Um ótimo episódio, mas que só aumenta as desconfianças acerca da continuidade da temporada.

Survivor Edge of Extinction encontrou em “The Worst Cocktail Party Ever” o seu melhor episódio com dois ótimos Tribal Councils. Entretanto, o foco da temporada anda um tanto quanto fora de esquadro. Pessoalmente, eu não acho que a Edge of Extinction decolou, mas, após a conclusão da fase tribal, é possível perceber que a Twist é a principal aposta da temporada. No momento em que o time de eliminados, que vão disputar o retorno ao jogo, se completa, alguns dos principais personagens da temporada fazem parte deste time, o que não é nada comum quando estamos falando de participantes que foram eliminados ainda na fase tribal.

Dos 6 participantes com o maior número de confessionais, 4 já foram eliminados. Isto mostra que não estamos diante de uma temporada normal, em que há investimento na construção daqueles que vão fazer diferença ao longo dos 39 dias. A edição vem investindo pesado em participantes já eliminados, independentemente de ser retornante ou não. Isto pode significar muita coisa. Talvez veremos cada vez mais os eliminados interferindo no jogo, como aconteceu quando Rick enviou um voto extra para Aubry. Entretanto, a minha grande impressão é que nada de muito empolgante irá acontecer no jogo, o que tem como consequência um foco grande na Edge of Extinction. Quando o próprio programa coloca seus holofotes em participantes que não estão no jogo, está implícito uma desvalorização de quem na verdade está fazendo um jogo melhor.

A maior constatação que faço é que os participantes da temporada, principalmente aqueles que ainda estão vivos na real disputa, simplesmente não aconteceram. Pegando novamente o número de confessionais, dentre os 6 com mais confessionais até aqui, 4 já foram eliminados e os outros 2 são retornantes. Dessa forma, fica evidente que a maior dificuldade da temporada está em estabelecer novos jogadores, principalmente que funcionem individualmente, que tenham senão um ótimo jogo, mas uma história para chamar de sua.

É bem verdade que o excesso de vitórias da tribo amarela limita o tempo e até os acontecimentos de uma grande parte dos participantes. Eu não consigo cobrar de quem nunca foi a um Tribal Council um jogo agressivo, ousado ou que saia da mesmice. Entretanto, em Philippines por exemplo, a tribo que só foi ao Tribal Council no episódio da merge foi justamente a tribo que mais rendeu na fase tribal. Abi-Maria, RC, Lisa, Skupin e Peter mesmo sem a necessidade de eliminar alguém mostraram que é possível render bons momentos mesmo que o jogo não peça.

Na minha opinião, além de Wendy e Rick, já eliminados, existem 3 novatos que conseguiram algum destaque, Lauren, Wardog e, de forma um pouco mais tímida, Victoria. O restante é um grande amontado de participantes que pouco mostraram quem são ou a que vieram.  Estamos diante da temporada com o maior número de genéricos numa merge, batendo concorrentes muito duros como Redemption Island e Ghost Island.

Para piorar ainda mais a coisa, Lauren e Wardog, assim como Kelley Wentworth e David, que são os dois com mais destaque na temporada até aqui, chegam na merge numa grande desvantagem numérica. Por mais que haja a possibilidade do sobrevivente da Edge of Extinction e Joe e Aurora se juntarem a estes 4, compondo assim uma maioria, é muito mais provável que os integrantes originais da Kama pagonguem os demais. Se isto realmente acontecer, temos à nossa frente um grande número de episódios em que as eliminações e jogadas estarão restritas a pessoas que a gente mal conhece e, consequentemente, não se importa.

Neste sentido, o jogo dos participantes da Kama não ajuda em nada a necessidade da temporada de ter uma reviravolta. Diferente do que vimos na Manu, até agora todos os participantes da Kama não mostraram nada diferente do que a estratégia de eliminar os retornantes, o que nos levar a concluir que possivelmente vão adotar a mesma tática segura contra David, Kelley, Lauren e Wardog.

