Vantagens e twists esquentam a disputa por 1 milhão de dólares.

Após um início promissor, mas com pouca ação, nada como uma Swap para tirar os participantes da zona de conforto, forçando todos a agir. Além da grande transformação na configuração das tribos, a produção está apostando em vantagens para chacoalhar o jogo. Entretanto, ao invés de dar liberdade para os jogadores usarem estas vantagens no momento mais oportuno, desta vez os eles precisam usar o que encontram imediatamente. Este prazo de validade claramente tem o objetivo de evitar que tudo seja usado no F6, como em Game Changers.

Estas vantagens ainda não alteraram muito o jogo efetivamente, mas estão dando uma dinâmica interessante. Apesar da falta de eficácia, eu aprovo a ideia de forçar o participante a usar a vantagem num determinado momento, fazendo-o a tomar a decisão rapidamente. Além de evitar um acúmulo de vantagens que pode levar a uma eliminação como a de Cirie, é bom que tenhamos a ação provocada pelas vantagens espalhada ao longo da temporada e não concentrada em apenas um Tribal Council. Esta nova dinâmica também testa a esperteza do participante, que pode cair na armadilha e utilizar a vantagem apenas porque é agora ou nunca ou entender que ela não é tão benéfica para o seu jogo, como fez Chrissy na premiere.

Se por um lado, eu aprovo o prazo de validade do poder que está sendo distribuído, eu não consigo dizer o mesmo a respeito da intensidade do poder. Tanto na premiere quanto neste último episódio, um só jogador concentrou um poder exagerado, o que pode desvirtuar completamente a essência do jogo. É bom termos vantagens que trazem reviravoltas na trama e grandes responsabilidades. Entretanto, na minha visão, a produção vem exagerando no poder concedido, na sede de causar momentos de grande impacto. A twist da premiere tinha o poder de destruir completamente o jogo de uma pessoa baseando-se na vontade de apenas uma pessoa. Já a twist desta semana podia ter retirado a grande graça de uma swap, que é o choque do voto de membros de diferentes tribos. Ao invés da eliminação ser produto da soma de Heroes, Healers e Hustlers tudo poderia ser definido pela sorte de quem encontrou um papel dentro de um saquinho de batatas fritas. A capacidade de acrescentar novos elementos ao reality é essencial para que Survivor se mantenha a tanto tempo no ar. Contudo, é preciso ter cuidado para que a dinâmica não se altere muito e que a força do voto da maioria não seja violada constantemente. Novidades são bem vindas, mas o sentido do jogo precisa ser mantido ou corremos o risco de uma nova Redemption island.

Gosto muito da ideia de ter tribos novas com a formação 2x2x1, que cria um interessante cenário de disputa por um membro. Contudo, a produção abriu mão desta dinâmica em busca de forçar uma reviravolta artificialmente. A grande graça do imprevisível num reality show é a sua congruência com a realidade. Assim, quanto menos natural é um momento de imprevisibilidade menos graça ele acaba tendo. É até irônico constatarmos que o grande momento do episódio não foi causado pela novidade de HHH e sim pelo uso de um idol, uma twist que é realizada da mesma forma desde a temporada de número 14 do reality. Na minha visão, a produção inseriu a vantagem deste episódio com o intuito de aumentar as chances de uma decisão nas pedras ou um resultado impactante. Entretanto, por mais que decisão nas pedras seja algo épico e foda, prefiro que ela aconteça por vontade dos participantes e não forçada pela produção. Uma decisão nas pedras, inclusive, seria no mínimo injusta com Pinto, uma vez que ele foi impedido de votar e teria que ver a sorte decidindo seu destino sem poder fazer nada para evitar.

Sim, tivemos o melhor episódio da temporada até aqui e temos muito o que comentar a respeito.

As crônicas da virgem e do Pinto

Numa trama de amor, traição e sacrifício, Jessica The Virgin tomou a mesma decisão que já vinha tomando a 30 anos, mais uma vez na sua vida bloqueando o Pinto. Muitos consideraram uma jogada inusitada ou ousada, Jessica a chama de nada além de uma sexta-feira normal. Sendo um dos grandes destaques na edição pela segunda semana consecutiva, a virgem foi colocada na posição de mocinha de novela mexicana. Afinal , ela já se apaixonou, já se decepcionou, sofreu, retomou a confiança, se decepcionou de novo, sofreu um pouco mais e até mesmo chorou. Tudo em nome do amor.

