99% louca, mas aquele 1% jogadora.

Em seu melhor episódio até aqui, Survivor Kaôh Rōng nos mostra que as aparências enganam e que esta temporada deve continuar a surpreender muita gente. Não se deve julgar Debbie pela aparência e muito menos a temporada pelo clima de pessimismo instaurado. O grande diferencial ao meu ver foi justamente a mudança na tribo perdedora do challenge, uma vez que os Brains humilharam os Brawns com um blindside maravilhoso e um tribal Council de tirar o fôlego. A grande diferença é que em uma tribo temos uma falta completa de estratégia e raciocínio, enquanto na segunda tivemos 6 jogadores dispostos a jogar pesado para ir mais longe. Os neurônios dos Brains nunca ficaram tão evidentes, fazendo o rótulo finalmente ser justo. Se Kass analisar os dados dos Brains desta vez, como queria fazer na sua temporada, perceberá que eles fazem jus ao nome da tribo e tornaram a coisa mais matemática e analítica do que o normal.

A lição do episódio com certeza é não julgar um livro pela capa e entender que uma mesma pessoa pode ter várias facetas, sendo passível de erros e acertos. Se você procura uma jogadora perfeita nem se aproxime de Debbie, mas, se procura uma personagem rica, complexa, controversa e que rende horrores, ela é a melhor opção do elenco de Kaôh Rōng. À primeira vista, Debbie parecia apenas uma desvairada incapaz de conviver bem em sociedade, completamente delusional e sem o menor senso do que deve ser feito em Survivor. Entretanto, algo já dava uma pista de que ela, na verdade, sabe o que está fazendo. Antes mesmo da temporada começar, a química afirmou ser uma versão feminina do Coach, o que me pareceu uma definição bem fiel e precisa, o que mostra um grande conhecimento da percepção dos outros em relação a sua pessoa.

Se pensarmos bem, uma pessoa que é realmente como Coach nunca admitiria ser e entraria no reality achando ser o mais novo herói do momento, mas ela foi pelo caminho contrário, abraçando este seu lado e estando disposta a colher os frutos por isso. Debbie se comporta como tivesse o gigantesco ego do Coach no acampamento, ao se gabar de suas habilidades, mas não está no jogo em busca de redenção ou para provar alguma coisa para alguém. Ela está jogando para vencer e já se mostrou disposta de usar seus defeitos para atingir o seu objetivo.

Na minha opinião, Debbie é extremamente inteligente, sabe os seus pontos fortes e fracos e já entrou na disputa com uma estratégia clara de como adaptar cada característica própria em benefício de seu jogo. Não estou dizendo que ela é a mais nova mastermind de Survivor e acho até que muito do que ela faz nem é consciente. Entretanto, Debbie armou uma verdadeira armadilha e fez Liz e Peter entrar nela como duas crianças entram na casa de doces da bruxa malvada.

Toda a situação das tribos dos Brains me traz alguns flashbacks à cabeça, Philippines, Worlds Apart e Cambodia. Peter e Liz viveram situação parecida com estas outras duplas da história do reality, RC e Skupin, Shirin e Max e Shirin e Spencer. Este cenário é bem fácil de ocorrer num formato de três tribos com seis participantes em cada uma dela, já que inicialmente todos buscam a maioria e aos poucos vão entendendo que talvez tenham escolhido as pessoas erradas. A aliança dos jovens formada por Liz, Peter, Neal e Aubry era algo extremamente natural e óbvio para o início do jogo. Porém, com algumas vitórias no currículo e um olho muito grande para o prêmio que está lá na frente, a aliança se dividiu em duas duplas que correram para trazer para o seu lado a dupla “excluída”, formada teoricamente pelos jogadores mais fracos. O jogo virou rapidamente e Liz e Peter se viram numa situação no mínimo embaraçosa sem ao menos se dar conta do ocorrido.

Diferente do que ocorreu em Philippines, quando Abi e Pete tomaram as rédeas do jogo e expulsaram RC e Skupin da aliança, aqui o fenômeno foi um pouco diferente, uma vez que Debbie, que estava em perigo, se aproximou muito bem de Aubry e Neal e saiu do bottom a partir das suas próprias competências. Fiquei realmente impressionado com ela e mudei muito a minha visão a seu respeito. É claro que precisamos colocar a edição em perspectiva, mas o que vimos expressos na TV foi realmente Neal e Aubry apáticos e Debbie fazendo tudo sozinha.