Eu sei que, se não vimos nada por parte dos Kama que não envolvesse Abry e Joe, é porque a edição fez esta escolha, deixando completamente de lado a individualidade dos participantes. É óbvio que essas 7 pessoas viveram muito mais do que foi mostrado, mas duvido que tenha sido algo tão bom assim de se acompanhar. Afinal, o programa preferiu dedicar tempo em Reem, Keith e Chris do que em participantes que ainda estão no jogo. Edge of Extinction tem uma edição contrária à edição de David Vs. Goliath e a capacidade do elenco como um todo de render bons momentos com certeza é um fator que faz das duas temporadas tão distintas.

Apesar de saber que Survivor normalmente privilegia os retornantes, acho muito frustrante que Edge of Extinction tenha dedicado tanto tempo à Aubry para ela simplesmente ser eliminada no quinto episódio. Eu gosto muito dela e entendo estamos falando de alguém querido pelo público. Mesmo assim, não vejo sentido que a tribo Kama tenha se limitado a todos contra Aubry para ela sair tão cedo, sem que nada mais esteja acontecendo com os outros participantes.

Eu sei que existe a possibilidade dela retornar ao jogo, o que daria sentido a tanto destaque no início de uma trama ala Arya se vingando dos Frey. Sei também que provavelmente Aubry continuará tendo algum tempo de tela mesmo que continue na Edge of Extinction. Entretanto, o que eu sei mesmo é que não tenho apego a mais ninguém da tribo amarela e isto pode até ser culpa da falta de qualidade dos participantes (muito provavelmente é), mas também está relacionado ao fato de que eles mal apareceram na minha televisão.

Uma Vergonha Estilo JT

Mesmo após dias e mais dias estando no Bottom dos Kama, Aubry caiu como um patinho no Blindside armado pelos seus companheiros de tribo. Ao longo de 37 temporadas, já tínhamos visto inúmeras vezes alguém ser eliminado com um idol ou vantagem no bolso. Todavia, Aubry foi a primeira participante da história a ser eliminada com um idol e uma vantagem, chegando a um patamar parecido com o de James, eliminado em China com dois idols no bolso.

Na minha opinião, existem burradas muito maiores do que ser eliminado com um idol, já que um blindside é sempre um blindside. Muitos dos participantes eliminados em blindsides não usariam um idol mesmo se tivessem um, porque simplesmente não esperavam a eliminação naquele momento.

O uso do idol não é algo nada fácil e são poucos os participantes que se dão bem ao não usá-los, como aconteceu com Jay em Millennials Vs. Gen X. Também é muito difícil estar no bottom e usar o idol no momento exato em que recebe os votos, como aconteceu com Kelley Wentworth quando epicamente eliminou Andrew Savage em Second Chance. Não atoa ela se transformou numa lenda do reality.

O uso do idol é extremamente complicado, mas a gente, muitas vezes, julga mal quem não faz o seu melhor uso como se fosse uma tarefa fácil. Blindsides servem justamente para confundir o adversário e funcionam. Vemos na internet o maior número de críticas tanto a quem sai com um idol no bolso como contra quem usa desnecessariamente num momento de dúvida. Por isso, eu já venho dizendo há algum tempo que na dúvida o participante tem que usar mais é que usar sem medo de errar. Os fãs criticam como se fosse fácil participantes muito bem sucedidos como Nick, Adam, Russel, Tony e muitos outros, mas eu sempre digo que na dúvida o melhor é usar o idol e se garantir por mais um episódio.

Aubry até disse que tem dificuldade de jogar quando tem um arsenal à sua disposição e que está mais acostumada a jogar na pindaíba. Contudo, na minha opinião, o que a ferrou não foi não saber usar as armas que tinha e sim não ter conseguido ler os outros participantes, que para ela foram incríveis. Também acho que esta conversa de dizer que está mais acostumada a jogar no bottom também não cola muito, porque ela estava justamente no bottom, só que foi a única a não perceber.

