Acompanhando a trajetória dessa temporada de Supernatural, percebi que Tombstone havia sido cotado para ser o divisor de águas desse primeiro arco. O episódio em que Castiel se junta aos Winchester e que Jack vai embora. Os fatos em questão foram apresentados de forma adequada, mas a história que serviu como background não foi atrativa, embora depois de muito tempo, seja legal ver Dean contente e como seu humor melhorou tão rápido.
Caso me permitam dizer, o episódio já começou de má forma. O recurso de “X horas antes” é um pouco batido, mas quando bem usado, desperta a tensão e a curiosidade no público. Realmente, faz sentido quando é uma situação totalmente fora do comum e do tipo que o telespectador fica: “Caramba, como foi que isso aconteceu? Quais foram os fatos que levaram a isso?”. Mas o que vimos foi um suspense besta – um personagem desconhecido caindo num buraco – e bem inapropriado, pois a última o gancho da semana passada tinha sido bem impactante; logo, o teaser foi bem desnecessário.
O reencontro dos Winchester com Castiel não proveu a emoção desejada pela maioria dos fãs, por um motivo. Primeiro, Castiel ou pelo menos alguém usando a sua voz havia telefonado antes para Dean, fazendo com que esse último passasse o restante da viagem inteira processando a notícia de sua volta e não ficasse tão exaltante no momento do encontro; ou até mesmo, ambos os irmãos pensaram se tratar de uma armadilha, por isso, tratar a situação com determinado grau de sutileza fosse necessário, mesmo substituindo a emoção de felicidade em encontrar o amigo por uma mistura de surpresa e desconfiança. Pelo menos prefiro pensar assim do que achar que foi má vontade dos caras em não aplicar a dose certa de abalo moral.
Por outro lado, o encontro de Castiel e Jack foi satisfatório e o ponto forte foi a troca de olhares entre “pai” e filho. Vê-se nitidamente que o nefilim considera Cass mesmo como uma figura paterna. A segunda conversa dos dois, a do hotel, foi bem propícia. Ver Jack contando os fatos que se sucederam enquanto Cass estava fora soa exatamente como um filho contando ao pai sobre uma coisa nova que acabara de descobrir. Essa sinergia foi bem trabalhada entre os dois. Porém, Castiel, como anjo e figura bastante antiga tinha muito mais a transmitir a Jack do que poderíamos ver num episódio de quarenta minutos. Queria muito ver mais dos dois. Porém, uma vez provado um pouco dessa relação, a expectativa da vez é ver qual o comportamento de Jack ao encontrar Lúcifer.

Outra cena que ficou faltando: uma conversa sincera entre Dean e Castiel. O único momento que os dois tiveram a sós foi no carro, enquanto já estavam vestidos de cowboys e a cena não teve uma carga emotiva tão forte. Após tanto tempo sofrendo sua perda, seria bacana dedicar alguns minutos a mostrar Dean confessando a Castiel que não acreditava que a sua volta era verdade e que ficou muito mal por tê-lo perdido; não sou fã de dramas desnecessários, galera, mas esse momento eu gostaria de ter visto.
Jack está evoluindo bastante, seja como humano ou nefilim. Seus poderes estão aí aflorando, episódio a episódio e minha estimativa é que ao término desse arco, eles estejam no auge, de forma semelhante como ocorreu a evolução de Amara, no primeiro arco da 11º temporada. Sem falar que ele, agindo como caçador ou pelo menos tentando é divertido. “Sentiu algo de estranho? Locais frios? Cheiros estranhos?” O personagem é às vezes cômico e foi sem dúvida, uma boa adição à série.
Caras, o que falar do monstro dessa semana? Novamente, parece-me que SPN está mesmo decidida a explorar os monstros antigos nessa temporada, não é? Espectros, Metamorfos e agora ghouls. Tudo bem em usar monstros repetidos, desde que mudem a abordagem, a história envolvendo a criatura. Deu para notar que Tombstone teve uma boa intenção ao apresentar a história de Dave Mather, que por sinal foi um cara que existiu mesmo. Mas a forma como o roteiro conduziu o plot do ghoul não foi das melhores, pois mostraram ele apenas como uma figura caricaturada e não me convenceu, tanto é que se botassem qualquer outra pessoa com um chapéu e com uma arma surtiria o mesmo efeito, tratando-se é claro de fatos envolvendo o enredo.