O caso de Peter e Liz lembra muito Shirin e seus parceiros. Shirin é uma jogadora que começa muito bem a temporada, uma vez que é rápida e não perde tempo na busca por aliados. Entretanto, assim como a dupla de Kaôh Rōng, o seu fascínio pela parte estratégica acaba sempre a alienando junto com o seu mais fiel aliado em relação ao restante da tribo. O telespectador adora estratégias, conspirações e maquinações, porém, quando os participantes estão lá, eles precisam dosar este aspecto do jogo com a vida real e construir de forma humilde as relações pessoais que darão sustentação à estratégia. O Tribal Council foi um verdadeiro repeteco do segundo episódio de Cambodia, quando não sabíamos se Shirin ou Spencer seria o escolhido para sair do jogo. As semelhanças só não são maiores porque Abi entregou o plano para os dois no acampamento, o que suavizou o blindside na ocasião. No caso de Worlds Apart, a grande semelhança está no fato da dupla estar convencida de que está fazendo tudo certo enquanto nas suas costas o jogo toma um rumo bem diferente.

A diferença destes casos é um grande agravante para a dupla de agora, já que Peter e Liz demonstraram uma arrogância muito grande e pagaram exatamente por ela. Mais do que ilusão de estarem no caminho certo, o que é absolutamente natural num jogo de confiança e desconfiança, a dupla parecia ter certeza que estava no domínio de tudo. Ao meu ver, isto não aconteceu porque eles achavam que tinham zap e copas na mão, mas porque eles foram para o jogo achando que são zap e copas. Não é uma situação de estar e sim ser, uma vez que os dois dão a entender que sempre conseguiram tudo na vida e são bons demais para sair antes de merge, podendo ser classificados por Kat como undateable. Digo e repito, arrogância é algo muito perigoso em Survivor e foram poucos os jogadores que navegaram por estas turbulentas águas sem levar um grande prejuízo.

O curioso é que a edição parecia tender mais para a eliminação de Peter, que foi muito agressivo e arrogante no Tribal Council e me parece alguém que dificilmente irá se dobrar a quem já lhe traiu uma vez. A explicação mais plausível é que eles apostaram na sua força para retomar o ciclo vitorioso nos challenges, o que é sempre algo aceitável. De qualquer forma, acreditando no próximo episódio só teremos um eliminado, o evacuado, a tendência é que ocorra uma grande mistura de tribos no episódio 5 e a boa notícia é que Peter e Alecia devem estar presentes neste momento, prontos para assombrar seus colegas de tribo.

Fiquei bem triste com a saída de Liz, que, mesmo sendo extremamente robótica, conseguiu me cativar por brigar e implicar com as pessoas certas, torcia muito para ver ela e Jason na mesma tribo. Tenho a impressão que, apesar da saída precoce, Liz deixou uma boa impressão na produção, já que ela ganhou um ótimo airtime mesmo saindo no terceiro episódio, mesmo só visitando o Tribal Council uma vez. Basta lembrarmos que Kelley Wentworth saiu no quinto episódio e teve uma primeira chance bem mais tímida do que isso. Elisabeth era uma aposta certa de quem poderia render muito no júri e fazer um discurso final matador para a nossa alegria (Cambodia teve discursos tão fraquinho). Ela acabou cumprindo a profecia de ser o Spencer da tribo dos Brains, uma vez que exagerou no lado estratégico, tratou as pessoas como uma peça de madeira e não conseguiu formar relações pessoais fortes o suficiente para permanecer. Em um dos podcasts, o genial Rob Cesternino apostou que ela sairia antes da merge e argumentou dizendo que ela, provavelmente, se sairia muito bem na Beauty Tribe, mas não entre os Brains. A ideia é entender que os outros participantes se questionariam por que uma menina tão bonita foi colocada na tribo dos brains e a resposta é muito simples: “Ela deve ser muito inteligente”. O que poderia funcionar numa outra tribo acaba não funcionando em todas e realmente acho que ela se daria super bem com Michele, Anna, Julia, Caleb e Tai.

O desempenho de Liz reascende uma velha discussão já muito abordada por mim em Cagayan e Worlds Apart: qual o tipo de inteligência é mais útil no jogo? Elisabeth não cometeu nenhum erro matemático e a sua genialidade nesta área sequer foi questionada, porém Survivor é um jogo que exige mais inteligência nas relações interpessoais do que na matemática e pessoas de QI elevado, normalmente, têm mais dificuldade de se encaixar num grupo. Já falei isto muitas vezes e não canso e repetir, estamos falando de um jogo em que a maior vencedora é uma mera secretária, que não entende nada de números complexos e estratégias quantitativas complicadas. Talvez o que falte para Liz é experiência de vida e saber os caminhos para sair de situações de dificuldade com jogo de cintura e malandragem. Outro erro crasso foi a sua péssima leitura do jogo, uma vez que ela jamais suspeitou que estava em apuros e realmente acreditava que estava abafando estrategicamente.

