The British Invasion, mais um fraco episódio para essa bagunçada temporada de Supernatural.
Que bagunça foi esse episódio, meus amigos. Que bagunça! Cenas mal elaboradas, diálogos fracos, personagens deslocados… A temporada está muito mal planejada. Não há uma história sendo contada: é uma colcha de retalhos, metade xadrez e metade listrada, em que dois costureiros batem cabeça tentando fazer duas tramas fazerem sentido. Andrew Dabb e Robert Singer, ao se reunirem para o planejamento da temporada, devem ter discordado sobre o tema da mesma e, pra ninguém ficar de bico, resolveram fazer um pouquinho das duas ideias. Por fim, não tivemos nem Lúcifer e nem os Britânicos, só uma mistureba mal encaixada dos dois.
Sobre Lúcifer…
Primeiramente, é preciso entender o que significa a continuidade da trama de Lúcifer. Ele, cujo antagonismo na 5ª temporada causa suspiros de saudades até hoje, retornou na temporada passada em uma história honesta: parte sendo uma ameaça e parte sendo uma esperança de derrotar A Escuridão, Lúcifer acabou tendo um arco de redenção, ao fim da trama, com seu encontro com Deus e entendendo os motivos pelos quais o Criador errou com ele. Porém, sem uma contextualização sequer, Lúcifer voltou a causar nessa temporada sob o pretexto de que havia sido deixado para trás por seu pai. OK, é justo, eu entendo e acho válido esse caminho. Porém, tudo foi feito de forma bagunçada, como se tivessem tido a ideia um dia antes das gravações. Ao se relacionar com Kelly Kline e com um filho a caminho, Lúcifer encontrou uma razão para viver. Seria algo bem legal de ser trabalhado se não fosse o esquecimento de tudo que ele passou para chegar até esse ponto. É claro que podemos deduzir que ter esse filho seria um meio de Lúcifer atingir esses objetivos de caos que ele estava tentando atingir no começo da temporada, porém, isso nunca é mencionado. E se ele foi mesmo atingido pelo sentimento de paternidade e só quer proteger sua cria? Ficamos no escuro, sem respostas, sugestões ou dicas.
Para finalizar essa primeira parte do raciocínio, observem como o plano de Lúcifer foi extremamente conveniente para o andamento da história. Crowley disse que o receptáculo de Lúcifer foi feito na medida e estudado em níveis moleculares para reprimir os poderes do arcanjo. Sendo assim, como ele consegue se comunicar com Dagon? Além disso, é estranhíssimo e patético o plano de Crowley de colocar Lúcifer para o bajular na frente de todos os demônios. Ter Lúcifer sob seu controle era um segredo que fazia muito sentido, afinal, ninguém nunca apreciou Crowley como rei. Mostrar essa arma que, queira ele ou não, poderia instigar uma rebelião interna; não combina com sua personalidade estrategista. Por isso essa ideia não faz sentindo nenhum. Crowley já se provou não ser um idiota e se mostrou estar muitos passos na frente de Lúcifer. Se esse plano do arcanjo se mostrar eficaz, podem anotar lá na listinha de furos de roteiro de Supernatural e uma das maiores idiotices de Crowley.

Sobre os Britânicos…
Apesar de inseridos em uma hora totalmente errada (season finale passada), os Homens das Letras Britânicos tinham um bom potencial para agregar à série. Seja com conhecimentos mitológicos, técnicas ou estratégias, a inserção deles na história era uma boa ideia, no geral. Porém, é preciso lembrar de tudo que já aconteceu na série e eles se mantiveram neutros. Lilith, selos do Apocalipse, Lúcifer, Leviatãs, a Queda dos Anjos, A Escuridão… Tivemos várias situações em que os Winchesters estavam lidando com o perigo em nível mundial, principalmente em relação à trama da temporada passada. O Sol estava morrendo (!!!) e os Britânicos foram para os EUA tirar satisfações com os Winchesters. Como, em um nível de planejamento absurdo, eles iriam prever que o mundo não iria acabar e que A Escuridão seria contida? Drª Hess, cuja importância interna não a permitia deixar a Inglaterra, veio lidar presencialmente com os “sujos e desobedientes” caçadores estadunidenses. Quero que alguém me informe em que universo lidar com caçadores que “estão saindo fora do controle” é mais grave do que o capeta à solta pelos EUA, os Leviatãs controlando todos os meios de comunicação ou um ser com mesmo nível de poder que Deus destruindo o Sol. Entendo perfeitamente que o conceito dos Homens das Letras Britânicos é novo e que nunca havia sido pensado antes dessa temporada, porém, é preciso fazer sentido em retrospecto.