Acho que a principal dificuldade de Aubry deu-se porque o fato dela estar no bottom não está ligado à sua convivência com os outros ou a algo que ela tenha feito em Edge of Extinction. Desta vez, ela foi eliminada por ser uma retornante numa tribo que não está disposta a ser coadjuvante. É até irônico perceber que os Kamas são coadjuvantes e até mesmo figurantes no programa de televisão que vai ao ar na CBS, quando, em termos de jogo, estão mandando muito bem como verdadeiros protagonistas. Infelizmente, um bom jogo nem sempre se transformam num bom entretenimento, principalmente quando neste bom há uma boa dose de segurança e pouco risco.

Em David Vs Goliath, critiquei muitas vezes a falta de flexibilidade e criatividade dos Goliaths, que insistiam toda semana em permanecer juntos contra os Davids. Isto tão é verdade que, ao meu ver, quem deu brilho à temporada foram os Davids (e Angelina). Aqui algo parecido acontece. Os Kamas são os indestrutíveis Goliaths, mas nada me leva a crer que teremos uma continuação épica como ocorreu na temporada passada.

Na primeira vez que a Kama pisou num Tribal Council, a tocha de um retornante se extinguiu, algo bem diferente do que aconteceu na tribo rival. Kelley Wentworth e David já sobreviveram a 5 Tribal Councils,  deixando 5 novatos para trás apesar do grande alvo que possuem desde o começo. No pré-game, a grande maioria das pessoas, inclusive eu, acreditava que seria justamente o oposto e que a Manu seria a tribo a caçar os retornantes.

Na minha visão, existem muitos fatores diferentes que podem nos ajudar a entender a diferença de comportamento entre as tribos no que se refere aos retornantes. Acho que o fator que mais contribuiu foi simplesmente o perfil dos participantes de cada tribo. Enquanto, na Manu temos participantes mais individualistas, na Kama a estratégia foi de união contra o inimigo. Na Manu, alguns, principalmente Lauren, Rick e Wardog, nem enxergaram os retornantes como inimigos, entendendo que eles podem ajudá-los no jogo.

Outro fator que provavelmente pesou foi o desempenho de cada uma das tribos. Enquanto a Kama pode se dar ao luxo de mirar nos retornantes por terem tido tranquilidade desde o começo, a Manu começou pressionada, o que contribuiu para que os novatos tenham se apoiado em quem já tinha experiência. Vencendo os challenges, os membros da Kama tiveram confiança para fazer o que eles chamam de Big Move, tirar grandes ameaças. Eu questiono se isto é realmente uma grande jogada ou se é justamente a jogada menos arriscada possível. Afinal, na realidade, Aubry mesmo cheia de idols e votos extras, era a jogadora com menos poder, o que diminui bastante a dimensão da jogada.

Também é necessário balancear quem é cada um dos retornantes em questão, já que eles têm estilos bem diferentes. Ressalto que nenhum dos retornantes possui um perfil de vilão ou um histórico enorme de traições e blindsides. Todos eles na grande maioria das vezes se mostraram jogadores leais aos seus aliados, o que afasta de certo modo a urgência em eliminá-los. Se os Kamas se mobilizaram tanto para tirar Aubry, imagino o que fariam se tivesse Tony ou Russel na sua tribo.

Talvez o perfil do Joe seja o que mais assusta os novos participantes, afinal ele é uma máquina nos challenges e este perfil também está associado a idols, apesar de Joe nunca ter encontrado um idol sequer. Assim, é possível que a presença de Joe e a associação de Aubry a ele tenha pesado no comportamento dos Kamas. Sinceramente, acredito que eles superestimaram Aubry, alguém que foi sim muito bem na sua primeira participação, mas que está longe de ser esta fodalhona toda que eles temeram tanto. Apesar de ser uma grande personagem, tanto que está empatada com Kelley como a participante com mais confessionais até aqui, Aubry esteve longe de ser uma jogadora poderosa ou que tenha dificultado o trabalho de seus adversários em Edge of Extinction. Muito pelo contrário, esteve no bottom desde o começo e nem foi capaz de perceber isto.