Numa nova tribo formada por 3 Healers, 1 Hero e 1 Hustler, Jessica, Cole e Dr. Mike tinham apenas que se manter unidos para garantir a maioria. Contudo, após encontrar a vantagem, Jessica The Virgin cometeu o erro de dividir esta valiosa informação com alguém que já vinha se provado péssimo guardando segredos. Em pouco tempo, a tribo toda já estava sabendo da vantagem, algo extremamente prejudicial para o seu jogo da virgem. Além disso, Lauren ainda usou esta valiosa informação para criar algum tipo de suspeita dentro da aliança dos curandeiros, aumentando ainda mais o alvo no casal.

Jessica está diante de uma importante decisão. Ela precisa escolher se foi para Fiji arranjar um peguete bonito ou se foi para ganhar 1 milhão de dólares. Até entendo que a libido dentro de alguém que ficou 30 anos sem sexo possa ser grande, mas a verdade é que ela vem se iludindo ao achar que encontrou o grande amor. Isso é tão verdade que o choro dela em relação à traição de Cole pareceu estar mais relacionado à quebra do encanto do que de fato ao quanto ele comprometeu o seu jogo. Apesar desta Jessica não ter a metade do potencial da Jessica da última temporada do Big Brother americano, eu não sou capaz de aguentar mais uma mulher se ferrando no jogo por conta de um macho estúpido. No começo da temporada, eu tive a impressão que a virgem seria apenas um artifício para a trama de Cole, mas agora ficou claro que temos dois caminhos que ela pode seguir: afundar ao se manter do lado dele ou se livrar deste karma. Além de eu odiar casal em reality, está mais do que claro qual decisão é a correta para o jogo dela. Jessica possui boas chances e para isso precisa desistir da trama de novela mexicana para ter o controle do seu destino. Jessica precisa que provar que aprendeu com a Ritinha da Força do Querer. Ela pode até gostar de Cole, mas tem que gostar ainda mais de si mesma.

Antes de decidir a respeito do seu futuro com Cole ou sobre a manutenção da sua virgindade, Jessica teve que escolher quem da tribo azul teria o voto bloqueado no Tribal Council. Ela tinha quase o poder um prefeito que concorre à reeleição e pode usar a máquina do Estado para evitar que os eleitores menos favoráveis a sua vitória pudessem votar. Uma decisão nada simples, uma vez que ela não sabia exatamente o que estava acontecendo na tribo azul, mas que tinha uma lógica a ser seguida.

Eu gosto muito de desafiar os participantes a interferir numa outra tribo, já que eles não têm informação do que acontece lá. Assim, uma decisão ruim pode transformar o que era para ser uma vantagem num grande desastre e ninguém quer ser o novo JT.  A ideia expressa por Jessica num confessional era de utilizar o bloqueio para ajudar a vida dos Healers na tribo azul. Um objetivo um tanto quanto simples, já que a tribo estava com Desi e Joe de um lado, Ashley e Alan de outro e Devon no meio. Dessa forma, a melhor escolha para Jessica seria bloquear Ahsley ou Alan, garantindo ao menos o empate caso Devon resolvesse trabalhar com os heróis. Uma jogada bem óbvia, mas que não tinha risco de comprometer uma já consolidada vantagem dos Healers na tribo perdedora. Ao bloquear Pinto, Jessica correu o risco de mais atrapalhar do que ajudar os seus aliados. Por isso, achei que Jessica The Virgin errou na sua escolha, uma vez que ela bloqueou o swing vote. O mais seguro seria bloquear um voto praticamente certo contra um Healer, ou seja, o voto de um Hero.

Como não faltam fãs que gritam “Pisa mais, Jessica” e depois analisam as suas jogadas, existem Fanfics muito criativas que não só justificam a jogada desastrosa de Jessica como também a colocam como genial. Não, ela não fez isso para forçar Joe a usar o ido. Não, ela não determinou a eliminação de Alan, que aconteceria da mesma forma mesmo sem a vantagem. Não, ela não foi genial. E não, para a minha frustração, ela não bloqueou o Pinto para se manter virgem, a hipótese de longe mais interessante entre essas. Estamos na trigésima quinta temporada de Survivor e não na sétima de Game of Thones, logo não existe espaço para FanFiction. Como vivemos na era da internet, tudo é rapidamente explicado, o que acaba freando a criatividade das pessoas em imaginar o que bem entenderem como motivação da jogada.