Achei que a interação de Jack no caso, ajudando a encontrar pistas e a combater o vilão fossem gratificantes o suficiente para que ele se julgasse um ser do bem. Mas como sua personalidade é frágil por ainda estar sendo moldada, após ter ferido acidentalmente o guarda do banco, sua cabeça virou um turbilhão de emoções e pensamentos. Já sabíamos de semanas passadas que ele tinha medo de mudar de lado, por isso eu já estava convencido de que algo assim aconteceria, por que para alguém tão angustiado quanto Jack e com a mente tão sujeita a esse tipo de pensamento, não importa por quanto tempo tudo fique bem ou quantas boas ações ele faça; no exato momento em que algo de ruim acontecer, o pensamento de que “nada que faça será suficiente para compensar” irá penetrar.
O argumento de Jack em querer ir embora seria muito fraco caso viesse de qualquer outro personagem, mas temos que aceitar que ele é uma criança no corpo de um homem. Portanto, sua partida foi válida, além da premissa de que certos ensinamentos e lições, ele só aprenderá se estiver sozinho. Não estou desmerecendo a influência dos irmãos e de Castiel, o que quero afirmar é que estando com eles, Jack fica muito condicionado e talvez até, limitado.
Contudo, o tempo que Jack passou com os irmãos foi bastante proveitoso, pois com isso ele aprendeu (ainda que em alguns momentos, da forma mais difícil) a ser cuidadoso com a vida das pessoas, a pesquisar sobre monstros e como obter informações importantes como por exemplo como matá-los e etc. Lições muito válidas e lições essas que ele não teria aprendido se estivesse sozinho desde o momento em que escapou da casa onde nascera. Isso pode ser um forte indício de que, apesar das tentações em fazerem com que Jack passe para o lado do mal, ele sempre escolherá o bem, pois as situações vividas com os irmãos e agora, com Castiel, constituíram um alicerce onde as influências negativas de Asmodeus e Lúcifer não terão vez. Prova disso: O motivo da partida dele foi justo o fato de não poder fazer o bem. (Estou muito confiante, espero não me decepcionar).
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Sem contar que, a primeira educação, a que recebemos em casa, logo nos primeiros anos de vida é na maioria das vezes, a que define nossas personalidades, como reagiremos em determinadas circunstâncias, como enxergaremos o mundo e etc; Segundo Machado de Assis, num dos capítulos de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, ele afirma que “o menino é o pai do homem”. Portanto, vamos torcer para que essa frase prove sua conotação e que a influência que Jack recebeu enquanto menino seja predominante no momento em que ele se tornar um homem.

Observações e dúvidas de Tombstone:
- É no mínimo estranho a agente funerária cuidar dos corpos em sua própria casa. Será que esse é mais um dos costumes estranhos do pessoal do velho oeste? 😛
- Castiel voltou apenas para ser a vitória que tanto Dean precisava e aparentemente, para ser o pai postiço de Jack. Quando poderemos ver Castiel andando com as próprias pernas e fazendo por merecer estar na série?
- Eu entendi que Jack lançou seus poderes no final para evitar que um dos três tentasse impedi-lo de ir embora. Mas, aparentemente ele desapareceu sozinho. Precisava ter golpeado a galera?
- Se nem Deus tem poder no vazio, como Jack teria alguma influência por lá? A única hipótese que se passa pela minha cabeça diz respeito ao fato de que Jack é resultante de duas energias que advém de planos distintos, que seriam a terra e o céu. Seria por esse motivo que suas sensibilidades transcendem universos e dimensões também distintos?















