Uma fase tribal mais interessante do que emocionante.
Heroes Vs. Healers Vs. Hustlers é uma temporada muito diferente de tudo que a gente tem visto nos últimos anos. Combinando uma variedade de jogadores promissores, a temporada não vem rendendo grandes reviravoltas e explosões de cabeça. Isso acontece muito por conta do nível dos jogadores, que sabem que a confiança é a coisa mais importante no jogo e deve ser respeitada. Bons jogadores nem sempre rendem as temporadas mais eletrizantes. De seis episódios até aqui, apenas dois (os episódios 4 e 5) dão margem para grandes discussões, reflexões e críticas aos jogadores. Nos demais, é bem difícil questionar as jogadas realizadas no Tribal Council, que estão sendo precisas e cautelosas. Por um lado, temos um jogo bem disputado e a edição vem conseguindo não entregar muito a respeito de quais participantes têm chances ou não de vencer. Entretanto, ter jogadores que não arriscam tanto e não cometem tantos erros faz a temporada ser menos empolgante do que de costume. O que seria de Micronesia sem as burradas de Ozzy, Jason, Alexis e Erik? O que seria de Heroes Vs. Villains sem a jogada absurda de JT? O que seria de Cagayan sem J’Tia jogando o arroz no fogo ou sem Tony fazendo um jogo agressivo demais que normalmente não dá certo? Quanto mais próximo da perfeição mais chato pode ser um jogo. Redemption Island e One World só comprovam esta tese. A diferença é que nestas temporadas um só jogador dominou tudo do começo ao fim. Desta vez, temos o cenário inverso, num dos jogos mais disputados já visto.
Contudo, em “This Is Why You Play Survivor”, tivemos o nada disputado embate entre um jogador apático que não representa ameaça a ninguém e a traída que perdeu toda a confiança construída ao longo da temporada. O resultado deveria ser extremamente previsível, mas não foi por conta de um ótimo trabalho da edição, que me fez acreditar que JP seria o eliminado. Eu estava crente que Chrissy e Ryan fariam uma jogada desastrosa, porém não foi o que aconteceu.
Por mais que JP seja forte nos challenges, não representa ameaça nenhuma a alguém. Ele é desleixado com o seu jogo social, fechado demais e não parece ter muita estratégia em seus atos. Pode até ganhar todos os challenges da Merge que mesmo assim não vencerá a temporada. Se arrastarem JP até a final, o único risco que Chirssy e Ryan correm é que um júri recalcado prefira coroar a planta ao invés de dar o milhão para quem realmente fez alguma coisa, algo que infelizmente acontece de vez em quando. Depois do que aconteceu no último Big Brother americano, tudo é possível. Contudo, este risco é muito pequeno, já que esta prática é cada vez mais rara em Survivor.
Eu comparo bastante JP com Ken de Millennials Vs. Gen X. Alguém que era ótimo nos desafios, leal a seus aliados e que não se importava muito com o aspecto estratégico. Ken não fez nada de imoral na sua temporada, com certeza provou que é um cara bom, venceu muitos challenges, chegou na final e não teve nenhum voto por não jogar estrategicamente o suficiente. Por mais que esta temporada tenha uma pegada mais old school, ainda estamos num momento em que o jogo estratégico é o mais valorizado. Assim, Chrissy e Ryan não deveriam se preocupar com o ótimo desempenho de JP nos challenges, muito pelo contrário. Além da sua força ser a única coisa que pode colocar algum alvo nele e tirar de jogadores melhores como a Ryan e Chirssy, JP é uma ótima arma para derrotar os inimigos nos challenges, mandando-os para Ponderoesa. Algo que Adam falou a respeito de Ken no Final Tribal Council: “Eu garanti ter no F6 3 grandes ameaças e um aliado que é um challenge beast, que os derrotou para que a gente votasse todos para fora do jogo”. Nem Ozzy chegou a ganhar por conta do desempenho nos challenges, logo JP não representa ameaça.