É importante ressaltar que, pelo o que vimos nos episódios, Eric, Gavin e, principalmente, Victoria tinham um bom relacionamento com Aubry e optaram por eliminá-la simplesmente por entenderem que era a melhor estratégia. Se eu fosse um deles, provavelmente até iria torcer o nariz para os retornantes, afinal estas temporadas com poucos retornantes são uma bosta e gostaria de ter uma temporada normal para tentar imprimir meu próprio jogo.  Contudo, eu faria justamente o contrário do que Victoria fez. Não temeria Aubry tanto assim e tentaria usá-la ao meu favor.

Sempre disse que no lugar dos participantes de Redemption Island eu faria o que muitos fizeram, me aliaria sim a Boston Rob e tentaria usá-lo como escudo até chegar a hora de eliminá-lo. Eu sei que esta estratégia é arriscada, já que Rob é um grande jogador e a chance de eliminá-lo poderia não aparecer tão fácil assim.  Jogadas arriscadas me interessam. No caso de Aubry, usá-la a seu favor estava bem mais fácil, já que ela não é forte nos challenges e não teve muito progresso em conquistar aliados neste início de temporada.

Uma estratégia mais do que consagrada é justamente se unir com quem está no bottom para melhorar a sua posição no jogo. Senti falta disso na Kama toda e principalmente em Victoria, que tinha a faca e o queijo na mão para se colocar numa ótima posição.

A ruiva, assim como Gavin e Eric, deve ter ficado muito orgulhosa de ter eliminado uma grande ameaça no jogo, mas ao meu ver eles eliminaram alguém que não representava ameaça alguma e que poderiam usar em benefício próprio. Como já disse, eliminar Aubry pode ser visto como um Big Move, por tudo que ela representa para Survivor, não atoa ela está na sua terceira participação. Entretanto, não vejo nada de Big neste Move, muito pelo contrário. Vejo a jogada mais segura e confortável.

Victoria se destacou bastante ao se mostrar uma ótima mentirosa, enganou muito bem alguém que pode ser tudo, mas novato em Survivor não é. Neste aspecto, eu tiro o chapéu para a menina. Pessoalmente, estaria mais animado com a sua participação se ela tivesse ao menos cogitado as possibilidades de tomar conta do jogo. Na segunda parte do episódio, Victoria deixou claro que só pensa em si mesmo, pouco se fudendo se tiver que trair um de seus aliados. Assim, gostaria de tê-la visto pelo menos cogitando o flip.

Talvez Victoria nem tenha percebido que Aubry confiava tanto nela ao ponto de refletir sobre o que significaria manter a retornante no jogo. Para mim, é evidente de que ela teria alguém leal no jogo e que precisava desesperadamente de um aliado. Survivor no final das contas é mais sobre confiança do que sobre enganar os outros.

Caso Victoria contasse para Aubry sua real posição na tribo, a retornante não teria escolha a não ser fazer exatamente o que ela mandasse. Nem digo que um Big Move contra Eric era o correto, mas entendo que ao menos cogitar usar Aubry é algo que eu espero de um verdadeiro bom jogador, que pensa sempre dois ou três passos à frente. Ao enganar Aubry, Victoria ganha fãs e o poder de dizer que deu um blindside em alguém respeitado em Survivor, mas continua na exata mesma posição que todos os outros Kama, que não Joe, no jogo. Algo diferente poderia muito bem render a ela a sua mais leal aliada, afinal Aubry não tinha ninguém e estava precisando de colo.

