Agent Carter se despede em alta. Mas será que por uma última vez?
O futuro de Peggy Carter ainda é um mistério. Enquanto escrevo este texto a ABC já renovou praticamente todas as suas séries para uma nova temporada, exceto Marvel’s Agent Carter. É uma pena, realmente. Durante duas temporadas e dezoito episódios acompanhamos uma excelente história, com ótimos personagens e maravilhosa ambientação. Hollywood Ending faz o que a série melhor sabe e deixa de lado a pancadaria para entregar uma sucessão de ótimas interações entre seu diverso elenco, em um episódio que me emocionou de verdade.
Não sei se parte do meu descontrole emocional surgiu por causa da gigantesca chance da série não ser renovada para um terceiro ano, mas com certeza terminei o episodio um pouco abalado. Toda a construção emocional prezou por deixar de lado a criação de cenas elaboradas de luta e pegou firme na conexão sentimental que temos com esses personagens desde a estreia da série. Duas temporadas reduzidas realmente é pouco, mas vejo que durante sua existência Peggy Carter trouxe para a mesa da Marvel um charme que rivaliza até mesmo com os gigantescos filmes direcionados ao cinema. É aquele ar leve que a Casa das Ideias realmente gosta de fazer, mas com personalidade, um traço muitas vezes faltante em produções como Thor, por exemplo.
A trama segue como uma sequência direta do episódio anterior, com Peggy e equipe tentando dissuadir Thompson de sua tentativa de explodir Whitney Frost e consequentemente Wilkes. Durante toda a sua existência Thompson provou ser extremamente maleável e muito corruptível, mas de certa forma leal e até digno de confiança. Simplesmente adorei todas as interações entre ele e Peggy, especialmente no final, em que a agente confessa compreender a quase debandada do companheiro para o lado sombrio da força. A construção dele como personagem fugiu bastante o clichê que eu esperava e que foi utilizado no começo da primeira temporada. Jack foi crescendo de uma forma que hoje, eu não seria capaz de confiar totalmente, ou desconfiar totalmente do personagem. Talvez nunca descubramos o desfecho do chefe da S.S.R., mas com certeza sua trajetória dentro de Agent Carter foi para lá de positiva.
Claro que não poderíamos deixar de lado a participação de Howard Stark. Confesso que por alguns momentos eu não aprovei o surgimento do pai do ainda não nascido Tony Stark. O problema com alguém de personalidade tão forte é que por vezes o ar do ambiente acaba sendo sugado. Contudo, a série aprendeu a lição e não deixou que Howard tomasse para si todo o destaque. É complicado porque eu não consigo mais ver o Jarvis como um mordomo e ouvir seu patrão gritando por mostarda foi irritante, mas senti uma dinâmica melhor que a do ano de estreia da série. De toda forma, foi maravilho ter Dominc Cooper mais uma vez, um ótimo ator para um personagem muito divertido e com pouca noção.

Não poderíamos terminar o ano de AC sem antes descobrir quem Peggy escolheria como par romântico. Apesar de já ter ficado bem claro antes mesmo do episódio começar, Wilkes nunca teve chance. Bom, ele até teve alguma, enquanto Sousa estava em um relacionamento com outra mulher, mas perdeu tudo assim que Violet cancelou o noivado e deu um fora no chefe da S.S.R. Los Angeles. Foi muito bom ver os dois personagens finalmente juntos, especialmente quando colocamos na balança a história que ambos tiveram que superar durante duas temporadas de série. Peggy começou sofrendo pela aparente morte de Steve Rogers e Sousa ainda estava calejado e inseguro demais quando fomos apresentados a ele. Hoje, com uma Peggy e um Daniel muito mais confiantes, o casamento perfeito era apenas uma questão de tempo. E ver Peggy dominando a cena do beijo entre os dois foi simplesmente um deleite.
Quem conseguiu uma despedida agridoce foi Whitney Frost, que eu ainda acho que poderia voltar futuramente, caso AC seja renovada. A personagem ganhou um dimensionamento muito grande. Sempre colocada como uma mulher inteligente e capaz, a ambição e a matéria zero a levaram a um extremo inigualável. Mesmo mudada, Whitney permaneceu o gênio que sempre fora. Ver que três homens precisaram debater e discutir a montagem do equipamento que ela, sozinha, rabiscou em diversos papéis na parede, apenas coroa a belíssima introdução de uma vilã competente e ameaçadora. E tudo isso foi construído sem sacrificar o bom andamento da trama.
A batalha final foi uma oportunidade que os roteiristas deram para que todos os personagens tivessem seu momento de heroísmo. Até o Samberly que caiu ali de gaiato teve seu destaque – Preferia que fosse a Rose, mas tudo bem. Séries que trabalham no passado de um mundo já estabelecido no futuro têm poucas oportunidades de criar ameaças realmente consideráveis para o coletivo. Você sabe que o mundo não vai ser destruído, um resultado direto da expansão do buraco negro, mas ninguém sabe, com exceção de Peggy, quem irá sobreviver para ver um novo dia nascendo. É daí que parte uma parcela da força da cena, com Sousa correndo o risco de ser arrebatado para a dimensão extraterrestre e com toda a equipe se juntando para salvar o mundo. Claro que quem realmente tem a ideia brilhante é o Jarvis, apenas mais um momento digno de aquecer o coração.
Agent Carter pode não ter conseguido encontrar o seu publico, mas encontrou ótimas maneiras de contar sua história. Enquanto Peggy arrumava suas malas para se despedir de Los Angeles eu senti como se a série estivesse me dizendo adeus. Não foi fácil. Algumas produções pecam por continuar indefinidamente, arrastando sua trama e desconstruindo sua mitologia até não sobrar mais espaço para o que já passou. Agent Carter ainda tem muito a acrescentar. Como não se emocionar com a despedida entre Ana e Peggy? Ou se alegrar com a felicidade do Jarvis em poder dirigir para a amiga (e irmã) uma última vez? É por esse motivo e vários outros que considero essa uma série como nenhuma outra produção da Casa das Ideias. Leve, divertida, emocionante e com um elenco que transborda química – Ou seja, o que toda produção gostaria de ter e ser, mas poucas realmente conseguem.
Easter eggs e outras informações
– A terra em Malibu que Howard Stark mencionou é o local em que ficava a mansão de Tony Stark em Homem de Ferro 1, 2 e brevemente durante o terceiro filme, até ser destruída pelo “Mandarim”.
– O carro voador é uma conexão direta com Capitão América: Primeiro Vingador. Na feira ‘Stark Expo’ o veículo foi apresentado, mas nunca chegou a permanecer muito tempo no ar.
– Talvez essa seja minha última review para a série, ou não. Quem sabe a Marvel não mexe uns pauzinhos e garante pelo menos mais alguns episódios finais para Agent Carter? Ganhando mais uma temporada, ou mais alguns episódios, agradeço a todos pelos comentários e presença em mais um ciclo dessa série maravilhosa.