Um pouco mais de força

A movimentação na Brawn Tribe beira o bizarro e fico, cada vez, mais surpreso com a falta de neurônios e o excesso de músculos de seus membros. Salvos de mais um Tribal Council por menos de três segundos, eles ainda não se organizaram como time e fica difícil imaginar que podem resistir muito depois da extinção desta formação da tribo. Achei muito engraçado ver Alecia achando que tem em Cydney uma aliada, quando na verdade é tudo uma mentira bem grande, mas a atitude de ambas em relação ao idol foi patética. Cydney perdeu uma grande oportunidade de ter um idol que poderia mudar o seu status quo dentro da tribo. Alguns me disseram que sua motivação foi não ser pega junto com Alecia para não ter o mesmo destino de Jenny, mas acho que, além do idol garanti-la por mais um tempo, ela poderia muito bem usá-lo para forçar os homens a se atacarem ou a votarem Alecia, sem ao menos usá-lo nesta etapa do jogo. Com toda a confusão, Jason acabou ficando com o idol, se consolidando como o mais forte na tribo. Para piorar a situação, o fato de Alecia saber que Jason tem o idol é muito perigoso e pode acabar com qualquer efeito positivo que esta importante ferramenta poderia ter em benefício dos Brawns.

Um pouco mais de beleza

Ao contrário do que acontece nas outras tribos, a paz reina entre os belos e o jogo deles já é bem consolidado e estável. Anna voltou aos holofotes e logo tratou de deixar Nick de fora da sua poderosa aliança. Gostei muito de ver que eles superaram o episódio de Tai procurando pelo idol, mesmo porque ele realmente é bem mais confiável do que Nick e o idol pode até ser usado em benefício do coletivo mais para frente no jogo. Por falar no nosso vietnamita favorito, ele continuou se aproximando de Caleb e finalmente conseguiu pegar o idol, o que foi muito mais fácil do que parecia, quando entendemos como a chave estava pendurada na árvore e um simples bambu poderia tirá-la de lá.

Ranking da Semana Com a Ilustríssima Participação Especial de Glória Pires

1-Anna. Continua sendo a pessoa mais poderosa da temporada, tem aliados que parecem fiéis, um target claro caso eles tenham que ir ao Tribal Council e um clima muito favorável para se manter no topo. Fiquei impressionado com a facilidade com que ela recrutou Caleb e mais ainda com um excelente desempenho de toda a tribo no challenge, que dominou cada etapa com facilidade. Está difícil apostar contra eles. O que você acha de Anna, Glória?

– Interessante.

2- Michele. Não apareceu neste episódio, mas, mesmo estando num lugar tão bom no ranking pela sua edição boa nos dois primeiros episódios, não vejo sentido para ninguém passar a sua frente. Michele é aquela pessoa que está numa posição de conforto e não deve ser alvo como Anna, que até agora se mostrou mais articuladora e manipuladora. Assim, se tornará a favorita caso ocorra algum acidente de percurso com a sua aliada. Duvido que seja alvo por um bom tempo. O que você acha de Michele, Gloria?

– Bacana.

3- Caleb. Recebeu uma ótima proposta de Anna e uma convincente promessa de lealdade. Caleb tem tudo para ser subestimado intelectualmente por sua jornada no Big Brother e só é considerado uma ameaça por conta do seu desempenho espetacular nos challenges. Engraçado que ele já provou saber usar a força física em prol da sua tribo de forma muito mais eficiente e eficaz do que os fortões da outra tribo. O que você acha de Caleb, Glória?

– Que desempenho… fabuloso.

4-Julia. É fofinha e foi muito bem no challenge, coisa que eu duvidava muito. A cada episódio, acho que Julia tem mais chance de chegar à final e menos chance de ganhar. Para alguns isso pode até não fazer sentido, mas vejo Julia no F2 como uma acompanhante de um jogador melhor, sendo que Michele e Anna são favoritas à protagonista e Tai e Caleb correm por fora. O que você acha de Julia, Glória?

– Achei legal.

5- Tai. Não tem para ninguém, Tai já é o jogador mais carismático da temporada e não acredito que isto irá mudar. Quebrei a cara com Jenn Brown, mas acho difícil ele não retornar numa temporada All Stars ou, principalmente, numa provável Fans Vs Favorites 3. Conseguiu achar o idol e deve permanecer bem por um tempo. Que a evacuação não tire um personagem tão bom da temporada. Você acha que o Tai vai ganhar, Glória?

– Precisa levar. Eu adoro. Não sei porque nunca ganhou.