Pode até ser que Victoria tem muito mais no jogo no que se apoiar do que os episódios estão nos mostrando, mas prefiro comentar o que vi e até agora não vi ninguém desta tribo fazer algo realmente para benefício próprio e de mais ninguém. Gritar morte aos retornantes é algo que funciona até certo ponto, mas em algum momento eles terão que sair desta zona de conforto.

Sobre Aubry, acredito que não há muito mais a dizer. Ela saiu de maneira vexatória sem nem suspeitar do Blindside, tendo um idol e uma vantagem na sua mochila. Ela acabou perdida entre o instinto que lhe dizia que algo estava errado e o medo de estar paranoica demais. Em um dos seus confessionais extras ela disse que em alguns momentos achava que estava superestimando seus adversários e que em outros pensava que estava os subestimando. Aubry não conseguiu saber o que era real e o que era coisa da sua cabeça, lembrando que a paranoia é real em Survivor, mas errou ao, na dúvida, não usar o idol. Desperdiçar um idol pode até render críticas na internet, mas no final das contas a pessoa nunca é eliminada no Tribal Council em questão.

Por mais que ela tenha chance de retornar ao jogo, acho que, guardada as devidas proporções, ela vive algo muito parecido com Cirie. Teve a sua chance de vencer na primeira oportunidade e a cada nova participação fica ainda mais difícil de sua vitória acontecer.

Muitos apostam que o arco de Aubry está só começando, justificando a ênfase na construção da sua trama ao fato de que ela vai conseguir retornar. Acho que sua volta ao jogo é possível, mas vejo Rick com chances tão altas quanto as dela.

Uma Boa Twist Que Nos Lembra que Survivor é Individual

Como se o blindside em Aubry já não tivesse sido bom, o episódio teve também uma ótima segunda metade, em que a Twist de Game Changers retornou para chacoalhar as coisas. Desde a sua primeira aparição, eu gostei bastante da twist de ver duas tribos num mesmo Tribal Council. A cada temporada, Survivor vira um jogo individual mais cedo e esta twist ajuda muito esta tendência. Após Swaps, um Tribal Council com duas tribos abre um leque enorme de possibilidades e é interessante ver como cada um dos jogadores encara este desafio.  Como sempre digo, Survivor é um jogo sem uma fórmula, não existe certo ou errado. Assim, a cada nova vez que esta twist aparece, podemos ver as mais diversas estratégias. Trata-se de um território pouco explorado e os ainda participantes não sabem exatamente como devem se portar.

A primeira coisa que temos que pensar é que as duas tribos em questão estavam em situações completamente diferentes no jogo. Enquanto a Manu tem todo um plano específico de se reconectar com os membros da Kama para dominar a merge, os membros da Lesu não tinham muita coisa a perder.

Para Victoria, Eric e Gavin, não fazia muito sentido ir para as pedras por ninguém, uma vez que esta baixa não afeta muito a superioridade numérica conquistada nos challenges pela Kama original. Com o longo prazo já encaminhado, era hora de apenas sobreviver a este Tribal Council. Em Millennials Vs. Gen X, as pedras ocorreram porque houve uma divisão de 5×5. Aqui não faz sentido ir para as pedras quando o resultado atual é 8×4.

O fato desta twist acontecer no Tribal Council anterior à merge é uma boa sacada dos produtores, no sentido de incentivar os jogadores a trair uma aliança. Afinal a merge está logo ali e todo mundo quer fazer parte dela.

No caso da Lesu, estamos falando de um grupo de participantes que já passaram por muita coisa juntos. Independente do que acontecesse neste TC, os sobreviventes sabiam que estarão na minoria assim que a merge acontecer.