Ali saiu do jogo decepcionada, acreditando que confiou demais nas pessoas, mas eu discordo muito desta afirmação. Ao meu ver, o que Ali poderia ter feito diferente era justamente confiar mais em Ryan, não descartar num primeiro momento trabalhar com Chrissy e deixar os dois conduzi-la até a merge. Neste ponto, você pode me criticar e dizer que estou sendo contraditório ao afirmar que Ali deveria ser mais planta do que foi. Contudo, não estou dizendo que ela deveria ser planta ou apática como JP. Em Survivor, equilíbrio e timing são essenciais, chegar ou não na merge faz uma diferença enorme. Um Tribal Council a mais que ela sobrevivesse e Ali provavelmente não seria alvo por um bom tempo.
O que Ali fez de errado foi transparecer demais suas intenções de se aliar com Roark, quando poderia chegar na merge na sombra de Ryan e Chrissy. Este erro só aumentou ao passo em que ela não soube contornar a situação com Ryan e pelo menos fingir que ainda confiava nele. Logo no início do episódio, tivemos um confessional dele dizendo: “Eu esperava que ainda poderia jogar com Ali neste momento, mas ela está tão enfurecida. Isto é péssimo, porque eu não posso ter inimigos neste jogo. She has to go”. Eu não acreditava que eles deveriam perder de propósito para eliminar Ali e até tinha fé numa reconciliação entre os velhos aliados. Entretanto, diante dos fatos, Ryan e Chrissy fizeram a coisa certa para eles mesmos. Eliminaram a pessoa que poderia flipar e mantiveram aquele que podem controlar e ainda bater no final. Vejo muita gente com um certo ódio dos dois, xingando muito no Twitter, mas é impossível não admitir que eles são os melhores jogadores desta fase tribal.
Em relação a Ali, ela acabou me surpreendendo positivamente, tinha muita cara de First Boot e conseguiu mostrar um bom jogo. Infelizmente, ela provavelmente achou que estava mais no controle do que realmente estava. Tanto que, em algum momento do episódio, afirmou que era a pessoa mais próxima de Devon, o que a gente sabe que está longe de ser verdade. Mesmo assim gostei da sua participação na temporada. Ali é simpática, tentou fazer o melhor jogo possível e foi uma vítima por se deixar levar pelas circunstâncias. Mostrou demais as suas cartas. Seu maior erro com certeza foi se aproximar demais de Roark e contar com Ryan como um voto certo do seu lado. É muito fácil criticar depois que a pessoa se ferra, mas Ali deveria ter ido com mais calma depois da Swap e não assumir que Ryan iria pro lado que ela escolhesse. Eu já joguei um Survivor virtual e venci, me achando muito sim (mentira, grande merda). Meu mantra era nunca impor nada aos meus aliados, tentando controlá-los justamente por sempre escutá-los antes de dar a minha a respeito do que deveria ser feito. Assim, eu sempre sabia o que cada um queria fazer para encontrar a maneira certa de encaixar os meus planos. Um pouco mais disso e Ali poderia ir bem mais longe.
> STRANGER THINGS 2 – Veredito
A Swap conspirou para uma aliança natural entre Ashley, Devon, Ryan, JP, Chrissy, Ben e Lauren. Diante dos acontecimentos nas 3 tribos, fica difícil que o jogue não vire Heroes And Hustlers Vs. Healers. A grande incógnita para mim é Dr. Mike, o Healer com mais possibilidade de jogar com o outro grupo. 2 idols do lado dos curandeiros podem ser um fator para reverter esta situação, mas estou com um forte pressentimento que Dr. Mike vai flipar e jogar ao lado de Ben e Lauren. Que a guerra comece e a temporada saia do interessante para o emocionante.
Ranking da Temporada
1- Chrissy. Favoritaça ao prêmio. Pelas palavras finais de Ali, Chrissy é uma mentirosa de primeira. Ainda é cedo para falar, mas acredito que podemos estar diante de uma das melhores jogadoras que já passou pelo reality.
2- Ryan. Para aqueles que criticaram Ryan e disseram que Ali seria a sua queda, not today satan. Ao jogar Roark e Ali aos leões, Ryan expandiu as suas conexões, não se limitando apenas aos Hustlers. Assim, além de poder se reconectar com Devon e Lauren, ele agora tem passagem dentro dos Heroes. Ryan e Chrissy formam uma dupla perigosa demais. Resta saber até quando um não se voltará contra o outro. Se esta guerra começar, Chrissy sai na frente uma vez que Ryan já tem uma traição no currículo.
