Depois de duas temporadas frustrantes, Survivor retorna com um tema interessante e relevante no mundo atual.
Parece que faz anos que nos despedimos de Ghost Island e que estamos sem Survivor, mesmo para quem acompanha as versões australiana e sul-africana do reality mais longevo da história. É bem verdade que Survivor não vive seu melhor momento, uma vez que nas últimas temporadas tivemos um grande excesso de Twists, que parecem ter como objetivo justamente desvirtuar a essência do jogo, e também porque as estratégias estão mais ligadas às relações sociais do que a jogadas de grande impacto. Desde o advento da twist da batalha do fogo até a twist que promete ser ainda pior no ano que vem (Survivor Edge of Extinction, em que os participantes eliminados não serão eliminados), a franquia parece um pouco sem rumo e se esforçando demais para criar coisas malucas, ao invés de investir em bons participantes e simplesmente deixá-los jogar o nosso bom e velho Survivor. Entretanto, esse assunto é coisa para o ano que vem e por hora só nos resta concentrar todas as nossas atenções na próxima temporada, que estreia dia 26 com uma premiere estendida de 90 minutos (incluindo os comerciais).
Faltando cerca de 20 dias para a estreia, finalmente a CBS resolveu divulgar novidades da temporada que nos espera, David vs. Goliath. Desde que Survivor deixou de usar a locação como título das temporada, muitos fãs reclamam dos temas escolhidos. Eu discordo desses fãs. Para mim, um tema é bem vindo e mesmo que ele não dê certo (como aconteceu em Heores Vs. Healers vs. Hustler, o tema mais forçado ever) é só fingir que ele não existe e seguir a vida. No final das contas, o que define se uma temporada é boa ou não é a qualidade do seu elenco e isto não será diferente em David vs. Goliath.
Na minha visão, este tema é bastante interessante e serve como uma grande provocação à grande guinada à direita que todo o mundo deu nos últimos anos. O liberalismo econômico, a meritocracia, a equidade e o papel do Estado na realização de políticas públicas que visem igualar as oportunidades são temas polêmicos que andam em voga, o que pode ser um bom ponto de partida para o jogo. Nada melhor do que utilizar um tema que divide tanto o mundo no momento para começar a jornada dos novos jogadores. É importante lembrar que mesmo em temporadas em que o tema funcionou muito bem, como em Cagayan e Millennials vs. Gen X, ele só é abordado com mais profundidade nos primeiros episódios, diminuindo a sua importância na medida em que os participantes vão ascendendo e o jogo vai evoluindo.
O tema também me parece bastante pertinente uma vez que os underdogs sempre marcaram presença em Survivor. Não é algo totalmente alheio ao jogo e sim algo que já vem sendo tema do reality há bastante tempo. Afinal de contas, no mundo real é extremamente difícil que uma pessoa que não teve grandes oportunidades na vida consiga competir com alguém que sempre teve tudo. Contudo, num jogo que retira tudo que as pessoas sempre tiveram, em que os próprios participantes votam quem deve sair e que só um vence no final tudo muda. Como eu sempre digo, em Survivor as forças também são fraquezas e as franquezas também são forças. Dessa forma, tudo pode acontecer.
Esta coisa Underdogs vs. Top Dogs lembra bastante o conceito da atual temporada do Australian Survivor, Champions vs. Contenders, que apesar de um começo morno vem se mantendo boa no decorrer dos episódios. Entretanto, sem a ideia de lotar o elenco com pessoas do esporte, que pouco entendem de Survivor e só pensam na força física, o que mais atrapalha o tema dos australianos, a twist americana pode focar mais no aspecto da expectativa (ou preconceito seria a melhor palavra?) que a sociedade tem acerca de cada participante e da superação dessas expectativas.
Afinal, todos nós amamos um underdog, amamos odiar privilegiados e amamos nos surpreender com participantes que são rotulados de uma maneira, mas acabam mostrando qualidades e defeitos diferentes dos esperados.
Logo de cara, o tema vai ser explorado num challenge inicial, em que os Goliath escolherão seus dois membros mais fortes e os dois membros mais fracos dos David para se enfrentarem. A prova que inicialmente parece extremamente injusta fica interessante uma vez que a tribo David vai escolher o caminho que cada uma das duplas vai ter que fazer num circuito cheio de obstáculos físicos e mentais. Ou seja, já nos primeiros minutos, Survivor vai questionar se importa a força de cada dupla quando as oportunidades são distintas. Gostei muito da ideia e já não vejo a hora de conferir o resultado. Survivor Fodidos Vs. Fodalhões pode dar certo sim.
O Anulador de Idol ou o vulgo Idol Empata Foda
Outra novidade da temporada de número 37 será uma vantagem em que o participante poderá anular o efeito de um idol. Já vimos algo muito parecido na temporada passada do Australian Survivor, mas esta nova vantagem vai ser positivamente um pouco diferente da twist australiana. No Australian Survivor, Ziggy foi agraciada com um Super Idol que quando usado anularia o efeito de um idol anteriormente usado. Dessa forma, quando Annelise usou o seu idol tudo o que Ziggy teve de fazer foi se valer do seu Super Idol para garantir que a coleguinha fosse eliminada. Esta twist não me agrada pelo simples fato de que ela tem tudo para arruinar um grande momento, em que alguém prestes a ser eliminado é salvo por um idol. É só imaginar que após Kelley Wentworth usar o seu idol em Second Chance alguém poderia ferrar com um dos momentos mais fodas do reality usando esse Super Idol Empata Foda, o que eliminaria Wentworth do jogo e salvaria o embuste do Andrew Savage.
Contudo, a coisa vai ser diferente na sua versão americana. O participante que possuir esta vantagem terá de usá-la no momento em que for votar e terá que indicar qual a pessoa que terá um possível idol anulado. Dessa forma, o idol será usado em vão se o participante indicar a pessoa errada ou se o idol não for utilizado naquele momento. Esta twist não é apenas bem vinda, mas também se mostra até mesmo necessária no contexto atual.
Além desta twist possivelmente inviabilizar uma vitória como a de Ben, que chegou na final apenas sendo protegido por idols, ela também afeta a dinâmica atual que vem sendo regra nas últimas temporadas. Como saímos da Era dos Big Moves, os jogadores passaram a investir muito mais na confiança do que em possíveis blindsides, muito na esteira do que fez Jeremy ser tão bem sucedido em Second Chance. Dessa forma, ao invés de manter o segredo para si, como fez Wentworth, a tendência é utilizar os idols para conquistar aliados e para evitar prováveis investidas deles. Wendell e Domenick fizeram isso bastante em Ghost Island e chegaram na final também por conta do medo que todos tinham de votar em alguém com idol. Aquela coisa de fingir que tem um idol para se salvar, tão comum nas últimas temporadas, também está ameaçada. Além de impedir alguém como Ben de usar o seu idol antes da hora como feito por ele em HHH.
Assim, a nova twist não é gratuita, tendo um objetivo claro de mudar a dinâmica do jogo, para que os participantes sejam obrigados a guardar segredo quando possuem um idol e também para ser uma alternativa quando muitos idols são usados. Quem de nós não queria voltar no tempo e entregar um bloqueador de idols Empara a Foda para Cirie no F6 de Game Changers? Ou entregá-lo para Devon Pinto no F5 de HHH?
O Elenco:
Diferente do que fiz em todas as outras temporadas que cobri farei um post separado com a minha análise individual dos participantes. Eu não gosto de julgar pessoas somente por fotos e bios e costumo usar mais os vídeos para tentar ter uma ideia do papel que cada um irá desempenhar na temporada. Dessa forma, como os vídeos ainda não saíram, deixo vocês, por enquanto, apenas com os dados básicos dos participantes.
Tribo David:

Bi Nguyen, lutadora de MMA de Houston, Texas

Carl Boudreaux, motorista de caminhão de Houston, Texas

Christian Hubicki, engenheiro robótico de Tallahassee, Florida

Davie Rickenbacker, gerenciador de mídias sociais de Atlanta, Georgia

Elizabeth Olson, cozinheira de Longview, Texas

Gabby Pascuzzi, escritora técnica Denver, Colorado

Jessica Peet, a garçonete de Lakeland, Florida

Lyrsa Velez, agente de linha área de Puerto Rico

Nick Wilson, defensor público de London, Kentucky

Pat Cuasck, gerente de manutenção de Watervliet, New York
Goliath

Alec Merlino, bartender de San Clemente, California

Alison Raybould, física de Chapel Hill, North Carolina

Angelina Keeley, consultora financeira de San Clemente, California

Dan Rengering, agente da SWAT de Gainesville, Florida

Jeremy Crawford, advogado de New York, New York

John Hennigan, lutador profissional de Los Angeles, California

Kara Kay, corretora de imóveis de San Diego, California

Mike White, cineasta de Los Angeles, California

Natalia Azoqa, engenheira industrial de Irvine, California

Natalie Cole, CEO de grande corporação de Los Angeles, California
Esses são os participantes que estarão na trigésima sétima temporada de Survivor. Em breve, eu volto com a análise de todos eles e dia 26 estreia Survivor David vs. Goliath nos EUA. Até lá.