6- Debbie. Renasceu na temporada. Temos uma nova Debbie, capaz de fazer um jogo excelente estrategicamente e de conquistar o meu coração de vez. Dificilmente ganha, mas mostrou ser muito mais do que uma Goat para ser arrastada até o final, Peter que o diga. Como disse no confessional, apesar de chamar muita atenção com suas maluquices, do ponto de vista estratégico, ela está sim abaixo do radar. Repito que muita coisa pode até não ser consciente, mas Debbie, ao menos, está demonstrando um poderoso instinto, necessário para a sobrevivência. Gostou, Glória?

– Ela coloca um ritmo bom. E rola bem a festa.

7- Jason. Não gosto dele. Na verdade, já odeio e acho burro por tratar tão mal as pessoas. Já quero ele sendo eliminado por Debbie. Nunca te pedi nada, Survivor. Só está em sétimo porque achou o idol e foi bem ao interceptá-lo, mas o seu social compromete tudo. O que você achou dele tirar o idol de Alecia, Glória?

– Tocante. Tocante. Muito triste.

8- Aubry. É um fofa, mas não tem grande força na edição. Acho que vai ser evacuada. Não tenho certeza o quanto foi Debbie quem articulou tudo ou se Aubry e Neal tiveram uma participação mais ativa ignorada no episódio. O que você acha Glória?

– Eu não assisti.

9- Neal. Assim, como Aubry é bem apagado. Quero ele e Joe evacuados para ontem. Ele até enfrentou um pouco o Peter no Tribal Council, mas nada demais. Você gostou de Neal, Glória?

– Gostei médio.

10- Scot. É um intocável dentro da tribo, mas não parece que terá muita chance quando for conviver com os beauties e com os brains.O que você acha, Glória?

– Não sou boa de previsão.

11- Cydney. Gostei muito do seu teatro para Alecia, mas gostaria mais caso ela deixasse esta porta aberta e fizesse jogo duplo até entender qual lado compensa mais. Cydney já está decidida e as coisas mudam muito rapidamente em Survivor. Assim, não vejo uma grande capacidade de adaptação por parte dela e isto é preocupante, ser mais maleável é importantíssimo ainda mais para quem deve estar em desvantagem numérica em breve. O que você achou dela escondendo a pista e a caixa de Alecia, Glória?

– Incrível. Incrível. Fiquei… estarrecida.

12- Joe. Vaza. Vem logo atrás de Jason nos que eu peguei antipatia e ele é um candidato tão perfeito para evacuação que já acho que não vai rolar. Infelizmente. O que você acha de Joe, Glória?

– Não vi esse.

13- Nick. Fiquei impressionado com a antipatia deste cara e a falta de timing para brincar com os sentimentos alheios ou com o fato de ser desprovido deles. Ele é tão robótico que faria uma aliança maravilhosa com Liz. Está no bottom da aliança dos belos, mas acredito que eles não perdem e que ele pode melhorar a sua colocação dentro dela na switch ou na merge. Pode ser um número necessário. Ele vai ser evacuado, Glória?

– Não sou capaz de opinar.

14- Alecia. Saiu da lanterna e para variar não foi por méritos próprios e sim porque alguém conseguiu ser pior do que ela. Sim, isto é possível. Alecia, você é péssima e mais uma vez ficou fazendo figuração durante boa parte do challenge, morro de rir. Não foi capaz de realmente se aproximar de Cydney e está sendo muito ingênua ao acreditar na colega. A evacuação da semana que vem deve ser a salvação de Alecia, uma vez que ela pode não voltar ao Tribal Council com esta formação de tribo. Não nos decepcione, queremos você flipando lindamente e contanto para todos que Jason tem um idol. Já imagino uma Switch com ela Jason e Scott juntos e os votos sendo divididos entre os dois como plano contra o idol. Quero. Por que Alecia é tão lesada, Glória?

– Nem parece real, você fica sem saber o que é verdade e o que é efeito especial.

15- Peter. Hahahahaha. Se ferrou muito, Obama Sem Humildade. Achou que estava aterrorizando o Tribal Council e na verdade estava prestes a ficar com cara de Woo. O legal é que, assim como no caso de Alecia, a evacuação pode garantir Peter na próxima etapa do jogo e ele tem tudo para flipar com mais força ainda que a pobre garota. Só não quero ele se aliando com Jason e Scot, não vai caber tanto ego numa aliança só. E aí, Glória, quem vai ser o Sole Survivor?

– Eu adoro o Stephen Fishbach.

– Ele não está nesta temporada, Glória.

Dica: Survivor não acaba quando termina mesmo não sendo BBB. É só entrar Lounge de Survivor no Telegram. Onde comentaremos o episódio com outros fãs, quando rolará um quizz valendo prêmios exclusivos. Vem logo ou você irá tomar um blindside. Clique no link abaixo e vem conversar com a gente. Prometemos não ganhar a sua confiança para depois aplicar um cruel blindside.

Challenge Survivor

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