Mesmo com o já anunciado fim, Arrow investe, mais do que nunca, no futuro de sua história.

Enfim a série nos entregou aquilo que estávamos precisando desde o início da temporada: Um olhar mais atento sobre o catastrófico futuro que nos vem sendo apresentado. E Star City 2040 de nenhuma maneira decepcionou em sua missão de mergulhar de cabeça em tão calamitoso cenário.

Oliver Queen aqui foi apenas uma mera presença sentida durante os quarenta e poucos minutos de episódio, ficando as “chaves do carro” (como bem disse Stephen Amell) em posse de sua filha Mia, a ótima Katherine McNamara. E, como não podia deixar de ser, a jovem deu um show, mostrando que, sem sombra de dúvidas, é o grande destaque em termos de narração e atuação deste sétimo ano. Não havia como uma filha de Oliver e Felicity ser construída de forma melhor.

Aqui, tivemos rápidos vislumbres do treinamento de Mia (nas mãos de ninguém menos que Nyssa, uma grata surpresa), e seu crescimento longe de tudo e de todos, vivendo em uma bolha criada pela mãe e um tanto quanto alheia às atividades de Felicity. Mia cresceu renegando o legado heroico do pai, chegando ao ponto de engrossar as vozes do povo de que os vigilantes foram responsáveis pela ruína da cidade, e, por isso, não é de estranhar o fato de ter saído de casa após descobrir que Felicity era uma vigilante, uma atitude um tanto quanto desproporcional e dramática, mas coerente à personalidade arredia e teimosa que desenvolveu.

E a versão adulta de Mia mostra que ela não poderia deixar de ser filha de quem é, mesmo relutando em admitir seus genes heroicos. A garota tem vários trejeitos de Felicity e toda a personalidade de Oliver, coisa que Willian falha miseravelmente em ter, mesmo com todo o conhecimento tecnológico ao seu lado. Portanto, se Oliver não foi capaz de salvar Star City, este episódio deixou claro que seu legado salvará.

Com Star City 2040, Arrow trabalhou, mais uma vez, em cima das consequências de ser um herói, de fazer o que é certo, não importa o que custasse. No entanto, aqui não foi Oliver que esteve em discussão, e sim Mia e sua mãe. Felicity precisou se infiltrar em uma perigosa empresa, colocar sua cabeça em jogo, deixar a filha sem notícias para salvar uma cidade inteira. Como ela disse, ser herói era abrir mão do que fosse necessário, fazer sacrifícios, inclusive a própria família. E Mia deveria entender de vez que não só o pai fora um herói (ou ainda é, afinal não sabemos o destino de Oliver), mas Felicity também nunca deixou de ser uma, e também a própria Mia, que, ao término do episódio pareceu deixar de vez a resistência em ser filha de quem é, e fazer o que foi destinada, e treinada, a fazer.

Dias antes da exibição deste episódio pipocou na internet um boato que a CW estaria interessada em desenvolver um spin-off focado em Mia e todo esse futuro que estamos aqui presenciando. Uma ideia que ao mesmo tempo me animou e me preocupou, afinal, se há esta intenção, isso quer dizer que este futuro já é solidificado, ou seja, não é nenhuma realidade virtual nem alternativa. As coisas são realmente como elas se mostram ser. Oliver ausente e Felicity e demais vigilantes sendo perseguidos, Willian afastado por anos, sem nem sequer saber que tinha uma irmã, sem contar no destino de tantos outros personagens que ainda não nos foi revelado. Apesar das respostas dadas, tudo ainda tem sido sombrio, e tenho sérias dificuldades em aceitar que aqueles personagens caíram em desgraça justo quando o presente mostra que as coisas estão se acertando.

Pelo menos se o spin-off se concretizar, já sabemos que McNamara dará conta do recado, tamanha é sua presença de tela e sua capacidade de envolver o telespectador quer seja nas falas ácidas de sua personagem ou nas muito bem coreografadas cenas de luta. A história do futuro, por conta de todas as desgraças mostradas, pouco me empolga, mas reconheço que a CW encontrou ouro e que o legado de Arrow não poderia estar em melhores mãos.

No entanto, não é apenas os Queen que merecem menção em Star City 2040. Para começar, René mostrou que não é muito diferente do seu eu passado, continuando ainda a ter uma leve tendência de mudança de lado e uma personalidade que não inspira confiança para nenhum dos seus, seja lá quem for. E como um prefeito pode ser tão ingênuo a ponto de achar que o povo de Star City estava a salvo da problemática iniciativa em explodir uma cidade para “reconstruí-la”. Não era exatamente isso que queriam fazer com o seu querido Glades muitos anos atrás, projeto de Malcolm Meryln? Com toda esta história, o personagem apenas se mostrou que nunca deixou de ser problemático, e, talvez por isso mesmo, Felicity tenha preferido deixa-lo no escuro quanto a existência de sua filha.

Outro personagem que também merece algumas linhas é Roy, que até agora não justificou sua presença ali. Trazer Colton Haynes de volta com uma promessa de uma história imperdível é um desserviço ao ator, que está sendo ofuscado por absolutamente todos ao seu redor. Não há história alguma ou qualquer razão para Roy estar ali, inclusive tão amigo de Dinah e René, sendo que mal tiveram interação na série (até agora, já que Roy deve aparecer no tempo presente para poder explicar tudo que ainda é um mistério sobre ele). E é quase no apagar das luzes da temporada que Roy nos instiga a algo, com seu surto de violência mostrado. Recaída de Mirakuru? Consequência da busca pelos Poços de Lázaro? Bom, se o Arsenal estava recluso em Lian Yu significa que algo não deu muito certo em sua vida. E qual o papel de Thea nisso? Será que está morta no futuro? Mais uma vez essa storyline me chateando por se mostrar cada vez mais concreta…

Por fim, não podemos deixar de mencionar o Projeto Arqueiro, uma espécie de inteligência desenvolvida por Felicity e que parece ter sido o causador de todas as mazelas em Star City e na vida dos vigilantes. Estaria Arrow se encaminhando para uma trama de ficção científica onde o grande vilão é a tecnologia? E teria alguém com um interesse maior que Kevin Dale? Dante, talvez?

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Sendo um episódio fechado e sem desvios, Star City 2040 tinha como objetivo entregar um panorama geral sobre o que estava acontecendo em um futuro que teima em se mostrar cada vez mais certo, porém, não tenta esconder que, no fundo, só quis vender a ideia de uma história toda centralizada na nova geração de heróis, quando a série-mãe já não estiver mais entre nós. Eu comprei, e vocês?

Flechadas:

– Connor revelou que trabalha para um braço “bom” da Argus, que já tem se mostrado corrupta na linha do presente. Provavelmente Diggle e Lyla perceberam que ali não havia mais salvação e decidiram por criar essa ramificação.

– Uma teoria que passou a rondar na internet diz que Oliver está mais perto de Mia do que ela imagina, como um lutador de ringue clandestino. O cabeludo que apareceu lutando enquanto Mia faz sua tatuagem, lembram?

– Será mesmo que Arrow irá acabar sem fazer com que a cidade reconheça o heroísmo de Oliver? Tantos anos dedicados para tirar Star City do buraco para Oliver terminar esquecido e longe dos filhos, sendo praticamente tratado como um criminoso. Não investi anos da minha vida nessa série para ser presenteado com isso.

REVISÃO GERAL
Nota:
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