Jeff Probst compara ir para as pedras com um All In. No Poker, quem tem poucas fichas está muito mais próximo do All In do que aqueles que estão ricos e repletos de fichas para apostar. Assim, sabendo que 4 é uma quantidade muito pequena de fichas para a merge, os Lesu estavam bem mais próximos de um All In. Por outro lado, por conta da luta constante pela sobrevivência, esta tribo já acumulava tensões entre os seus membros, o que poderia facilitar um flip.

Quando falo em tensão, estou falando claramente em Wardog, um jogador muito inteligente, mas que pecou bastante pelo excesso e pelo comportamento neste episódio. Wardog se mostrou um grande inútil nos challenges e no acampamento e ainda passou o episódio inteiro mudando de lado e pensando apenas em si mesmo.

Ainda na primeira parte do episódio, ele sugeriu a Kelley que os dois eliminassem Lauren. O engraçado é que a estratégia dele era brilhante, uma vez Wardog foi capaz de prever exatamente o que aconteceria após a eliminação de David. Por incrível que pareça eu concordo com a sua tentativa. Numa disputa pela lealdade de Lauren, Wentworth com certeza sairia na frente e ele teria tudo para ser eliminado. O problema é que o plano de Wardog de se desvincular de uma imagem de Tony falhou miseravelmente. Assim, a sua tentativa somada a todo o seu comportamento acabou acionando uma sirene na cabeça de seus companheiros de tribo. Que cansaram de fazer tudo que ele quer.

Ao elaborar a estratégia para o Tribal Council conjunto, mais uma vez Wardog acertou em cheio na teoria, uma vez que votar em Wendy era com certeza o melhor a se fazer. Contudo, mais uma vez o seu erro foi na execução, já que ele sempre tenta impor as suas ideias, sem dar ouvido aos seus aliados.

Dessa maneira, as dúvidas de Lauren quanto a não ir para as pedras por Wardog fazem muito sentido. Era sim algo que deveria ser considerado, afinal a chegada na merge muitas vezes mtuda tudo. Porém, acredito que este grupo entendeu que a outra tribo tinha muito mais motivo para não ir para as pedras. A própria perseguição dos Kamas aos retornantes já indica um jogo mais seguro e menos arriscado. Numa disputa para não ir pelas pedras, Lesu já chegava em vantagem e um simples blefe já seria capaz de fazer, pelo menos, Victoria flipar.

Não sei de onde Eric e Victoria tiraram a ideia que faz menos um retornante ir para as pedras. Eu penso justamente o contrário. Independente do que acontecer em Edge of Extinctio, Kelley, David, Joe e Aubry continuarão sendo Kelley, David, Joe e Aubry, enquanto os novatos ainda precisam se estabelecer no reality.

Os retornantes já viveram muitas coisas no programa e, mesmo sem vencer, já são bem sucedidos, o que dá bem mais segurança para arriscar. Outro fator é que os retornantes são uma minoria, o que exige que eles se arrisquem mais. O que adianta David e Kelley fliparem contra Lauren e saírem no episódio da merge. Não havia muito sentido nisso. Para piorar, um dos retornantes é David, alguém que já foi para as pedras e viu Adam, que também fez a mesma coisa, vencer a sua temporada.

No Tribal Council, David até tentou mudar o voto de Wendy, o que claramente não daria certo mesmo, mas, no final das contas, todos os jogadores fizeram a coisa certa. Digo todos os jogadores, porque nem considero Wendy uma jogadora. Ela está mais para uma fã do reality que queria muito aparecer na TV, causar e ganhar o dinheiro da Sia. Jogo e estratégia passaram longe de Wendy do início ao fim da sua participação, tanto que ela até comemorou a eliminação, o que me irrita profundamente.

Uma Não Jogadora

Acredito que esteja mais do que claro que não gosto de Wendy. Acho ela forçada, chata, sem noção e burra. Talvez nem dê para exigir muito dela, que simplesmente não foi para Fiji para vencer. Wendy é a Sugar que deu errado. Uma pessoa imprevisível que não quis fazer o melhor para sobreviver no jogo.  Na promo da Reunion de David Vs. Goliath, Wendy foi uma das agraciadas com um confessional, em que dizia que preferia ser eliminada a fazer um jogo boring. Prometeu e cumpriu.  Assim, nem sou capaz de falar muito sobre alguém que não tinha como prioridade o sucesso no jogo.