Mick Davies, o personagem que era nossos olhos dessa organização, teve seu arco dramático trabalhado nos últimos episódios. Apesar de algumas ressalvas, o desenvolvimento do personagem era um aspecto bastante positivo. Era notável sua gradual mudança de posicionamento sobre os métodos britânicos, mas infelizmente tudo foi para o ralo nos últimos minutos de tela. Três episódios não são o suficiente para uma pessoa superar um trauma de infância daquela magnitude, sendo que em nenhum deles o personagem se mostrou inteiramente convencido do contrário do que ele acreditava, tornando um pouco apressada essa mudança definitiva de posicionamento de Mick sobre os métodos britânicos. Infelizmente, foi um tremendo potencial desperdiçado.
Personagens certos na hora e momentos errados.
Eileen, cuja participação no episódio Into the Mystic trouxe representatividade e foi abordada de forma extremamente positiva, caiu de paraquedas no episódio dessa semana. Sem justificativa alguma, a personagem só estava lá para cumprir cota de algum personagem secundário que deveríamos nos importar. Ela, que poderia ter sido a protagonista de um filler com um desenvolvimento maior da personagem, agora ficou marcada para morrer pelos Britânicos. É triste saber que existe uma chance de terem desperdiçado precocemente essa personagem interessante e que estava totalmente deslocada no episódio.
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E o que dizer sobre Mary Winchester? Que mau aproveitamento de personagem. Mary, ao voltar para a série, trazia consigo uma enorme chance de ser uma catástrofe, afinal, trazer personagens dos mortos banaliza o significado que essa perda tem para os outros. Supernatural é campeã disso, afinal, é piada até mesmo dentro da série o tanto de vezes que os protagonistas já passaram por situações assim. Mary, mesmo que ainda seja cedo para concluir que sua volta foi insignificante, não justifica a que veio. Ela apareceu pouco, foi colocada em situações em que contrapunha seus filhos e em nenhum momento justificou sua volta. Qualquer outro personagem secundário poderia desempenhar o mesmo papel. Para piorar, reforçando um comentário extremamente pertinente de uma leitora da review anterior, Supernatural prova novamente que não sabe trabalhar personagens femininas. Mary, como “interesse amoroso” de Ketch, serve apenas de muleta para o desenvolvimento dele, gerando dúvidas que somente ele vai ter ao possivelmente receber uma missão para exterminá-la, e não para o desenvolvimento do arco dela.

Em um episódio que tenta agradar a gregos e troianos, Supernatural parece bolinha de pinball e não sabe pra que lado ir. Lúcifer pôs em prática seu plano de revirar o Inferno e adquirir o poder novamente, porém, feito de forma totalmente aleatória. A história envolvendo Kelly Kline continua na mesma: ela continua sob o domínio de Dagon, mas agora com a informação de que ela será morta ao dar a luz ao Nefilim. Paralelamente a isso, temos os Britânicos querendo a cabeça de todos os caçadores, com Sam e Dean sem o seu único aliado do lado de lá. Infelizmente, todo o arco de Mick Davies, que estava progredindo de forma positiva, foi descartado precocemente. Ao tentar progredir com duas tramas mutuamente, (Nefilim e Britânicos) ambas não se aprofundam adequadamente e erram ao tentar nos instigar com o que está por vir, com conveniências do roteiro e desperdício de personagens.