Jessica e Cole explicaram via Twitter que a escolha de como usar o bloqueio foi feita por toda a tribo, que escolheu Pinto como alvo para minimizar os efeitos negativos que a vantagem poderia ter no jogo de Jessica. Como Cole fofocou que ela encontrou a vantagem, esta informação se tornou domínio público. Assim, a escolha foi usar a vantagem de forma a fazer Jessica ter menos inimigos na tribo azul. Eles focaram mais nas consequências negativas da obrigação de bloquear um voto do que no benefício que ela poderia trazer para os Healers. Vi inclusive alguns debates a respeito desta vantagem poder ser negativa para quem a usa, mas este não é um efeito da vantagem em si e sim da péssima decisão de espalhar quem estava na posse dela. Se trata de uma vantagem usada de forma anônima, como a usada por Ryan na premiere. Dessa forma, Jessica acabou confiando este segredo para a pessoa errada, que espalhou para o resto da tribo. Assim, a desvantagem foi consequências das ações de Jessica e Cole e não da twist em si.

Portanto, Devon foi o escolhido por estar sozinho na tribo e não porque ela queria causar um grande efeito na votação. Eu entendo o raciocínio feito por Jessica, mas cravo que ela não usou a vantagem da forma mais inteligente. Tudo deu certo para os Healers por outros motivos e Jessica deu sorte ao não atrapalhar os planos de seus aliados. A preocupação com uma possível represália é muito válida, mas acho que bloquear Ashley ou Alan seria a decisão mais correta dentro das informações que ela possuía no momento.

From The Hero to The Zero

Mesmo com a nova composição de membros, a tribo azul continuou sendo a mais forte fisicamente, mas também aquela que tem dificuldade problema em trabalhar em equipe. O excesso de personalidades fortes e a falta de um líder custaram a derrota e a ida ao Tribal Council.

Para começar, Joe foi bem infeliz ao inventar logo de cara que os Heroes tinham planos de eliminar Devon. Uma mentira que obviamente foi desmentida muito rapidamente. Para piorar a sua situação, o cara entrou em choque com Alan e Ashley, o que colocou ele e Desi numa situação bem delicada.

Se Joe foi muito mal durante todo o episódio, ele foi muito bem ao ler nas expressões de Ashley que ele tinha sido o votado, o que o fez usar o idol em si mesmo, se salvando da eliminação. A edição deixou mais do que claro que Pinto estava com os Heroes. Assim, o bloqueio em Devon não alterou absolutamente nada, uma vez que o seu voto não seria válido por força do idol de qualquer maneira. A grande graça do episódio foi ver esta sucessão de acontecimentos com um desfecho ótimo, com Joe jogando na cara de Ashley o quanto ela facilitou a sua escolha.

Eu havia previsto que Alan não sobreviveria aos quatro primeiros episódios, mas eu achei que isto aconteceria por conta da sua falta de equilíbrio mental. Entretanto, ele conseguiu resolver os seus problemas com Ashley, firmou um trio que poderia ser forte com Pinto e acabou vítima de um idol. Ele não parecia ser alguém que iria se manter no jogo por muito tempo, uma vez que não foge de um confronto e é um tanto quanto louco. Entretanto, fica sim o sentimento de que ele poderia render bem mais na temporada.

O futuro desta tribo ficou extremamente difícil de ser previsto. Tudo indica que teremos um embate entre Devon e Ashley contra Joe e Desi, sendo que a última pode muito bem flipar, jogando o seu aliado debaixo do busão. Contudo, apesar do que disse a promo, eu não tenho tanta certeza se um empate seria mesmo decidido nas pedras. Seria um fato inédito e mais imprevisível ainda em relação às regras se pensarmos que um idol pode ser encontrado e usado no Tribal Council. Assim, existe a possibilidade de um empate 2×2 gerar uma decisão no fogo, mas eu nem quero ter a resposta para essa pergunta, uma vez que quero outra tribo perdendo na sequência.

Ranking da Temporada Que Tem Tudo Para Ser Destruído pela Swap

1- Chrissy. Para a alegria geral da nação a aliança entre Chrissy e Ryan is real e tem tudo para dominar o jogo. Por mais que Chrissy nem tenha precisado do idol enviado por Ryan, a certeza de que não seria eliminada no primeiro TC graças a ajuda de um anjo da guarda deve mesmo gerar uma grande lealdade. Até aqui, Chrissy é quem mais se encaixa numa possível edição de vencedor, mas é fato de que os editores vêm fazendo um ótimo trabalho esta temporada. Dessa forma, quase todos os participantes têm boas chances de vencer, uma vez que não temos ninguém completamente ignorado pela edição.

2- Ryan. O destino parece estar do lado de Ryan e o desenho de uma aliança dominante na merge já começou a se formar. Impressionante como em todas as tribos Hustlers e Heroes estão se juntando, o que pode resultar numa super aliança liderada por Ryan e Chrissy. Temos Pinto e Ashley na Azul, Ryan, Chrissy e possivelmente Allie na amarela (estou excluindo JP porque sim) e Lauren e Ben na vermelha.

