I think it would be downright depressing to sit and watch green bananas turn yellow without my debaucherous little villains. E assim Parvati foi ao encontro dos outros vilões na Edge of Extinction.

O Maior Candidato ao Retorno ao Jogo

Como se as eliminações de duas das maiores lendas de Survivor já não fossem mais do que o suficiente, o episódio também nos presenteou com divertidos momentos na Edge of Extinction. Muito bom ter alguém com uma personalidade tão boa para um reality como Survivor, conseguindo entregar momentos muito engraçados com tão pouco. Tyson roubou a cena na Edge of Extinction, fingindo que estava mijando para Boston Rob parar de controlá-lo e aproveitando muito bem a pasta de amendoim adquirida.

Inicialmente, Tyson fez a leitura correta, não pensando no efeito que a vantagem terá no jogo, mas sim em quem com certeza compraria um Idol Nullifier. Para ele pouco importa como a vantagem é usada, o importante é que paguem o preço por ela. Sabendo que Parvati é a mais rica, ficou fácil escolhê-la. Outra escolha segura seria Nick, uma vez que Tyson deixou um Fire Token para ele.

E segundo lugar, acredito que Tyson fez um bom uso do seu Fire Token. Estando muito perto da merge, ele sabia que não terá muitas oportunidades para adquirir Tokens suficientes para comprar algo mais Game Changer. Assim, o melhor a fazer é escolher algo que lhe dará uma vantagem no challenge que se aproxima e energia em forma de pasta de amendoim é sim uma boa compra.

Pela edição, imagino que Tyson deve retornar ao jogo, mas não sei se ele, ou qualquer outra pessoa, conseguirá ficar muito tempo longe da Edge of Extinction. Com pessoas como Sophie, Sarah, Yul, Wendell e Nick no controle e com o sucesso de Rick Devens e Chris, imagino que o retornante não terá vida fácil. Fico triste com uma notícia dessas (gosto de Tyson mas já torço contra quem voltar ao jogo pela twist).

Ranking Após “Quick on the Draw”:

1- Sophie. No episódio em que Parvati foi eliminada, acredito que seja pertinente destacar que Sophie faz uma estratégia completamente diferente daquela adotada em Micronesia. Ela não se junta com as mulheres contra os homens, por eles serem as maiores ameaças. Ela mostra que, na verdade, ela é a maior ameaça, os vencendo no que eles são bons. Parvati, de maneira brilhante, eliminou Ozzy porque ela nunca venceria ele. Sophie fez o contrário, batendo ele no seu próprio habitat, um challenge. O único problema para ela é que desta vez ela está se destacando demais nos desafios logo no início da temporada, o que pode fazer de Sophie uma ameaça grande demais no jogo.

2- Yul. De certa forma, Yul fica consagrado sendo a diferença entre Parvati ser eliminada ou não, já que isto só ocorreu quando ele esteve presente. Contudo, na minha visão, este episódio diminui um pouco as suas chances de vencer, visto que não teve destaque nenhum na eliminação de alguém tão relevante como Parvati.

3- Sarah. Assim como Sophie, não apareceu, mas não é algo que chega a comprometê-la, visto que foi um episódio com duas eliminações e pouca coisa de relevante na sua tribo.

4- Nick. Após um começo discreto demais, Nick ganhou bastante importância, sobretudo para a eliminação de Parvati.

5- Adam. Continua sendo o principal narrador da temporada mesmo quando nem para o Tribal Council ele vai. A edição faz dele um underdog, o que lhe dá boas chances de ter uma narrativa de redenção e que termina com a vitória. Vou dar um de numerólogo ou de Marcia Sensitiva aqui e dizer que os favoritos para vencer pela edição são os vencedores das temporadas terminadas em 3: 13, 23 e 33.

6- Denise. Fez uma jogada enorme e elevou so eu status como jogadora, mas poderia ter feito algo menor que a beneficiasse mais.

7- Jeremy. Foi o grande jogador do episódio e ainda possui uma vantagem muito boa para um momento de aperto.

8- Kim. Os acontecimentos na Swap podem fazer de Kim um importante número para a Dakal ou um Swing Vote que muda todo o jogo. Ela melhorou bastante a sua posição e ainda tem um idol no bolso, já que mesmo com Denise usando dois idols ela se manteve segura de que não seria a escolhida para sair. Mais uma pessoa que mostrou frieza e não desperdiçou uma vantagem crucial para o seu futuro.

9- Ben. Ele mesmo parece ter esquecido que foi bom socialmente antes da merge de HHH. De qualquer forma, surpreendeu se aproximando mais de Sarah e Sophie do que Adam.

10- Wendell. Quase o coloquei nas últimas posições, mas isto tem mais a ver com a edição ruim, que não cansa de pintá-lo como vilão, do que pela sua posição no jogo, que é muito boa.

11-. Michele. Diferente de Parvati, Michele foi bem neste episódio indo até os homens e oferecendo a cabeça da sua “aliada”. Além disso, o plano de conseguir os seus Fire Tokens funcionou muito bem. Só fica em penúltimo no ranking porque está numa posição bem ruim com 3 pessoas bem leais, mesmo que ela seja retratada como a parte certa na treta com Wendell. Nick disse que eles tinham uma aliança pré game, então talvez ela tenha alguma chance de permanecer. No Lugar de Yul principalmente, eu teria votado em Michele e não Parvati. Os jogadores old school estão entrando em extinção e Parvati, com certeza, seria um escudo, pelo menos, por um voto.

12- Tony. Apesar de ter sido meio desnecessário e óbvio quanto ao Spy Shack, Tony nem foi cogitado para a eliminação. Ele merecia estar numa posição muito melhor neste ranking por tudo o que fez nesta temporada, mas despencou porque é a única grande ameaça restante e pode sair a qualquer momento.

PS: Eu na quarentena:

REVISÃO GERAL
Nota:
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