Verdadeiros Wildcards fazem bem para Survivor, uma vez que desafiam e muito a capacidade dos outros jogadores. É muito difícil saber a melhor maneira de lidar com alguém imprevisível e que não segue a lógica. Todavia, Wendy nem causou tanto no jogo e mais na sua forçada jornada da fuga das galinhas.

Wendy tinha tudo para ser uma das primeiras eliminadas, milagrosamente escapou e quando os deuses conspiraram para que ela melhorasse seu jogo, a menina se recusou a jogar. O impasse entre os Kama e Aubry era a oportunidade perfeita dela mudar o jogo. Como não o fez, saiu na sequência.

Estando na minoria da Manu 2.0, Wendy até poderia votar em quem o restante mandasse, mas perdeu uma grande oportunidade de causar grande reviravolta no jogo como um todo. É verdade que Wendy não sabia do idol de Aubry, mas caso ela tivesse avisado a retornante o plano dos outros participantes, tudo seria diferente.

Aubry poderia ter usado o seu idol e ainda votado com Wendy junto com os Lesu no Tribal Council seguinte, eliminando não só Eric como Gavin ou Victoria também. Contudo, as prioridades de Wendy estavam nas galinhas e não no jogo. Ela, inclusive, demonstrou uma total falta de habilidade de separar as emoções do jogo, não sendo capaz de, ao menos, dizer para Aubry o que ela queria ouvir. Por ser uma “jogadora” emocional, eu tinha certeza que Wendy nem cogitaria votar com a Lesu, uma vez que ela tem uma grande birra com Kelley.

A pior coisa que poderia acontecer na sequência é Wendy voltar ao jogo. Arruinaria qualquer chance dos underdogs virarem os números. Por torcer pelos 4 que sobraram da Lesu, disparados os melhores personagens dos que ainda estão no jogo, o ideal seria a volta de Aubry e Rick. Principalmente Aubry, que teria mais facilidade para recrutar Joe e Aurora para o lado dos underdogs.

Um Balanço da Edge of Extinction

Com bastante airtime, a twist, apesar de não ter decolado, melhorou um pouco. Foi até divertido ver Keith tentando ser sacana e sendo empurrado por Chirs na corrida pelas vantagens. Melhor ainda foi o surto de Reem, que não aguenta mais Chris e tudo ao seu redor. Como Aubry pontuou muito bem, a Edge of Extinction é a família disfuncional desta temporada, o mais próximo que teremos de algo parecido com a Casaya nesta temporada.

Se o jogo anda quadrado e muito bem calculado, sem muitos riscos, a Edge of Extinction pode trazer alguns dramas e algo mais verdadeiro. Imagino como serão as coisas quando Wardog chegar. Eu odeio esta twist, mas numa temporada não tão empolgante, o drama dos eliminados à deriva pode ser um refresco. Muitas vezes, as pessoas falam que a Ponderosa está melhor que o jogo, então a Edge of Extinction pode funcionar como esta grande terapia em grupo entre os eliminados.

Rick e Aubry são os favoritos para retornar o jogo e tenho a impressão que o outro será o narrador da Edge of Extinction, uma voz sóbria em relação à desolação dos demais.

> Leaving Neverland, Michael Jackson cometeu crimes?

Veremos na próxima semana.

