Segredos. Todo mundo tem os seus, sempre há alguma coisa a ser escondida. Em um bom drama policial, então, são as revelações desses segredos que movimentam a trama e dão um toque especial à experiência de assisti-la. Mas nesse caso, temos que lembrar que além de um drama policial e jurídico, estamos tratando de fatos da vida real, o que torna tudo um pouco difícil de digerir enquanto acompanhamos o desenrolar dos fatos.

Com a revelação de que Erik sofria abusos por parte do pai, todo caso sofreu uma reviravolta enorme e uma possibilidade real de defesa surgiu. A questão é fazer com que esta defesa tenha alguma credibilidade diante do júri. A busca por fatos que corroborem com a versão apresentada por Erik. O primeiro a não colaborar é Lyle. Realmente não entendo os motivos dele ter demorado tanto tempo para admitir que também foi vítima de José. Isso, claro, aumentou a carga dramática do episódio, que virou uma caçada por provas para melhor preparar a defesa. A única razão que eu vejo é uma necessidade de proteger sua masculinidade, uma vez que ele não teve problemas em assumir os supostos ataques feitos pela mãe.

Kitty Menendez, aliás, fui uma personagem que ganhou novos contornos esta semana. Já tínhamos a noção de que ela não estava em seu melhor momento psicologicamente, porém, com a possibilidade de que ela tinha total conhecimento do que se passava entre o marido e os filhos, algumas coisas passaram a fazer sentido. Não é possível sabermos qual o grau de culpa Kitty sentia, caso os abusos de fato ocorressem, mas certamente seriam motivos o suficiente para deixa-la no estado em que se encontrava.

Para a sorte da defesa, segredos não são tão fáceis de serem mantidos escondidos e logo algumas pessoas que poderiam corroborar com a defesa foram aparecendo. Apesar de não serem provas fortes, considero o testemunho dos primos algo bastante importante para que acreditemos na versão de Lyle e Erik. A forma com a qual os dois descobriram que José aparentemente abusava dos filhos faz total sentido e, com algo de errado deste tipo acontecendo dentro da casa dos tios, era natural que as visitas achassem certos comportamentos estranhos. Porém, o que mais me deixou intrigado foram as fotos encontradas pela investigadora. Não há explicação que justifique a existência delas em um ambiente saudável e foram elas que me fizeram acreditar, de fato, que os irmãos Menendez sofriam abusos pelos pais.

Essa revelação, por outro lado, não foi tão bem recebida pela família, que claramente ficou dividida entre os que acreditaram ou não em Lyle e Erik. Analisando a situação como um dos parentes, é a palavra dos assassinos confessos contra a palavra das vítimas que eles conheciam a vida toda e tinham uma imagem praticamente imaculada. É uma situação bastante complicada onde é impossível de se definir se tem um lado certo. Para as namoradas, porém, a decisão chegou, cedo ou tarde, e nenhuma delas conseguiu suportar ficar ao lado de alguém capaz de ter matado os próprios pais.

A defesa desenhada por Leslie e Jill é clara, os irmãos mataram para não morrer, pois se sentiam ameaçados pelos pais após anos de abuso. Porém, mesmo que tudo o que Erik e Lyle alegam seja verdade, é muito difícil, pelo menos para mim, de entender que assassinar os dois pais fosse a única saída possível. Eles podiam sair de casa, fugir, tentar desmascarar José. Há muitas opções que poderiam ser utilizadas antes de se chegar a uma atitude tão extrema. Obviamente, não posso me colocar na pele de quem sofreu abuso, então minha opinião é puramente de alguém que vê a situação de fora.

Esta semana chegamos à metade da história de Lyle e Erik e todo o cenário está montado para que o julgamento se inicie. Aparentemente todas as cartas já estão na mesa e caberá à defesa convencer o júri a não condenar os irmãos pelo crime que cometeram. Uma tarefa muito difícil, que certamente resultará em um bom julgamento. Por outro lado, é muito estranho ver a acusação tão confiante. Pam deixa claro que está por cima e que espera uma vitória fácil. Nunca é bom estar confiante demais.

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A série segue em um bom ritmo e conseguiu manter o bom nível da semana anterior. Com tudo funcionando bem e com o ápice da história cada vez mais próximo, as expectativas para a segunda parte da série estão altas e espero que ela corresponda.

Anotações finais:

  • A cena mostrando o noticiário sobres os levantes em Los Angeles exibida na TV não estão ali à toa. O juiz responsável pelo julgamento, Stanley Weisberg, foi o mesmo que presidiu o julgamento dos policiais que atacaram Rodney King, no caso que foi o estopim para os levantes. Mais informações podem ser encontradas na página sobre King na Wikipedia.
  • O juiz que faz a distribuição do caso para Weisberg e aparece rapidamente em uma cena de tribunal é ninguém menos que Lance Ito, que dois anos depois ganharia fama nacional ao presidir o caso de O.J. Simpson.
  • Pode parecer estranho, mas já se passaram 3 anos do crime.
REVISÃO GERAL
Nota:
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law-and-order-true-crime-1x04-episode-04A série segue em um bom ritmo e conseguiu manter o bom nível da semana anterior. Com tudo funcionando bem e com o ápice da história cada vez mais próximo, as expectativas para a segunda parte da série estão altas e espero que ela corresponda.