Despair foi mais um episódio que fez parte de um conjunto bem restrito e diga-se de passagem, privilegiado por carregar consigo um roteiro razoável. Assim como seu antecessor, teve um direcionamento bom e ao mesmo tempo, conseguiu surpreender por ter ido numa linha distinta ao que achávamos há uma ou duas semanas.

O teaser teve um ritmo muito bom, o que já era de se esperar, dado o cliffhanger passado. Simplesmente, adoro a tensão que todo esse ritmo de correria me proporciona, ainda que eu não tenha levado a sério a ideia de Jack morrer assim tão fácil. Mas, foi válido todo esse início, pois foi o gancho necessário para que a Morte aparecesse e todos os fatos se desencadeassem sem demora.

Mais do que em qualquer outro episódio nesse tempo todo, nunca tivemos Billie com um foco tão imenso. A personagem só aparecia para avisos rápidos, instruções muitas vezes em cenas vazias e agora, mais do que vê-la em combate, vê-la vulnerável, torna a experiência dessa semana mais peculiar e inclusive, podemos ver com nitidez o quanto a atriz Lisa Berry saiu da zona de conforto. Sua atuação se superou, sem dúvida e ponto para  roteiro, que soube “espremer” bem os recursos que a personagem poderia oferecer, mesmo no ato final de sua estadia na série.

O episódio também seguiu uma premissa bem interessante. Como Dean mesmo afirmou, seus inimigos não param de se fortalecer e atualmente, eles podem contar com um total de zero aliados e diante de todas essas ameaças, foi inteligente o roteiro induzir para que todos achassem que era a Morte por trás de tudo. A forma como tudo vem andando indica que a série não tem mais tempo a perder e ainda que SPN esteja descartando bons personagens a torto e à direita, mostra que ainda sabe jogar bem com os que restaram.

Os diálogos não ficaram por menos essa semana e tiveram o aditivo das boas participações das quais já estávamos com saudade. Charlie e Donna – a essa altura, Bobby e Eileen nem tanto – são personagens que adoro e ainda com uma pequena participação, bom saber que conseguiram encaixá-los nessa reta final – mais ainda, por ter Donna ao invés de Jody, que já teve sua vez em “Galaxy Brain”. E se a vinda deles até nós teve um sabor doce, a partida de todos eles nos deixou uma sensação amarga de vazio. Seria esse o plano de Chuck? Em mais um passo rumo ao fim do mundo, resolvera Deus isolar os Winchesters na Terra e fazer o que a seguir?

E além disso tudo, podemos ver a direção do Richard Speight Jr. nos levando ao clímax quando a Morte decide ela própria ceifar Dean. Para mim, foi algo instigante e significativo saber que, por estarmos falando em fechar ciclos, faz bastante sentido Billie dar cabo da pessoa que, ao início da segunda temporada, deveria estar morta de fato. Caso John não tivesse feito o pacto para salvá-lo, seria bastante improvável que houvesse uma perturbação tão grande dessa famigerada ordem. Esse sim é o tipo de detalhe que nos remete às temporadas passadas e reforça a nostalgia da série. Foi satisfatória a sequência em que eles são perseguidos pelo bunker, só não teve uma tensão maior porque sabíamos que em algum momento, a Morte iria sucumbir, dado seu ferimento.

Contudo, logo que ouvimos o início do diálogo de Dean e Cass, percebemos que Billie não constituía um foco tão importante assim. E esse foi um dos diálogos que mais teve peso nessa última temporada. As palavras de Castiel atingiram um nível dramático muito bom – inclusive, não me lembro se houve algum outro momento em que ele chorou durante a série e embora eu discorde um pouco de todo aquele discurso de que Dean agiu mais por amor do que por ódio, foi um belo discurso e foi nítida a sinceridade nas palavras vindas do anjo, seguidas por um sacrifício que jamais esquecido.

Chuck absorveu Amara e agora, o Vazio de certa forma absorveu a Morte. Ao término de Despair, ficou claro que essas duas entidades agora voltaram aos seus estados originais. Chuck e Amara eram uma energia só antes de a vida ter sido criada, energia essa que equilibrava a balança cósmica com o “the big empty”. Com isso, nota-se que a Morte era parte do Vazio e foi criada apenas quando houve vida, ou seja, quando Chuck se separou da Escuridão e criou o mundo. Resta agora saber, entre o Vazio e Deus, ambos agora em suas plenitudes, quem irá vencer essa batalha final. O que vocês acharam disso tudo? Comentem aí e até a semana que vem!

REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anteriorThe Mandalorian 2×02: The Passenger
Próximo artigo‘Bárbaros’ é renovada pra 2.ª temporada pela Netflix
supernatural-15x18-despairDespair foi mais um dos poucos episódios privilegiados com um roteiro razoável.