Ranking após “It’s Like The Worst Cocktail Party Ever”:

1- Kelley Wentworth. Chega ao topo não por eu entender que tem chances de vencer ou de durar muito. Na verdade, toda semana continuarei com medo dela ser eliminada. Entretanto, Kelley calou a boca dos críticos e fez o melhor jogo da fase tribal. Sendo alvo desde o primeiro episódio, Wentworth deu a volta por cima e terminou no topo da sua tribo. O mais impressionante sobre Kelley é a sua capacidade de deixar as coisas rolarem e aos poucos se encaixar. Gosto de como a sua primeira participação a marcou. Após ser eliminada por conta do pai, Wentworth nunca mais deixou alguém a afundar, estando sempre aberta a qualquer plano. Além de encontrar o idol, se tornando a primeira mulher a encontrar 3 idols e também a primeira a encontrar idols em temporadas diferentes, Kelley encontrou em David, alguém que queria eliminá-la, um novo aliado. No final das contas, nos últimos minutos da Lesu, Wentworth acabou sendo a pessoa mais próxima de todos os outros participantes, algo realmente impressionante, principalmente para quem começou o jogo sendo uma das principais ameaças e tendo que conter a própria falta de paciência. Continuarei torcendo por ela como fiz desde o começo, o que vem sendo um sofrimento enorme. Tenho certeza que, quanto mais Wentwoth tiver, melhor será Edge of Extinction.

2- Lauren. Apesar de suas fragilidades físicas, Lauren é a grande surpresa da temporada, conseguindo emplacar sua dupla com Kelley, algo que não parecia a melhor das ideias nos primeiros episódios. Dos novatos é quem eu mais gostaria dever vencendo. Ela não tem um jogo extraordinário, mas é bastante carismática e não aparenta ser ameaça, o que pode enganar muita gente.

3- Julie. Continua sendo a favorita em termos de edição, marcando território nos episódios com confessionais genéricos e sem nada de muito relevante a acrescentar. Em termos de jogo, não sou capaz de julgar Julie, afinal é cedo para dizer que ela não faz nada, nem no Tribal Council ela pisou ainda.

4- David. Assim como Kelley, vem fazendo um ótimo jogo, conseguindo desviar do alvo e melhorando sua posição gradativamente. Temo pela sua permanência já no próximo episódio.

5- Wardog. Continua sendo um dos melhores jogadores da temporada, principalmente por sua Inteligência estratégica. Wardog entende bastante do jogo e sabe o que tem que fazer em termos de número, mas vem se perdendo dentro do Tony.

6- Victoria. Enganou Aubry com maestria e mostrou que é uma ótima mentirosa. É quem mais deve temer um possível retorno de Aubry. Acho sua edição bem negativa, o que pode indicar um fracasso em breve, mas Victoria também vem sendo estabelecida como a vilã da temporada.

7- Eric. É ok e conseguiu sobreviver à Swap, o que eu tinha minhas dúvidas. Assim como Victoria, seu risco é uma possível vingança. Como trama de Aubry continua sendo a mais presente na temporada, muitos estão apostando que ela retornar no melhor estilo “vocês não sabem o prazer que é estar de volta”.

8- Gavin. Não fede e nem cheira. Country Boy genérico. Eu tenho uma certa antipatia por ele desde antes do jogo começar, mas nem tenho motivos fortes para isso.

9- Ron. Some, aparece, some, aparece. Outra pessoa que não me importo nem um pouco.

  1. Joe. Até gostei da sua tentativa com Julia, mas Joe tem mesmo é que flipar sem dó e vencer challenges, claro. Joe se tornou o primeiro participante a passar duas fases tribais sem ir a nenhum Tribal Council. Com certeza, o melhor participante em challenges da história do reality.

11- Aurora. É muito who. Não tenho nem o que falar. Tomara que flipe, porque está no bottom.

  1. Purple Julia. Demorou 4 episódios para aparecer e ainda na posição de quem pode ser manipulada por Joe. Coitada é muita humilhação.

Sobre o Presidente da República:

Eu se os Manu originais conseguirem dar a volta por cima e eliminar a tribo avulsa:

REVISÃO GERAL
Nota:
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