3- Devon Pinto. Apesar de não ter percebido que Joe encontrou a pista diante de seus olhos, Pinto continua firme e retratado de forma positiva. Existem 3 grandes alianças chaves neste jogo, Ryan e Chrissy, Chrissy e Ben e Ryan e Devon. Assim, como estas 3 alianças vão se encaixar será crucial para saber quem sairá por cima. Ashley e Lauren podem ser grandes ferramentas para que a hegemonia de Ryan e Chrissy seja quebrada. Devon com certeza é alguém que pode mudar o jogo.
4- Lauren. A temporada vem construindo um grande arco a respeito do quanto Cole é um babaca filho da puta. Lauren é a grande narradora deste arco. Assim, caso a eliminação dele venha em breve como estou prevendo, acredito que ela leva uma parte grande do crédito para si. Dessa forma, a edição colocando parte da responsabilidade de algo tão grande nas mãos de dela a coloca como alguém com boas chances de vencer no final.
5- Ben. Definitivamente é alguém com ótimas chances de vencer. Podemos estar sendo enganados pela edição, mas eu realmente acredito que Ben conseguiu criar um trio com Lauren e Dr. Mike para se livrar de Cole. O que mais me preocupa em seu jogo é o momento antes da final, em que ninguém vai querer tê-lo ao seu lado no Final Tribal Council.
6- Dr. Mike. Como previsto, Dr. Mike vem crescendo bastante no reality. Gostei muito de vê-lo agindo como médico e acredito que ele não é o tipo de pessoa que vai se manter numa aliança com pessoas como Joe e Cole. Eu sempre achei que ele tem potencial para desempenhar um papel como o de Tai em Survivor. Assim, acredito que ele irá flipar e ficra com má fama, porque as pessoas esperam que ele seja inofensivo, coisa que claramente não é.
7- Ashley. Depois de passar a fase tribal toda em risco, acredito que Ashley não tem porque ser alvo nos próximos TCs. É alguém que consigo ver chegando na final. É uma constância na edição e se crescer um pouco mais pode surpreender.
8- Jessica The Virgin. Como Cole e Joe são alvos muito óbvios, acredito que Jessica tem grandes chances de sair no próximo episódio. O seu grande trunfo é a sua relação com Dr. Mike. Apesar de muita gente amá-la e considerá-la a Game Changer do momento, até aqui ela só cometeu um erro de amador, fez um casal. Depois de All-Stars, fazer um casal é pedir para ser eliminado. Na cena em que ela diz que pode abrir mão de parte do seu arroz por Cole, a câmera focou nela dando uma porção para o seu amado e logo em seguida na cara de matadora de Lauren. Foi algo bem sutil, mas que diz muito a respeito do jogo. Survivor gosta de reforçar como é um jogo individual e que não perdoa quem se envolve pessoalmente demais. Lauren me pareceu a ceifadora no caminho de Jessica, dizendo que a morte pode estar próxima.
9- Desi. Não sei muito o que esperar dela. Uma incógnita para mim. Junto com JP, Desi é quem importa menos nesta temporada.
10- Joe. Tenho a impressão de que Joe já havia encontrado este idol há algum tempo e a edição guardou este momento para depois. Já aconteceu com Tony, mas é muito difícil que Joe dure sendo um alvo tão grande. Enquanto Chrissy é apontada como a melhor jogadora pelos eliminados, Joe é apontado por aqueles que ainda estão no jogo. Assim, é óbvio que ele está longe de ser o melhor jogador da temporada. Não se tornar um alvo é uma parte importante do jogo. Odiei como a produção escondeu os idols da mesma forma. Está faltando criatividade nestes idols aí. O futuro de Joe depende de como ele irá usar o seu idol. Joe afirmou no confessional que encontrará o terceiro idol na merge. Fiquei ainda mais com a impressão de que ele será enganado por Dr. Mike.
11- JP. Muito boneco de posto. Agora que chegou na merge deve ser arrastado por um bom tempo.
12- Cole. Acho que nem preciso mais falar mal do Cole, né? Ele já se difama sozinho. Pior jogador sim. Ainda se acha a bucetuda. Fica claro que ele não faz ideia do que é Survivor.
JP empolgado com o blindside:

JP triste porque a temporada não está tão foda como de costume:

JP emocionado com o amor da virgem pelo embuste:

JP reagindo a entrevista do Bolsonaro sobre economia:
