3- Devon Pinto.  O bloqueio funcionou como uma espécie de rolha, porém Pinto não brochou e continua firme e forte na disputa. Ao lado de Chrissy, Pinto é a minha grande aposta para gozar de um milhão de dólares. Gosto do seu jogo social e de como ele se apresenta diante dos adversários, sempre bem humorado. Alguém tranquilo, divertido e engraçado que tem tudo para ser visto como ameaça apenas quando for tarde demais.

4- Ben. Mesmo no caso de uma derrota, Ben parece muito seguro na sua nova tribo, mesmo diante de 3 Healers.

5- Lauren. Que grata surpresa é Lauren. Amando esta mulher que tinha tudo para ser planta, mas que vem jogando de forma agressiva e com muita personalidade. Se sobreviver a esta tribo, Lauren tem muitas condições de chegar à final.

6- Allie. Ficou apagada neste episódio, mas se encontra numa ótima posição no jogo. Allie é alguém que está no meu radar com chances de vencer.

7- Jessica The Virgin. Chuta o boy lixo e salva o seu jogo, por favor. Eu nunca te pedi nada. Na pior das hipóteses, você reencontra ele saindo do mar numa participação no De Férias com o Ex (reality que retornou à MTV nesta semana. Viva Gabi Prado, dona proprietária do programa). Se Jessica continuar ao lado de Cole vou usar um quote de Gabi para descontar a minha raiva: “Esta piranha está me testando”.

8- Mike. Caso a sua tribo perca o próximo challenge de imunidade, vejo Mike com uma importante decisão a tomar. Ele pode trair o casal, algo que eu já faria no seu lugar, uma vez que ele era apontado como o excluído da sua tribo anterior, ou ainda convencer Jessica a trair o boy lixo. Go Mike go. Até agora não vem sendo tudo aquilo que prometia.

9-Ashley. Estou gostando muito de Ashley, mas a minha previsão de que ela estaria sempre ameaçada e no meio de confusões vem se cumprindo. Acredito que, depois de ficar molhadinha com JP trazendo alimentos para o acampamento, a solução para os seus problemas está no Pinto. Com o perdão do trocadilho, realmente acho que a aliança com Devon é muito benéfica para ela.

10- Roark. Ainda não mostrou a que veio, mas isto é normal uma vez que ela nunca perdeu um challenge e ainda estava numa tribo com casais e loucos encontrando idols, o que naturalmente consome tempo de tela.

11- Desi. Correu um grande risco ao longo do episódio, mas viu suas chances aumentando graças à vantagem de Jessica, que levaria a votação no máximo a um empate, e ao idol de Joe. Na minha opinião, por mais que ela possa confiar no cospobre de Tony por enquanto, acredito que seja hora de abandonar o barco que está afundando e procurar um espaço na aliança com Ashley e Pinto.

12- Joe. É meio bizarro ver que aquele que usou um idol de forma correta e decretou a eliminação de Allan caiu no ranking. Entretanto, o comportamento frenético e nada social de Joe pode ter causado danos irreparáveis em seu jogo. Joe está pecando pelo excesso e, principalmente, na hora de encontrar aliados menos é mais.

13- JP. É o mais próximo de ser Purple na temporada. Vem apático e acho que pode ser o próximo eliminado caso esteja no Tribal Council.

14- Cole. Parece que ele assistiu apenas o episódio de Millenials Vs. Gen X em que David dividiu com Ken a informação que tinha o idol. Assim, Cole a todo momento quer contar tudo para todo mundo, o que acaba com o valor das informações que ele possui. Mirou no David da temporada de número 33 e acertou no David Brasil, um fofoqueiro de primeira que vai acabar engasgando nas próprias palavras.

PS: Decepcionado que o quote que deu nome ao episódio: “Eu não gosto de ter cobras ao meu redor” não tenha sido dito pela virgem a respeito da sua opção.

PS2: Namore alguém que te olhe como Chrissy olha para Ryan:

PS3: Imagens dos devotos de Nossa Senhora Aparecida no dia da Padroeira do Brasil

PS4: Eu antes do feriado que me dará tempo de colocar tudo que eu tenho para fazer em dia:

Eu quando o feriado termina e eu não fiz nada:

PS5: Eu ouvindo o João Doria falar que pobre não tem hábito alimentar:

PS6: Eu quando o maluco é eliminado de Survivor:

REVISÃO GERAL
Nota:
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